sábado, 26 de dezembro de 2009

Os Maias - Crítica

Comecei a ler este livro por obrigação, porque fazia parte do programa do 11.º ano. Mas, rapidamente, perdi esse sentido de obrigação e comecei a gostar do que estava a fazer. Realmente, nunca sequer pensei em vir a ler uma obra de Eça de Queirós ou de outro escritor qualquer que tenha feito parte de outro século. No entanto, espero voltar a fazê-lo brevemente, pois adorei a experiência! A maneira como o livro é escrito, as descrições, as personagens, tudo... Tudo me ajudou a evoluir, de certa maneira, como escritora. Descobri um estilo que encaixa bastante bem comigo e que penso adoptar para certos tipos de obras que eu queira escrever. Não me considero plagiadora, pois não escrevo totalmente como Eça de Queirós (penso que isso seria também impossível de conseguir). Peguei apenas na estrutura e moldei-a à minha maneira.

Mas agora falando no livro em si... Quando o comecei a ler, muitas pessoas me disseram "mal" dele. O Tiago dizia que o enredo não era grande coisa, outra rapariga (que eu não me lembro o nome, peço desculpa) disse que as descrições que o Eça fazia eram muito piores que as que eu li exaustivamente no Brisingr. No entanto, não achei nem uma coisa nem outra! Adorei a história em si e penso que teria adorado ainda mais se já não soubesse que Os Maias se resumem à palavra Incesto. Adorei as descrições, a maneira como todas aquelas coisas belas e antigas (o tal chamada de briquebraque, senão me engano e corrijam-me se estiver errada) entravam na minha cabeça...

Foi simplesmente soberbo! Só não dou uma nota mais alta a esta obra porque não gostava lá muito das falas em francês que certos senhores entoavam, só para parecerem importantes. Naquela altura era algo normal, mas para mim não fez muito sentido, talvez por eu não perceber mesmo nada de Francês. E até fica mal dizer isto, uma aluna de Línguas e Humanidades. Mas posso-me desculpar com o facto de a minha professora de Francês ter faltado do 7.º ao 9.º ano - e sim, acreditem que isso é possível. Também fiquei muito triste quando uma das minhas personagens favoritas faleceu, pois esta parecia intemporal.

Foi com tristeza que me despedi deste livro e vai ser, definitivamente, algo que irei voltar a ler, depois de conseguir acabar aqueles que tenho à minha espera!

N.º de páginas: 725

Personagens favoritas: João Ega (sem dúvida, a mente mais brilhante de toda esta obra), Alencar (um poeta espectacular), Maria Eduarda (pela doçura com que é descrita), Afonso e Carlos da Maia.

Nota: 9/10 - Excelente


Sara

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal... com muitos livros!

Amanhã é dia de Natal! Esta época é daquelas que é vivida de forma muito diferente por todas as pessoas - umas não ligam muito, para outras é tempo de tristeza, para outras é o nascimento de Jesus, para outras ainda é a reunião da família, para alguns são as prendas, para outros... é a reunião de várias destas coisas misturadas, naquilo que resulta o espírito natalício!

Os membros do Lydo e Opinado reuniram-se, e decidiram deixar aqui a sua lista de presentes ao Pai Natal, ou ao Menino Jesus, para ver se temos sorte no sapatinho, amanhã de manhã... de realçar que esta lista contém os livros que gostaríamos de ter a curto ou médio prazo, e o facto de termos colocado um número tão grande de obras não quer dizer que vamos receber sequer metade do que pedimos! Também pode acontecer só recebermos um... ou nenhum, quem sabe!

