sábado, 30 de janeiro de 2010

Crítica - Pride and Prejudice [Orgulho e Preconceito]

Título: Pride and Prejudice [Orgulho e Preconceito]
Autora: Jane Austen
Editora: DOVER Publications
Páginas: 512
Preço Editor: $18,95 (custou-me 23,27€ cá)

Sinopse: «In one of the most universally loved and admired English novels, a country squire of no great means must marry off his five vivacious daughters. Jane Austen's art transformed this effervescent tale of rural romance into a witty, shrewdly observed satire of English country life.»


Em primeiro lugar, de frisar que li este livro em inglês (na sua língua original, aliás), como já não fazia desde... o último do Harry Potter, no ano em que saiu. No início notei que de facto estava um pouco destreinado, mas logo me habituei e a leitura fluiu melhor. É claro que demorava o dobro do tempo a ler cada página, porque tinha de estar com a atenção redobrada. E frequentemente não percebia uma palavra ou expressão; passava à frente e logo compreendia o sentido. E, sim, tenho perfeita noção de que, de certeza, não captei toda a beleza que o livro poderá ter - por ter lido em inglês, e algumas coisas me terem eventualmente escapado. Por outro lado, estive perante o texto na sua versão original, sem ser usurpada por traduções. Há prós e contras, como em tudo.

Mas passando da língua para a história em si - correspondeu às expectativas que alimentei durante muitos meses. Já tinha visto o filme, e foi após esse visionamento que me ocorreu também ler a obra que o originara. Escrito mais ou menos em 1796, fim do século XVIII, é bastante antigo. E um pouco da sua beleza reside nesse ponto: o facto de estar tão bem escrito, sendo uma obra com mais de dois séculos. Nota-se esse estilo de narração clássico, que se apoia, neste caso, nas relações sociais ligadas ao casamento. Casamentos - é essa a palavra chave. Mas damos muitas voltas à volta dela...

Certos momentos, confesso, não me cativaram; a história estava um pouco em ondas, nesse aspecto. Em certas partes haviam diálogos q. b., havia uma linha de acção a decorrer, e era fácil e cativante de acompanhar. Já o mesmo não posso dizer dos capítulos inteiros que esta pessoa ou aquela passavam a interpretar uma carta, ou uma determinada frase. Esses momentos eram excessivamente parados, e um pouco maçudos.

Mas depois temos toda uma emoção derivada dos diálogos, a complexidade para lá da aparência formal das personagens, os jogos de palavras e de vontades. Um romance no sentido literal da palavra - de amor. Os jogos de casamentos, o que está por trás deles... tem umas graças de vez em quando, que fazem qualquer um sorrir. Personagens diversificadas. Correspondeu às expectativas. Aconselho a quem quer experimentar a escrita de Jane Austen, ou simplesmente ler um bom clássico!

Personagens Preferidas: Mr. Darcy, Mr. Collins, Mrs. Bennet.

Nota (1/10): 8 - Muito Bom

Tiago
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É já segunda-feira que vamos publicar aqui a entrevista exclusiva à recentemente criada editora AHAB. E o passatempo também se aproxima a galope... fiquem atentos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Nome do Vento - Primeira compra de 2010


O Nome do Vento
Autor: Rotffuss, Patrick
Editora: Gailivro
P.V.P: 19.90

Aqui está a minha primeira compra de 2010. Na verdade já tinha previsto adquirir esta obra mais cedo mas com a lista de livros que antecediam este... na verdade não resisti e acabei mesmo por comprá-lo. E tenho as maiores expectativas quanto a esta capa tão interessante e a este nome tão promissor na literatura, Patrick Rothfuss.

Graças à Jojo, do blog, Devaneios da Jojo, que me abriu ainda mais o apetite quanto a este livro, decide-me a comprá-lo sem pensar duas vezes. Não posso pronunciar-me acerca do enredo pois não tenho por hábito ler sinopses antes de pegar na obra. No entanto, pelas opiniões que tenho lido, trata-se de uma história inesquecível com personagens marcantes.

Como se trata de um livro bastante extenso, tratarei de colocar no Lydo, e à medida que vou lendo, a minha opinião. Bem como as personagens e toda a acção que me parecer interessante.

Patrícia

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Novidade da Semana - Colecção Autores Lusófonos [Revista Visão]



Carreguem na imagem, por favor, para aumentarem a dupla página tirada da revista Visão, e colocada por scanner aqui.

Esta semana, o Lydo e Opinado destaca não um novidade que se aproxima, mas sim seis! É já a partir da próxima semana que a revista semanal VISÃO, seguindo os meus modelos da Sábado, vai lançar uma colecção de livros por apenas mais um euro com a revista. O tema da colecção são: autores lusófonos. Temos livros de autores de vários países onde se fala português: Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné, e o próprio Portugal. As capas são extremamente apelativas, e embora inicialmente apenas tencionasse comprar os primeiros três, acho que não vou conseguir resistir à segunda metade também. Aqui vai a lista.

4 de Fevereiro - A Varanda do Frangipani (Mia Couto)
11 de Fevereiro – Parábola do Cágado Velho (Pepetela)
18 de Fevereiro – Estorvo (Chico Buarque)
25 de Fevereiro – Os Dois Irmãos (Germano Almeida)
4 de Março – Kikia Matcho (Filinto de Barros)
11 de Março – O Hóspede de Job (José Cardoso Pires)

Gostaram desta colecção? Tencionam aquirir algum? Fico à espera das vossas opiniões.

Tiago

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Por 30€...



Foi já há uma semana e meia, mas para os interessados penso que a promoção se mantém. A FNAC anda a vender alguns livros por preços mínimos, fazendo descontos que chegam aos 70%. E, enquanto que em circunstâncias normais, cada um deste livros teria-me custado 30€, os dois juntos custaram-me essa quantia (comprei por 15 cada um). Sendo ambas edições de capas duras e ilustradas, juntei ouro sobre azul.

