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domingo, 17 de janeiro de 2010

Crítica - AvóDezanove e o Segredo do Soviético

Título: AvóDezanove e o Segredo do Soviético
Autor: Ondjaki
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 196
Preço Editor: 12,90€

Sinopse: «Deram a volta ao largo, do lado de lá da bomba, o camarada VendedorDeGasolina fez adeus como sempre fazia apesar de ar pessoas estarem tão perto, não sei, cada um pode fazer e gastar quantos adeuses quiser, mas eu acho que adeus é para se fazer mais assim numa ocasião de despedida tipo uma viagem longa, como quando alguém vai de avião para outro país internacional, ou mesmo que seja província mas que demore mais que quinze dias ou faz-se adeus de muito longe quando a voz não chega nem mesmo gritada de doer a garganta, ou se for como nos filmes dos navios grandes que às vezes até afundam, vale a pena ir ao porto fazer adeus com lenço ou sem lenço, com lágrimas ou sem chorar, mesmo que existem pessoas que gostam de fazer adeus a rir, mesmo com a vontade de chorar escondida, porque aquele que vai embora já vai triste de ir para longe, não precisa mais de levar as nosssas lágrimas de fazer adeus assim demorado, ou então, se é uma pessoa que se gosta muito dela e ela vai partir, mesmo que seja poucos dias, talvez dê para fazer um pequeno adeus mas não tão estrondoso e quase a imitar o camarada polícia sinaleiro como o VendedorDeGasolina fez para a minha Avó, ainda por cima, eu devia mesmo lhe dizer depois, nunca se faz um adeus tão grande a uma pessoa que está a chegar a casa, mas não vale a pena explicar mais, muitos mais-velhos não entendem nada dessa coisa de fazer adeus.»

Há livros que surpreendem. Eu não conhecia sequer este, nem o título, nem a capa, nem o autor (embora tenha a sensação que já tivesse ouvido o nome dele aqui e ali). De resto, nunca tinha visto sequer de relance esta obra. Recebi-a no Natal, e achei graça, porque era o segundo livro de um africano de língua portuguesa que recebia no mesmo dia. Gostei tanto de Jerusalém, que decidi que este seria o seguinte. E há livros que surpreendem.

Não foi o enredo que me fascinou, penso eu, visto ser muito simples, e claramente centrado numa criança, cujos objectivos são brincar, descobrir o mundo; e, quase consequentemente, a história não é muito orientada por um objectivo. Vamos avançando lentamente... está a ser construído um Mausuléu pelos russos, que «invadiram» a PraiaDoBispo, em Luanda. O narrador e o amigo Pi querem evitar a conclusão da construção.

O que realmente me fez agarrar este livro com tanta ternura à medida que o ia desfolhando foi (para além da capa, que na minha opinião está espetacular) a forma de escrever de Ondjaki. A linguagem usada pelas personagens torna-se familiar para o leitura à medida que se lê... o mundo visto de uma prespectiva mais baixa é sempre interessante de ser lido... mas... mas o ponto fulcral foram as descrições: acho que nunca tinha lido descrições tão sentidas, cheias de cores, sons, sensações diversas, tuodas estas coisas misturadas com a emoção do momento. Isso foi, de tudo, o que mais me saltou à vista!

Uma obra que pode ser lida por todas as idades, dos 8 aos 80. Deixa muito no ar, para pensarmos e tentarmos adivinhar o que aconteceu a partir da última linha com todo o leque de personagens que nos foram aos poucos sendo apresentadas. Devo confessar que apenas o título não é do meu agrado. De resto, uma leitura cheia de ternura. Aconselho.

Personagem Preferida: A AvóAgnette (ou Dona Nhéte, ou AvóDezanove) é claramente uma típica avó, e, como todas as avós do mundo, confortam mesmo só a ler.

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago
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