Do Tiago:
  • Pergunta ao Pó - John Fante
  • A Ilha - Giani Stuparich
  • Pudor e Dignidade - Dag Solstad
  • A Quinta dos Animais - George Orwell
  • Kafka à Beira Mar - Haruki Murakami
  • Em Busca do Carneiro Selvagem - Haruki Murakami
  • A Rapariga que Inventou um Sonho - Haruki Murakami
  • Dança, Dança, Dança - Haruki Murakami
  • O Segredo de Cibele - Juliet Marillier
  • Jerusalém - Gonçalo M. Tavares
  • Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
  • O Homem sem Qualidades, Volume I - Robert Musil
  • Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo - Kyoichii Katayama
Da Patrícia:
  • Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo - Haruki Murakami
  • Restantes livros das Crónicas de Gelo e Fogo - George Martin
  • O Dia em que te esqueci - Maragarida Rebelo Pinto (para experimentar alguma coisa da autora)
  • Procuro-te - Lesley Pearse
  • A Melodia do Adeus - Nicholas Sparks
  • Queimada Viva - Souad
  • Salva-me - Guillaume Musso
  • E Depois - Guillaume Musso
  • Frágil - Jodi Picoult
Da Sara:
  • 2666 - Roberto Bolaño
  • A História de Edgar Sawtelle - David Wroblewski
  • O Símbolo Perdido - Dan Brown
  • A Rainha do Palácio das Correntes de Ar - Stieg Larsson
  • Caim - José Saramago
  • Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? - António Lobo Antunes
  • O Dia em que Te esqueci? - Margarida Rebelo Pinto
  • 4 & 1 Quarto - Rita Ferro
  • Contos de Vampiros - Miguel Esteves Cardoso, Gonçalo M. Tavares, e outros.
  • Toda a Obra de Haruki Murakami
  • A Porta dos Infernos - Laurent Gaudé
  • Invisível - Paul Auster
  • A Prisão do Silêncio - Torey Hayden
  • A Melodia do Adeus - Nicholas Sparks
  • Frágil - Jodi Picoult
  • Um grito de Amor Desde o Centro do Mundo - Kyoichii Katayama
  • O Domador de Paixões - Catherine Anderson
  • Intuição - Allegra Goodman
  • Os Cães de Babel - Carolyn Parkhurst
  • A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordiano
  • A Cabana - William Young
  • A Noite do teu aniversário - Lionel Shriver
  • A Prenda - Cecelia Ahern
  • A Vida na Porta do Frigorífico - Alice Kuipers
  • O Homem Pintado - Peter V. Brett
  • Danças Malditas - Stephanie Meyer e Outros
  • Até que a Morte não vos separe - Lincoln Child
  • Memórias de um Vampiro, Tomo 1 - Rafael Loureiro
  • Toda a obra de George R. R. Martin
O Lydo e Opinado deseja a todos os seus leitores um feliz e santo Natal, de preferência com muitos livros, e passado na companhia das pessoas que mais gostarem! Bom Natal!

A Equipa do Lydo e Opinado

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Crítica: O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro [Fernando Pessoa]

Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...

Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.

Com este poema, o XI do livro "O Guardador de Rebanhos", Alberto Caeiro resume a essência da sua poesia - embora, na minha opinião, ele o faça sempre, a cada poema. Cada estrofe de cada página tem em si resumido o mesmo pensamento, a mesma filosofia: a de que não devem existir nem pensamentos nem filosofias, e devemo-nos limitar a apreciar o mundo através dos sentidos. É isto.

Alberto Caeiro, que é um heterónimo de Fernando Pessoa, escreveu este livro todo durante uma só noite de insónia. A Natureza está presente ao longo de todos os versos, e o desinteresse pelos parâmetros ditos normais na poesia (tais como as rimas - ele diz que raramente se encontram duas árvores iguais uma a seguir à outra; assim deve ser com as terminações das palavras).

E também eu li este livro assim, de uma só vez; a história até é engraçada. Faltou a luz, eram sete da tarde, e estava sozinho em casa. O que fui eu fazer? O mais improvável. Fui buscar o livro à minha estante, peguei numa lanterna, e fui até à sala. Li o livro todo a declamar, a interpretar, a absorver o sentido dos poemas... fiquei um bocado rouco no fim, mas valeu a pena. Foi uma boa experiência.

A seguir à Mensagem, de Fernando Pessoa, este é o segundo livro integral de poesia que leio na minha vida. Sim, faz tanto sentido como a prosa. Tem tanta lógica, tanta sequência das ideias, tanta ou mais emoção... experimentem a escrita de Fernando Pessoa através deste livro. Linear, emotivo, sensível... e dá que pensar.