As Aventuras de Pinóquio são um clássico que eu senti vontade de ler assim que olhei para a capa, e folhei-ei algumas páginas. Já a Alice no País das Maravilhas e a Alice no Outro Lado do Espelho (o livro é dois em um; se virarmos ao contrário temos a sequela), andava para arranjar há muito tempo! Mas não conseguia encontrar nenhuma edição digna a um preço decente... finalmente, foi o meu dia de sorte. Tenciono ler ainda antes da estreia em Portugal da mais recente adaptação cinematográfica da história, em Março.

Tiago

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

[Crónica] Novo Acordo Ortográfico - Patrícia


Será mesmo novo? Sinceramente, penso que não. Este Novo Acordo Ortográfico é literalmente uma imitição da Língua Brasileira. Já não existiam complicações suficientes na nossa Língua? Tinham de "inventar" mais uma para dificultar a já ardilosa capacidade literária? De facto, e não, não me refiro a fatos que possa vestir, a maior parte das pessoas não saberá como escrever estando constantemente em períodos de transformação. Mesmo os nossos professores, as pessoas que no seu percurso de vida dedicaram todo o seu trabalho à Língua Portuguesa, vêem-se forçosamente na condição de meros espectadores e limitam-se a dar a sua opinião quando deveriam ter um papel muito mais activo neste aspecto.

Desde pequenos que nos é apresentado um tipo de escrita, a forma como vamos evoluindo não perde as suas raízes uma vez que aquela foi a nossa base. Imaginem que perdemos completamente esse apoio. As palavras deixam de ter o mesmo sentido, a pontuação é alterada, estamos reféns da forma como transmitimos a nossa opinião e da maneira como ela é recebida. O que somos então? Estaremos em tal estado de precariedade que até a forma como escrevemos obrigatoriamente se traduz numa imitação?

Chego à conclusão de que o Acordo Ortográfico, para além de todas as mudanças nas palavras, trará uma enorme confusão nas cabeças de muita gente. Nem mesmo os livros e os dicionários serão capazes de tratar este assunto sem alguma dúvida. Mas nada me convence de que este assunto ficará resolvido com apoio total.

Patrícia

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Biblioteca Sábado | Lydo e Opinado em Fevereiro



Para quem tem andado atento, nos últimos dois anos a Revista Sábado tem publicado juntamente com a sua revista muitas obras de grandes autores, por apenas mais 1€ . Neste início de 2010, resolveu presentear todos com mais uma série de livros! O primeiro sai já hoje; segue-se a lista ordenada por datas:

21 de Janeiro - Os Cadernos de Dom Rigoberto, de Mario Vargas Llosa
28 de Janeiro - Revolutionary Road, de Richard Yates
4 de Fevereiro - O Físico, de Noah Gordon
11 de Fevereiro - Rapariga com Brinco de Pérola, de Tracy Chevalier
18 de Fevereiro - Jim o Sortudo, de Kingsley Amis
25 de Fevereiro - O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy
4 de Março — Money, de Martin Amis
11 de Março — A Herança de Eszter, de Sándor Márai

Desde já adianto que eu, o Tiago, destes tenciono comprar o Revolutionary Road, O Físico, Rapariga com Brinco de Pérola e, talvez, O Deus das Pequenas Coisas. É claro que gostaria de ter todos, ainda por cima por este preço, mas o tempo não dá para tanto, e tenho muitos livros já em lista de espera... grande colecção, aconselho a todos! Já leram alguma dessas obras? Quais tencionam comprar?

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Em Fevereiro, o Lydo e Opinado vai manter o seu compromisso de entrevistar por mês um autor/tradutor/editor por mês. Após três escritores (Juliet Marillier, José Rodrigues dos Santos e Frederico Duarte), dia 1 de Fevereiro publicaremos a entrevista exclusiva à editora AHAB (nova, criada em Outubro do ano passado). Tem já publicadas três obras, as quais podem obter informações neste nosso tópico.

E é exactamente uma dessas obras da nova editora, «Pergunta ao Pó» (de John Fante), que vai ser o prémio do primeiro passatempo do Lydo! Os leitores do blog respondem a duas simples perguntas, e habilitam-se a ganhar um exemplar deste livro. Estejam atentos...

Quanto ao tema das nossas crónicas para este mês que se aproxima, será «O que é um bom livro?». Esta pergunta é feita a muita gente, e as respostas são sempre diversas. Em Fevereiro, cada um dos autores do blog fará uma breve crónica acerca do que é, para cada um de nós, um bom livro.

Fevereiro, portanto, promete. Isto, e muitas críticas a livros, novidades, e muitas leituras. Obrigado a todos os que nos seguem!

Tiago

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Novidade da Semana - Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo

Título: Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo
Autor: Rick Riordan
Editora: Casa das Letras
Nº de Páginas: 383
Preço Editor: 16,90€

Sinopse: «Percy Jackson está prestes a ser expulso do colégio interno… novamente. E esse é o menor dos seus problemas. Ultimamente, criaturas fantásticas e os deuses do Olimpo parecem estar a sair das páginas do seu livro de mitologia para entrarem na sua vida. E o pior de tudo é que ele parece ter enfurecido alguns deles. O raio-mestre de Zeus foi roubado e Percy é o principal suspeito.
Agora, Percy e os seus amigos têm apenas dez dias para encontrar e devolver o símbolo do poder de Zeus e restabelecer a paz no Olimpo. Para o conseguir terá de fazer bem mais do que descobrir o ladrão: terá de encarar o pai que o abandonou, resolver o enigma do Oráculo e desvendar uma traição mais ameaçadora e poderosa do que os próprios deuses.»


Saído para as livrarias a semana passada, esta foi uma das primeiras apostas da Casa das Letras neste ano de 2010. Dirigido para um público juvenil, esta aventura promete, visto que, entre nomeações e prémos ganhos, já soma 18! Está há mais de 100 semanas no TOP do New York Times! E a adaptação cinematográfica, cheia de efeitos especiais e realizada por Chris Columbos (1º e 2º Harry Potter), e com actores como Pierce Brosnan (James Bond) e Sean bean (O Senhor dos Anéis), vai estrear em Portugal dia 11 de Fevereiro.

