quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Crítica - Jesusalém (Mia Couto)

Título: Jesusalém
Autor: Mia Couto
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 294
Preço Editor: 14,90€

Sinopse: «Jesusalém é seguramente a mais madura e mais conseguida obra de um escritor no auge das suas capacidades criativas. Aliando uma narrativa a um tempo complexa e aliciante ao seu estilo poético tão pessoal, Mia Couto confirma o lugar cimeiro de que goza nas literaturas de língua portuguesa. A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado, diz um dos protagonistas deste romance. A prosa mágica do escritor moçambicano ajuda, certamente, a reencantar este nosso mundo.»

Há uns meses atrás não imaginava sequer vir a ler este livro. Mas a vida assim o quis, e imagine-se só que, quando o recebi pelo Natal, o próprio livro veio parar às minhas mãos por engano! A minha família, baseada na lista de livros que gostaria de receber pela época natalícia, confundiu «Jerusalém» de Gonçalo M. Tavares, com este, de Mia Couto. Foi, portanto uma surpresa. Uma surpresa oportuna.

Jesusalém é o nome de um país imaginário. Todos os países do mundo são imaginários, criados pelo homem. Mas Jesusalém só existe na cabeça de cinco pessoas, que formam juntas a Humanidade. O pai, os dois filhos, o tio, e um militar ao serviço da família. Vivem num descampado, num qualquer país africano, longe da cidade e das civilizações. O filho mais novo, o protagonista - Mwanito - não conhece outro mundo que não aquele. Acredita no seu velho quando este diz que são as únicas pessoas vivas no mundo. Vivem todos numa mentira. Uma mentira que vai apodrecendo ao longo do livro...

A escrita de Mia Couto é escrita com um português de fortes raízes moçambicanas, que é a nacionalidade do autor. Mais característica do que isso, os diálogos encerram profundos pensamentos filosóficos; o enredo é envolto num manto natural; e a prosa aproxima-se da poesia; o resultado é uma linguagem cativante, e que obriga a pensar.

África, nomeadamente Jerusalém, torna-se uma realidade apetecível de experimentar. Dá vontade de visitar, nem que só por um dia, a paisagem natural onde a Humanidade vive isolada do resto do mundo, ver o sol verdadeiramente (porque, na Europa, «o sol é uma pedra»; só lá atinge o seu verdadeiro explendor). Metáforas lindas, vistas pelos olhos do pequeno Mwanito, que vai crescendo, que se vai libertando de Jesusalém...

Excelente forma de ter começado o ano, em termos de leituras. Combinado fica então que ainda este ano irei ler mais um de Mia Couto. Quero voltar a mergulhar em palavras que encerram em si filosofias; que se confirmam, feliz ou infelizmente, verdadeiras.

Personagem Preferida: Silvestre Vitalício é uma personagem e tanto. Passa todo um livro e mesmo assim fico com a sensação de que há muito que fica por descobrir sobre aquele homem...

Nota (de 0 a 10): 8 - Muito Bom

[O meu 1º livro de 2010]

Tiago

7 comentários:

Paula disse...

Mia Couto é fantástico na sua escrita.
Neste livro gostei particularmente de Mwanito por representar o silêncios. O silêncio tão necessário à vida.

Andreia* disse...

Hoje não estou muito inspirada relativamente aos comentários que possa fazer, mas parece-me ser um bom livro.

p a t r í c i a * disse...

Quem diria que um livro vindo por engano cativava assim? Ainda bem que gostaste! :D
Pela crítica que fizeste, fizeste-me ter alguma vontade de ler esse livro...



PS: Verificação de palavras: me*** --'

Isabel Maia disse...

Tanto Mia Couto, como Ondjaki (o autor que estás a ler agora) têm um tipo de escrita muito cativante. Mia é mesmo um dos meus autores lusófonos preferidos. Se gostares da escrita de Ondjaki, aconselho-te a ler "Os da minha rua". Um livro lindíssimo, que narra o que é ser criança numa Luanda do tempo colonial.

Boas leituras :)

Sássára disse...

Fiquei imediatamente com curiosidade acerca desse livro quando me falaste dele, na aula de MACS. Quando já estiver a minha lista mais reduzida, podes-me emprestar? (Oh, mais um!)

Jojo disse...

Este é um livro que despertou a minha curiosidade desde o dia que saiu. Hei-de de lê-lo nos próximos tempos.

Bjinhos*

branca de neve disse...

NUnca li nada de Mia Couto, mas vou ler este livro proximamente.

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