Páginas: 70

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As Joias do Sol - Sugestão

Não estava à espera de receber este livro. Estando a acabar o primeiro da saga de George R. R. Martin, tinha uma outra ideia quanto ao panorama literário. No entanto não é habitual recusar ler seja o que for portanto fiquei interessada em saber o que me traria de novo esta obra. Ao ler as primeiras páginas, tenho a dizer que é um livro interessante.

Logo no início, a autora, ( não sei se propositadamente) , recorre a uma ironia. Uma psicóloga tem uma depressão profunda e pensa no suicídio, apesar de ajudar outras pessoas a evitar que tal aconteça ou se prolongue. E mais uma vez, estando mais que provado, os escritores elegem a Irlanda como o palco de todos os cenários. Tal como Juliet Marillier, Nora Roberts utiliza as magníficas paisagens que compõem a Irlanda para desenrolar a sua história.

Magia, mistério, romance, "traição", este livro passa por todos esses sentimentos. Para quem gosta de um tipo de literatura do género Nora Roberts, quem já leu um livro dela sabe perfeitamente daquilo que falo porque a escritora tem particularidades que a permitem identificar, é mais um dos bastante apreciados e que vale a pena, mesmo que não se leia, incentivar a que outros livros desta autora possam ser explorados.

Patrícia

sábado, 19 de dezembro de 2009

Próximo Entrevistado no Lydo: Frederico Duarte!

Pois é, o Lydo e Opinado está mesmo decidido em avançar com o projecto de entrevistar 12 personalidades ligadas ao mundo dos livros (tanto autores como editores...) ao longo do próximo ano, sempre no primeiro dia de cada mês. E já temos marcação para o dia 1 de Janeiro! O autor Frederico Duarte, da saga Destino do Universo, é um dos jovens portugueses que andam a apostar na literatura fantástica. Escreveu tanto AVATAR como NECROMANCIA, e encontra-se presentemente a escrever no terceiro livro da saga, que deverá ser lançado em 2010 - O GUERREIRO ELEMENTAR.

Eu já li ambos os dois primeiros livros, e podem ler as minhas críticas carregando aqui e aqui, respectivamente. Para quem não leu o primeiro livro da saga e gostasse de o fazer, vai começar no primeiro dia do ano uma iniciativa no fórum oficial da saga: uma leitura conjunta do AVATAR. :) Podem visistar o site carregando aqui.

Já leram algum dos livros do Frederico Duarte? Se sim, gostaram? Contem-nos!

Tiago

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Despertar da Magia - Crítica

Primeiro que tudo, há que frisar que continuo a considerar George R. R. Martin como o meu escritor de fantasia favorito. E agora vou roubar uma citação do Tiago: "Quando pensamos em fantasia, pensamos em elfos, unicórnios, dragões, ogres..." Resumidamente, O Senhor dos Anéis. Mas quando se lê Martin toda essa ideia pré-concebida do que se resume a fantasia muda por completo. Continuo a adorar a maneira como ele escreve e todo o enredo em si. Continuo a adorar o mistério que ele costuma meter nos livros - até agora tem sido sempre assim. Com este livro apanhei alguns choques, pensando que ia perder as minhas personagens preferidas para sempre. Tenho uma espécie de trauma com Martin pois, a minha personagem favorita, morreu logo no primeiro livro. O mais engraçado é que também era uma das personagens principais. O que mais me agrada em Martin é a capacidade que ele tem de surpreender os leitores. Quem é que mata personagens principais? Só Martin, mesmo. Ainda por cima, logo no primeiro volume!
O Despertar da Magia ajudou-me também a adicionar sumo à minha laranja (mais uma expressão do Tiago) para escrever para o Nanowrimo. Especialmente, as descrições eróticas. No entanto, só houve uma coisa que não me agradou muito neste livro: a descrição da guerra final. Tornou-se tão pormenorizada, que chegou a uma altura que eu me perdia a meio das frases e tinha que voltar atrás só para tentar conseguir imaginá-la. De resto, penso que está tudo perfeito, tal como Martin sempre o faz!
Adorei o facto de o livro começar com um capítulo de uma das minhas personagens favoritas, adorei a maneira como Sansa mudou e adorei, especialmente, um certo capítulo da Daenerys. A Song Of Ice And Fire (As Crónicas de Gelo e Fogo) é definitivamente uma saga que não podem perder! E nem acredito que, se não fosse o facto de ter conhecido o Tiago, talvez eu a tivesse perdido!