No outro dia estive a folheá-lo numa livraria, e parece-me um livro de leitura agradável. Visto que está mais direcinado para uma faixa etária entre os 10 e os 15 anos, é uma excelente prenda de aniversário para estas idades.

Tiago

domingo, 17 de janeiro de 2010

Crítica - AvóDezanove e o Segredo do Soviético

Título: AvóDezanove e o Segredo do Soviético
Autor: Ondjaki
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 196
Preço Editor: 12,90€

Sinopse: «Deram a volta ao largo, do lado de lá da bomba, o camarada VendedorDeGasolina fez adeus como sempre fazia apesar de ar pessoas estarem tão perto, não sei, cada um pode fazer e gastar quantos adeuses quiser, mas eu acho que adeus é para se fazer mais assim numa ocasião de despedida tipo uma viagem longa, como quando alguém vai de avião para outro país internacional, ou mesmo que seja província mas que demore mais que quinze dias ou faz-se adeus de muito longe quando a voz não chega nem mesmo gritada de doer a garganta, ou se for como nos filmes dos navios grandes que às vezes até afundam, vale a pena ir ao porto fazer adeus com lenço ou sem lenço, com lágrimas ou sem chorar, mesmo que existem pessoas que gostam de fazer adeus a rir, mesmo com a vontade de chorar escondida, porque aquele que vai embora já vai triste de ir para longe, não precisa mais de levar as nosssas lágrimas de fazer adeus assim demorado, ou então, se é uma pessoa que se gosta muito dela e ela vai partir, mesmo que seja poucos dias, talvez dê para fazer um pequeno adeus mas não tão estrondoso e quase a imitar o camarada polícia sinaleiro como o VendedorDeGasolina fez para a minha Avó, ainda por cima, eu devia mesmo lhe dizer depois, nunca se faz um adeus tão grande a uma pessoa que está a chegar a casa, mas não vale a pena explicar mais, muitos mais-velhos não entendem nada dessa coisa de fazer adeus.»

Há livros que surpreendem. Eu não conhecia sequer este, nem o título, nem a capa, nem o autor (embora tenha a sensação que já tivesse ouvido o nome dele aqui e ali). De resto, nunca tinha visto sequer de relance esta obra. Recebi-a no Natal, e achei graça, porque era o segundo livro de um africano de língua portuguesa que recebia no mesmo dia. Gostei tanto de Jerusalém, que decidi que este seria o seguinte. E há livros que surpreendem.

Não foi o enredo que me fascinou, penso eu, visto ser muito simples, e claramente centrado numa criança, cujos objectivos são brincar, descobrir o mundo; e, quase consequentemente, a história não é muito orientada por um objectivo. Vamos avançando lentamente... está a ser construído um Mausuléu pelos russos, que «invadiram» a PraiaDoBispo, em Luanda. O narrador e o amigo Pi querem evitar a conclusão da construção.

O que realmente me fez agarrar este livro com tanta ternura à medida que o ia desfolhando foi (para além da capa, que na minha opinião está espetacular) a forma de escrever de Ondjaki. A linguagem usada pelas personagens torna-se familiar para o leitura à medida que se lê... o mundo visto de uma prespectiva mais baixa é sempre interessante de ser lido... mas... mas o ponto fulcral foram as descrições: acho que nunca tinha lido descrições tão sentidas, cheias de cores, sons, sensações diversas, tuodas estas coisas misturadas com a emoção do momento. Isso foi, de tudo, o que mais me saltou à vista!

Uma obra que pode ser lida por todas as idades, dos 8 aos 80. Deixa muito no ar, para pensarmos e tentarmos adivinhar o que aconteceu a partir da última linha com todo o leque de personagens que nos foram aos poucos sendo apresentadas. Devo confessar que apenas o título não é do meu agrado. De resto, uma leitura cheia de ternura. Aconselho.

Personagem Preferida: A AvóAgnette (ou Dona Nhéte, ou AvóDezanove) é claramente uma típica avó, e, como todas as avós do mundo, confortam mesmo só a ler.

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

[Crónica] Novo Acordo Ortográfico - Tiago

O Lydo e Opinado inicia hoje uma nova rubrica sua, sem que tenha no entanto um determinado dia regular para ser publicada. A cada mês vamos escolher um tema, e cada um de nós irá fazer uma breve crónica acerca desse assunto. Escolhermos o Novo Acordo Ortográfico como o de Janeiro. Hoje, a minha crónica. Brevemente, a da Patrícia e a da Sara.

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Teoricamente, já entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2009, mas a mudança vai ser lenta e gradual. O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, já fez correr muita tinta nos jornais, de opiniões a favor e contra. O que tenho eu a dizer acerca do assunto? Confesso que serei um pouco ambíguo. É que por um lado tenho uma opinião, e por outro tenho outra.

A verdade é que sempre me intrigou o porquê de escrevermos «Queijo» em vez de «Qeijo». E porquê «Girafa» ao invés de «Jirafa»? Porquê «Hoje» e não «Oje»? Estas questões práticas são legítimas de serem questionadas: vão-me responder que a origem das palavras tem uma importância grande. E eu aceito. Mas qual é a lógica? Do meu ponto de vista, não a encontro.

Mas, vá lá, o Acordo Ortográfico não chega tão longe, e não muda estas palavras! Felizmente! Isto porque, apesar de não compreender por completo o porquê de essas regras existirem, elas existem. E já está tão entranhado em nós que é difícil gostarmos de «Qeijo», «Jirafa», e «Oje». Acontece que gosto da complexidade da língua (é aqui que entra a parte de eu dizer que a minha opinião é ambígua). Não é preciso haver lógica em tudo, a língua é assim, evoluiu desta maneira, e nós não nos temos de meter ao barulho.

É por isso que me custa saber que a partir de hoje «adoptar», «óptimo» e «acção» passam a ser «adotar», «ótimo», e «ação». Sim, eu sei que nós já não líamos as consoantes mudas, mas soa estranho. O problema é que estes exemplos são o menos. Ora repare-se nestes exemplos: «acto» passa a «ato», e «Egipto» a «Egito». Supostamente, segundo o acordo, estas palavras são «casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua» as consoantes em questão. Acontece que, conforme me ensinaram, Acto e Egipto lêem-se com todas as letras; então Egipto nem se fala! Nunca me passou pela cabeça não ler o «p». É isto que mais me indigna. Se calhar fui eu que aprendi mal este tempo todo, mas mesmo que seja esse o caso, não posso senão discordar.

Existem outras mudanças, nomeadamente «há de» em vez de «há-de», e o desaparecimento completo do trema “sinal de dois pontinhos por cima de uma letra: ¨) de todas as palavras de Língua Portuguesa. Conclusão final: é mais um passo na evolução da língua em direcção ao standard. Cada vez mais simples. Cada vez menos complexidade.

Mas como digo sou ambíguo. Não me oponho completamente, mas também não estou a favor. Estas questões sai difíceis de analisar.

Tiago

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Novidade da Semana - O Passado que Seremos

Título: O Passado que Seremos
Autora: Inês Botelho
Editora: Porto Editora
Nº Páginas: 208
Preço Editor: 15,90€

Sinopse: «Elisa e Alexandre conhecem-​se num fim-​de-​semana no Caramulo. São ambos jovens, per­tencem a círculos diferentes, vêem o mundo de perspectivas quase sempre opostas – e, no entanto, parecem incapazes de escapar à atracção que lentamente os envolve. Com avanços e recuos, iniciam então uma relação que não entendem e questionam. Mas que os marcará para sempre.
Elisa tem medo da lua e das janelas sem corti­nas. Pensa de mais e quer entender o mundo nas suas múltiplas facetas. Alexandre, pelo contrário, avança sem grandes reflexões, preocupado em aproveitar cada momento do presente antes que as responsabilidades o amarrem.
Romance de iniciação à idade adulta,
O Passado Que Seremos dá-​nos o(s) retrato(s) de uma geração e dos caminhos onde procura encontrar a “sua” verdade.»

Esta quarta-feira, na rubrica do Lydo e Opinado «Novidade da Semana», apresentamos um livro que, na verdade, apenas tem data de lançamento marcada para 28 de Janeiro; mas nós falamos dele já. Principalmente porque estou particularmente ansioso por esta obra de Inês Botelho, jovem escritora portuguesa - autora da trilogia O Ceptro de Aerzis. Essa saga, constituída pelos livros A Filha dos Mundos, A Senhora da Noite e das Brumas, e A Rainha das Terras da Luz fascinou-me imenso, e foi dos primeiros livros «a sério» que li. Agora temos Inês Botelho num novo registo - o romance.

Conhecem os livros de Inês Botelho? Já leram a trilogia d' O Ceptro de Aerzis, ou o livro que escreveu posteriormente, Prelúdio? Gostam do estilo de escrita da escritora? Contem-nos.

Lançamento marcado para dia 28 de Janeiro.

Tiago

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Análise de 2009 em Leituras (Tiago)


2009 chegou ao fim, e chegou a altura de fazer uma retrospectiva do ano. na imagem acima v~e-se o TOP 10 dos livros que li este ano (sendo o de cima o 1º lugar, e o de baixo o 10º). Vou fazer em baixo uma lista e falar um bocadinho acerca de cada um deles:
  • 1º Lugar: Crónica do Pássaro de Corda - Haruki Murakami; este foi o melhor dos quatro livros que li do autor nipónico este ano, e a melhor entre todas as obras que me passaram pelas mãos em 2009. Crónica do Pássaro de Corda é um romance intenso, característico de Murakami, que mistura o surreal com o quotidiano japonês, que delicia nas descrições... em que a vida se transforma num sonho ao longo dos capítulos... é o expoente máximo do que li em termos surrealistas, tema que aprendi a adorar. Adorei!
  • 2º Lugar: Auto-Retrato do Escritor enquanto Corredor de Fundo - Haruki Murakami; este livro foi entre todos o que mais mudou em mim a minha vida prática diária. Durante os tempos não pensei em quase mais nada senão em correr, senti-me inspirado a seguir o estilo de vida de Murakami, neste ensaio sobre a corrida, a escrita, a vida, e toda uma série de temas que ele aborda ao longo do... auto-retrato. Um livro de memórias estupendo, uma experiência de vida merecedora de ser lida por todos. Grande lição.
  • 3º Lugar: Mil Novecentos e Oitenta e Quatro - George Orwell; Já tinha lido muitas críticas mais-que-positivas em relação a este clássico da literatura, escrito pelo génio que foi Orwell. Uma distopia que foi o berço do termo «Big Brother», e que nos coloca, de forma sublime, cativante e perturbadora, muitas questões na cabeça. Aonde a raça humana vai parar? Podemos pensar que 1984 já é um ano passado, mas ele pode chegar a qualquer momento. Esperemos que não. Sublime.
  • 4º Lugar: A Glória dos Traidores - George R. R. Martin; Este livro usou dos seus atributos, abusou dos mesmos, e deixou-me de boca aberta: divinal, como alguém caracterizou algures, este é até onde li o cume da melhor série de fantasia que já tive o prazer de ler. A crueldade do enredo para com as personagens vai contra todos os clichés possíveis e imaginários, a originalidade das histórias que se interligam, a respiração que fica suspensa de capítulo para capítulo... UAU.
  • 5º Lugar: Sputnik, Meu Amor - Haruki Murakami; o primeiro livro de Murakami que li na minha vida, peguei nele por acaso. Foi possivelmente a maior surpresa do ano. A escrita deste senhor é inconfundível, a história permanece-me na cabeça mesmo passados todos estes meses... daquelas obras que apetece reler, mas não temos tempo para tal (embora tenha lido em 2 dias).
  • 6º Lugar: A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol - Haruki Murakami; O enredo deste livro é tão simples e tão belo ao mesmo tempo, que me marcou intensamente. Os mistérios, os segredos por revelar, as descrições, a própria narração, as personagens... foi, para mim, a confirmação de que Murakami é um excelente escritor.
  • 7º Lugar: A Filha da Profecia - Juliet Marillier; A conclusão da trilogia Sevenwaters dificilmente poderia ter sido melhor do que isto. Fainne é a melhor das três protagonistas, a história é a mais intrigante, e o meu interesse na autora atingiu o seu auge. E a capa... A não perder!
  • 8º Lugar: A Tormenta das Espadas - George R. R. Martin; Foi neste livro que reencontrei novamente o Martin que conhecera n' A Guerra dos Tronos, e que fora perdendo aos poucos e poucos ao longo dos outros volumes (sem que deixassem de ser, repare-se, muito bons!). Foi neste livro que regressou a garra que é característica nesta saga.
  • 9º Lugar: Os Maias - Eça de Queirós; alguém achou curioso que, aqui no blog, eu tenha colocado uma análise a meio deste livro, em que dizia que não estava a gostar... e no fim, dei nota 8 (em 10). Acontece que, do meu ponto de vista, notei uma evolução positiva na segunda metade deste romance, o maior que li em 2009; foi na segunda metade que as personagens, os cenários, a história, me cativaram. Duvido que vá esquecer esta leitura...
  • 10º Lugar: Aprendiz de Assassino - Robin Hobb; tendo sido o último de 2009, quer-me parecer que fechei o ano em grande. Cá está uma saga de fantasia que promete, e mal posso esperar pela leitura do próximo volume. Muito bom!
De resto, aqui vão mais alguns apontamentos acerca do ano de 2009 em termos de leituras. Li um total de 8731 páginas, li 28 livros (sendo que um deles, Brisingr, não passei da página 500, de tal forma não gostei dele). Em média, cada livro que li tinha 311 páginas. E, também em média, li 24 páginas por dia. O maior livro que li foi os Maias, com 725 páginas; o mais pequeno foi O Banqueiro Anarquista, com 57.

A estação do ano em que li mais foi o Inverno (entre Janeiro e Março), a confirmar o que se passou nos anos anteriores. A estação em que li menos foi a Primavera (entre Abril e Junho). Comparando a primeira e a segunda metade do ano, surpreendi-me, porque os valores em termos percentuais são quase iguais. Entre Janeiro e Junho li 50,1% do total de páginas, e entre Julho e Dezembro li 49,9%. Quase equilíbrio total!

Autor revelação do ano: Haruki Murakami. Não tenho sequer de pensar duas vezes. Não só é o autor revelação, como é já o meu preferido. George Martin continuou a mostrar a sua excelência. Li coisas de n géneros diferentes. Ultrapassei o meu objectivo de ler 24 livros: li 27 e meio. Podem vez abaixo a pilha de livros que li: foi preciso ajuda para a manter erguida!

Para 2010: Chegar às 10.000 páginas. A partir deste ano quero manter uma rotina de leitura regular, como já fiz este ano. Vou tentar que 33% dos livros sejam de autores de língua portuguesa, porque existe muito bom escritor a escrever em portugu~es por aí, e às vezes temos metido dentro de nós que o que é estrangeiro é que é bom. Experimentar alguns escritores novos, continuar a ler sagas em que estou a meio (alguns exemplos: As Crónicas de Gelo e Fogo, A Saga do Assassino, O Bairro, O Senhor dos Anéis...). É isto. Bom ano de leituras para todos os visitantes do blog!


domingo, 10 de janeiro de 2010

A Guerra dos Tronos - Crítica

Título: A Guerra dos Tronos
Autor: George R. R. Martin
Tradutor: Jorge Candeias
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 359
Preço Editor: 18,85 €

Confesso que demorei mais tempo do que aquele que tinha previsto para ler este livro. No entanto, apreciei cada linha, cada parágrafo, cada descrição desta primeira obra, correspondente ao livro um das "Crónicas de Gelo e Fogo". Não quero repetir tudo o que já foi dito, uma vez que este livro já foi alvo de crítica neste blog. Mas, de uma forma muito sintetizada, abordarei os aspectos que na minha opinião, caracterizam esta leitura fantástica.

Primeiramente, a construção das personagens, em particular Eddard Stark e John Snow. O sentimento em relação ao bastardo, a forma como Eddard não abandona a criança, apesar da sua história estar envolta em mistério, é um aspecto a reter. E na minha opinião, uma maneira bastante inteligente de George R.R. Martin aguçar a curiosidade do leitor.

A personalidade de Tyrion Lannister. Rendi-me por completo a esta personagem. Não só por demonstrar o "lado fraco" de um clã como os Lannister, como também pela atitude apresentada ao longo do livro. Contando, evidentemente, com o seu humor maioritamente irónico.

As duas irmãs: Sansa e Arya. Uma pela sua futilidade, compreensível devido à sua idade e também ao seu lado infantil e pouco maduro. E, totalmente o oposto, Arya, que não se enquadra na posição que ocupa, nunca desistindo de alcançar o seu verdadeiro objectivo.

E finalmente, não menos importante, Bran. Apesar de aparecer pouco, todas as vezes em que é referido, tem uma presença bastante vincada. Tenho muitas expectativas quanto a esta criança.

Personagens preferidas: John Snow, Tyrion Lannister e Arya.

Nota: (1/10) - 10 (Perfeito)

Patrícia

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Crítica - Jesusalém (Mia Couto)

Título: Jesusalém
Autor: Mia Couto
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 294
Preço Editor: 14,90€

Sinopse: «Jesusalém é seguramente a mais madura e mais conseguida obra de um escritor no auge das suas capacidades criativas. Aliando uma narrativa a um tempo complexa e aliciante ao seu estilo poético tão pessoal, Mia Couto confirma o lugar cimeiro de que goza nas literaturas de língua portuguesa. A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado, diz um dos protagonistas deste romance. A prosa mágica do escritor moçambicano ajuda, certamente, a reencantar este nosso mundo.»

Há uns meses atrás não imaginava sequer vir a ler este livro. Mas a vida assim o quis, e imagine-se só que, quando o recebi pelo Natal, o próprio livro veio parar às minhas mãos por engano! A minha família, baseada na lista de livros que gostaria de receber pela época natalícia, confundiu «Jerusalém» de Gonçalo M. Tavares, com este, de Mia Couto. Foi, portanto uma surpresa. Uma surpresa oportuna.

Jesusalém é o nome de um país imaginário. Todos os países do mundo são imaginários, criados pelo homem. Mas Jesusalém só existe na cabeça de cinco pessoas, que formam juntas a Humanidade. O pai, os dois filhos, o tio, e um militar ao serviço da família. Vivem num descampado, num qualquer país africano, longe da cidade e das civilizações. O filho mais novo, o protagonista - Mwanito - não conhece outro mundo que não aquele. Acredita no seu velho quando este diz que são as únicas pessoas vivas no mundo. Vivem todos numa mentira. Uma mentira que vai apodrecendo ao longo do livro...

A escrita de Mia Couto é escrita com um português de fortes raízes moçambicanas, que é a nacionalidade do autor. Mais característica do que isso, os diálogos encerram profundos pensamentos filosóficos; o enredo é envolto num manto natural; e a prosa aproxima-se da poesia; o resultado é uma linguagem cativante, e que obriga a pensar.

África, nomeadamente Jerusalém, torna-se uma realidade apetecível de experimentar. Dá vontade de visitar, nem que só por um dia, a paisagem natural onde a Humanidade vive isolada do resto do mundo, ver o sol verdadeiramente (porque, na Europa, «o sol é uma pedra»; só lá atinge o seu verdadeiro explendor). Metáforas lindas, vistas pelos olhos do pequeno Mwanito, que vai crescendo, que se vai libertando de Jesusalém...

Excelente forma de ter começado o ano, em termos de leituras. Combinado fica então que ainda este ano irei ler mais um de Mia Couto. Quero voltar a mergulhar em palavras que encerram em si filosofias; que se confirmam, feliz ou infelizmente, verdadeiras.

Personagem Preferida: Silvestre Vitalício é uma personagem e tanto. Passa todo um livro e mesmo assim fico com a sensação de que há muito que fica por descobrir sobre aquele homem...

Nota (de 0 a 10): 8 - Muito Bom

[O meu 1º livro de 2010]

Tiago

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Novidade da Semana - Jogo de Espelhos

Título: Jogo de espelhos
Autora: Agatha Christie
Editora: Edições ASA
Colecção: Obras Agatha Christie
Nº Páginas: 176
ISBN: 9789892306872
Preço Editor: 10 €

Sinopse: «Miss Marple reencontra Ruth Van Rydock, uma amiga de longa data. A amizade entre ambas começou durante uma viagem a Florença, em que participava também a irmã de Ruth, Carrie Louise. Ao porem a conversa em dia, Miss Marple apercebe-se de que algo de estranho se passa na mansão de Carrie Louise. Algo que deixa Ruth terrivelmente preocupada. Um assassinato vai provar que ela tinha toda a razão em estar apreensiva. Miss Marple terá de usar todo o seu conhecimento da natureza humana para impedir que a enorme mansão se transforme na última morada da sua grande amiga… Jogo de Espelhos (They Do It With Mirrors) foi originalmente publicado nos Estados Unidos em 1952 com o título Murder With Mirrors, tendo sido editado no mesmo ano na Grã-Bretanha com o título original. Foi adaptado para a televisão em 1985, 1991 e 2009.»

Apresento a todos os leitores do Lydo e Opinado aquela que será a sua primeira rubrica regular: todas as quartas-feiras, aqui no blog, a «Novidade da Semana» vai falar de um livro ou recém-publicado, ou prestes a sê-lo. É claro que existem muitos livros a serem constantemente editados em Portugal: vou escolher, a cada semana, aquele que me intriga mais.

Acerca deste «Jogo de Espelhos», da Agatha Christie, será editado durante o mês de Janeiro, sem nenhuma data específica que tenha conseguido encontrar. Desta autora já li «Cartas na Mesa», e surpreendeu-me. Eu que não estava à espera de gostar de policiais... para quem também não goste, aproveite o lançamento deste livro para poder mudar de opinião! Já leram algum policial? Especificamente de Agatha Christie? Contem-nos :)

Tiago

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Recebi pelo Natal...


... muitos livros, é verdade! Foram sete, para falar em números certos, e encontram-se todos na imagem acima. E bastante variados. Para terem uma ideia, recebi prosa, poesia, e texto dramático! Com autores de cinco nacionalidades diferentes! Três deles em português original, dois traduzidos para português, um traduzido para brasileiro (é verdade!), e um em inglês original. Aqui vai, então, a lista, com a ordem do que mais gostei:
  • Jesusalém, de Mia Couto - foi o meu escolhido para iniciar 2010 em leituras. Estou quase a terminá-lo e posso dizer que está a ser uma grande surpresa.
  • The Complete Works of William Shakespeare - esta foi demais! Um livro do tamanho de um dicionário, com todas as peças de teatro escritas por Shakespeare, na língua original... fica aqui a promessa que ao longo da minha vida inteira conseguir ler todas elas!
  • AvóDezanove e o Segredo do Soviético, de Ondjaki - Autor angolano, estou curioso para ler este livro, porque o nome de Ondjaki tem circula por aqui e por ali na blogosfera, e estou curioso para ver que tipo de enredo será. O primeiro parágrafo era original. Foi o que li dele até agora. Fica para breve, uma leitura.
  • Poesia, de Sophia de Mello Breyner Andreson - A capa é simples, tal como a poesia deve ser sempre. Nunca li nada de Sophia, mas tenho a certeza que vou apreciar estas páginas de poemas. Expectante por pegar nele num dia, e beber as palavras com toda a sede que tiver!
  • A Cabana, de Wm. Paul Young - Este livro esteve nos TOPS das livrarias há um mês ou dois atrás, e agora está nas minhas mãos. É o que se pode chamar um best-seller, acerca de «um encontro com Deus» numa cabana muito peculiar. Não sei o que vou encontrar quando me aventurar naquelas páginas...
  • Na Casa do Rei Dragão, de Stephen Lawhead - Livro da colecção TEEN; embora a sinopse não me tenha impressionado, talvez dê uma oportunidade a este livro. Vou pensar nisso e depois logo se vê...
  • ATLANTIS, de David Gibbons - Este livro tem uma peculiaridade que o torna único: a pessoa que me ofereceu comprou-o no Brasil; consequentemente, vem traduzido do inglês para o brasileiro... nunca li nenhum livro original dessa terra, nem tão pouco uma tradução feita lá de um livro de língua estrangeira. A história não faz o meu género, mas pode-me surpreender. No futuro, lerei...
E foi isto, este ano! A juntar aos cerca de quinze livros que tenho para ler, isto já me dava para o ano todo... e ali com as obras completas do William Shakespeare, acho que não preciso de comprar nada nos próximos 3 anos!! Estou a brincar... existem sempre novidades literárias, às quais, no momento, não consigo resistir... e é assim que tem de ser. Leio para me divertir. :)

Tiago

domingo, 3 de janeiro de 2010

Crítica - Aprendiz de Assassino

Comprei este livro em Maio, na Feira do Livro de Lisboa, confiante de que seria uma boa aposta. Mas com tantas coisas para ler, acabei por o manter guardado na estante durante o Verão, e três quartos do Outono... até no princípio de Dezembro ter pegado nele, e decidido que tinha vontade de o ler. Acho que foi o momento certo. Existem livros que, apenas passado um tempo, temos vontade de lhes pegar. Normalmente são esses que me proporcionam maiores surpresas.

Este, pelo menos, não foi excepcção. Aprendiz de Assassino, que inicia uma das mais famosas trilogias da autora Robin Hobb, é uma obra de fantasia épica como já não lia há algum tempo. Não posso comparar com os de George R. R. Martin, porque enquanto que os deste, dividindo-se entre várias personagens principais, acabam por ser um retrato político e mais abrangente, este Aprendiz de Assassino centra-se num protagonista - e posso arriscar que, nestes termos, desde Sevenwaters, da Juliet Marillier, que não lia um livro tão bom.

As descrições, não sendo exageradas, conferem uma grande visualização dos ambientes ao leitor. As personagens têm defeitos, ambições, qualidades. Sentimo-nos confortáveis quando Fitz, o filho bastardo do herdeiro ao trono, se sente confortável. As personagens Paciência e Castro são as minhas preferidas, pelas peculiaridades de cada um deles. O pormenor do nome das personagens reflectir um pouco da sua personalidade também achei interessante, mas, em alguns casos, não consegui entender por completo a ligação. Talvez no próximo volume...

Um enredo épico, que tem uma evolução natural, não se apoia em guerras e conflitos armados, que flui com o crescimento de Fitz, e em que nada parece forçado. Robin Hobb surpreendeu-me com esta Saga do Assassino, e a Saída de Emergência está de parabéns pela Fantasia que publica em Portugal. Que este género seja cada vez mais lido pelas pessoas - não só os jovens! Que muitas vezes coloca-se uma etiqueta na fantasia, que é só para gente nova. Isso não é verdade.

Páginas: 381

Personagens Preferidas: Paciência, e Castro.

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Entrevista Exclusiva a Frederico Duarte!

Primeiro que tudo, quero desejar desde já (em nome de toda a equipa) um excelente ano 2010 a todos os leitores do Lydo e Opinado, os que comentam e os que apenas visitam; que vos traga muitos sorrisos, saúde, e livros! Esperamos que este período tenha dado jeito a algumas pessoas para colocarem para colocarem as leituras em dia... em breve cada um de nós aqui do blog eventualmente irá falar de como correu 2009 em termos de leituras...

Mas tudo na sua vez! O Lydo e Opinado decidiu levar em frente a sua iniciativa de conseguir entrevistar 12 personalidades ligadas à escrita durante este próximo ano, desde autores, passando por tradutores, e englobando também editores. No primeiro dia de cada mês, uma entrevista exclusiva aqui no blog!

Neste primeiro dia do primeiro mês do primeiro ano desta nova década, o escolhido foi Frederico Duarte, escritor português de fantasia, que publicou o seu primeiro livro "AVATAR" em 2007. Desde então já escreveu "NECROMANCIA", o segundo volume da Saga Destino do Universo, e encontra-se presentemente a escrever o terceiro. Mas nesta entrevista ficamos a saber que parece ter um outro projecto em paralelo... e revela-nos alguns factos acerca de si, como escritor e leitor.

1. Frederico Duarte, com que idade começou a escrever as suas primeiras histórias, ou esboços delas?
R: Bom, o “Avatar” comecei em 2002, pouco depois de fazer 19 anos. Mas escrevi algumas histórias como trabalhos para a escola ao longo da minha vida de estudante, muitas das quais tiveram os protótipos das personagens da saga.

2. Que curso tirou na escola? E, quando o fez, tinha em mente escrever um livro?
R: No secundário segui o agrupamento de ciências, na vertente de informática, o que me levou a estudar engenharia informática na universidade, curso que não cheguei a concluir.

3. Lembra-se do primeiro momento em que teve a ideia inicial para o AVATAR? E em que o começou a escrever?
R: Lembro-me perfeitamente. Estava a estudar Álgebra Linear no McDonalds do Jardim Zoológico de Lisboa. Aborrecido, pus tudo de lado e agarrei numa folha branca. Nesse dia escrevi o prólogo todo.

4. Teve momentos, enquanto escrevia o primeiro volume da saga Destino do Universo, em que sentiu desânimo, ou pouca vontade de continuar?
R: Várias vezes. Por vezes punha-me a pensar se valeria o esforço. Hoje, fico contente por ter teimado e ter continuado a escrever.

5. Foi difícil, o processo de publicação do AVATAR? Considera que é de facto difícil publicar o género fantástico em Portugal?
R: Julgo que já foi mais difícil. O género fantástico está muito na moda e com vários autores portugueses já publicados, começam a aparecer mais e mais. Quanto ao meu caso, comecei por ter uma resposta positiva mal tentei, mas a editora em questão terá desistido devido ao risco que o tamanho do projecto continha, sendo eu um autor desconhecido. Depois, foi bater a outras portas e, ao fim de algum tempo, a Nova Gaia acolheu-me.

6. Acha que a reacção do público ao seu primeiro livro foi boa? Estava à espera de mais, ou pelo contrário até ficou surpreendido?
R: Fiquei bastante surpreendido. Nos dois primeiros meses, Novembro e Dezembro, uma altura competitiva, foram vendidos cerca de 2000 exemplares, segundo os dados que me foram fornecidos pela editora. Sendo eu um autor desconhecido, não o esperava. Os meus sonhos mais optimistas ficavam-se pela metade, confesso.

7. Tem uma rotina de escrita certa? Escreve mesmo quando não tem ideias, ou espera que a inspiração chegue antes de começar a produzir trabalho?
R: De início escrevia quando me apetecia. Agora que já tenho um compromisso, quanto mais não seja para com os leitores, por vezes forço-me a escrever. Mas se não há ideias a surgirem, prefiro parar e tentar mais tarde. Geralmente, basta começar para as ideias fluírem.

8. Costuma sonhar com passagens do seu livro? Ou, a mesma pergunta invertida: utiliza sonhos seus para cenas da história?
R: Acontece-me o segundo caso, com frequência. Os quatro irmãos do “Necromancia”, Nathan, Vlad, June e Jenny, são o resultado de um desses sonhos. E no terceiro, um dos vilões que irá ser introduzido também.

9. Existe alguma banda em especial que o inspira? Qual?
R: Metallica, claro! E Hyubris. O capítulo “Banshee”, do “Necromancia”, tem algumas referências à música “Beanshee”. Adoro escrever com música, e estas duas bandas são das que mais gosto de ouvir, dependendo da cena que esteja a escrever. Entre outras, claro.

10. Costuma colocar partes de si, ou de pessoas que conhece, nas suas personagens?
R: Não, nunca... Pronto, quase sempre. O Fredisson é um dos melhores exemplos disso! Sou eu próprio naquele Universo imaginário e, como tal, dei-lhe um nome parecido ao meu. Não lhe queria dar um protagonismo tão grande de início, mas a história acabou por ir por esse caminho. Fora ele, muitas das personagens são baseadas em pessoas que conheço. É uma forma de lhes agradecer por fazerem parte da minha vida.

11. Quando alguma personagem sua morre num livro, custa-lhe eliminá-la da história?
R: Se custa! Muitas vezes fico deprimido e até choro. É o mal de se saber exactamente o que cada personagem sente. Criamos uma empatia com elas e depois sofremos em conjunto. Mas é bom também sentirmos as suas alegrias.

12. Passemos agora para o seu lado enquanto leitor: qual é o seu género literário preferido?
R: Eu leio quase tudo, logo é complicado. Deveria dizer o género Fantástico, mas a verdade é que toda a boa história me prende. Acabo por me ligar mais ao género referido por ser o que escrevo.

13. Houve algum livro que tivesse lido na sua infância ou adolescência que o tenha marcado?
R: “Os Filhos da Droga”, “O Parque Jurássico”, a pentalogia “Ramsés”. Marcaram-me pelo prazer que meu lê-los, pelos conhecimentos oferecidos e, no primeiro, pela experiência de vida que foi.

14. Tem algum escritor favorito? Se sim, qual? E alguma vez o influenciou na sua escrita?
R: Christian Jacq, Robin Cook, Jules Verne, J.R.R. Tolkien, são alguns dos nomes que mais gostei de ler e que mais me inspiraram.

15. Existe algum livro que tenha lido, e pensado «Eu devia ter escrito isto, devia ter tido esta ideia antes!»?
R: Não exactamente, mas já aconteceu deparar-me com ideias semelhantes às que tive ou usei, em histórias escritas antes e depois das minhas, e não apenas em literatura. Há muita coisa escrita dentro do género, é normal que por vezes aconteça.

16. Revelou à pouco tempo o título do terceiro livro da saga – O Guerreiro Elementar. Se é que o quer fazer, o que nos pode adiantar acerca desta continuação?
R: Bom, já fui adiantando algumas coisas por aí. Este livro irá regressar um pouco atrás na história e contar o que aconteceu a Larn desde que desapareceu em “Avatar” até reaparecer em “Necromancia”. Claro, irá avançar a história também, apenas isto não seria justo para os leitores. Mas o que se passou com esta personagem tem de ser contado, de modo a explicar algumas pontas soltas.

17. Levantando os olhos para o futuro: gostava que os seus livros fossem publicados no estrangeiro? Quais são as possibilidades de isso vir a acontecer?
R: Claro que gostava. Seria um sinal de reconhecimento do meu trabalho! As possibilidades são difíceis de prever, este é um mercado incerto. Mas isso apenas quer dizer que não se sabe, não que é impossível de acontecer. Acima de tudo, é preciso creditar no que fazemos e ter perseverança.

18. Alguma vez pensou no que vai escrever a seguir à Saga Destino do Universo; ou, por exemplo, de repente lhe ocorreu alguma ideia na qual desejasse trabalhar?
R: Sim. Para dizer a verdade, há alguns projectos não Destino do Universo que já comecei. Mas, para já, prefiro não os revelar. Fiquem atentos.

19. Tem algum conselho para pessoas que desejem escrever um livro?
R: Acreditem em vocês próprios e sejam os vossos maiores críticos. Saibam reconhecer os vossos erros, mas acima de tudo não fiquem cegos para as vossas capacidades.

20. Uma última mensagem para os seus leitores, ou para as pessoas que, após esta entrevista, tenham ficado intrigadas em ler os seus livros?...
R: O Fantástico é um mundo de possibilidades. A imaginação de hoje pode muito bem ser o futuro de amanhã. Assim o tem sido, e assim será sempre.


Muito obrigado ao Frederico, por nos ter concedido esta entrevista! Desejamos-te o melhor sucesso com os próximos livros que publicares, e que o teu nome chegue brevemente a outros países, como se põe a hipótese na entrevista! Para todos os fãs desta saga, ou curiosos, podem aceder ao fórum oficial carregando aqui. Já leram algum dos livros desta saga? Ficaram curiosos em experimentar esta fantasia made in Portugal? Comentem! E já combinámos uma entrevista para dia 1 de Fevereiro... brevemtne revelamos a quem é.

A Equipa do Lydo e Opinado
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