Páginas: 416


Personagens favoritas: Jon Snow (que bela prova de sangue frio!), Daenerys (a mãe do fogo que ainda é uma criança), Arya Stark (a sua coragem), Tyrion Lannister (o cérebro do reino).


Nota: 9/10 - Excelente


Sara

domingo, 13 de dezembro de 2009

«Hear the Wind Sing», de Haruki Murakami!


Chegou-me hoje às mãos um livro que não é propriamente fácil de se ter. Neste momento, a única maneira é mesmo, ou viajar até ao Japão, ou encomendar pela Amazon Japonesa. O primeiro romance de Murakami, escrito em 1979, só está à venda no país onde foi escrito, felizmente numa tradução em inglês - e parece que, como o autor considera o seu primeiro trabalho de um nível inferior, não quer se seja publicado em mais nenhum país. Comprei este pela Amazon em segunda mão, e vem em perfeito estado. Estou tão contente!

Este é o primeiro livro do meu escritor preferido: Haruki Murakami! Aquele primeiro capítulo que acabei agora de ler foi o que ele escreveu na noite do dia em que decidiu escrever algo, enquanto assistia a um jogo de basebol ao vivo, nas bancadas! Tenho nas mãos o resultado do primeiro trabalho de Murakami, e quer ele diga que é de natureza inferior ou não, eu vou ler - será justo é não o julgar negativamente, visto que, ao lê-lo, estou a ir contra a sua vontade. :)

Por isso, depois de acabar o Aprendiz de Assassino e ler este, por altura do Natal, não esperem uma crítica má, mesmo que o livro seja a pior coisa que alguma vez li. E não darei nota. Assim não me sinto tão mal...! Mal posso esperar!

Tiago

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Entrevista Exclusiva a... José Rodrigues dos Santos!

Autor de sete romances e de mais quatro ensaios, José Rodrigues dos Santos é um jornalista e escritor português, nascido em Moçambique (nos tempos em que esta era ainda uma colónia portuguesa). Tem actualmente 45 anos, e trabalha na RTP. Entre os seus romances, todos eles best-sellers, incluem-se os mais conhecidos: A Filha do Capitão, o Codex 632, O Sétimo Selo e agora o mais recente Fúria Divina.

O Lydo e Opinado convidou o autor a ser o próximo escritor a ser entrevistado exclusivamente para o blog, e este aceitou. Devido ao pouco tempo do próprio, a entrevista foi reduzida a apenas nove perguntas. O Tiago e a Sara estiveram inclusivé na apresentação da sua mais recente obra, no C. C. Colombo, onde tiveram oportunidade de ter um autógrafo do autor e de trocar breves palavras com ele.

Espermos que seja do agrado de todos os leitores do blog a entrevista que lhe fizémos. Muito obrigado ao José Rodrigues dos Santos pela disponibilidade que teve em fazê-la. E a todos vocês que a vão ler!

Lydo e Opinado: José Rodrigues dos Santos: viveu grande parte da sua infância em Moçambique, mais concretamente na cidade de Tete, onde conviveu de perto com a Guerra Colonial. Como foi viver enquanto criança no meio dos conflitos armados? E até que ponto isso o marcou?

José Rodrigues dos Santos: Quando se é criança aceita-se tudo com naturalidade, uma vez que não temos termos de comparação. Nesse sentido, foi uma infância normal.

LO: Que livros que leu o marcaram mais até hoje? Houve algum que tenha mexido de uma forma especial consigo? E o que está a ler actualmente?

JRS: O livro que mais gostei de ler foi "Of Human Bondage", de William Somerset Maugham. Estou a ler agora "O Pintor de Batalhas", de Arturo Pérez-Reverte.

LO: Publicou o seu primeiro romance, «A Ilha das Trevas», em 2002. Este foi de facto o primeiro que escreveu, ou antes disso, na sua adolescência, por exemplo, escreveu algumas histórias?

JRS: Na adolescência fiz apenas histórias de banda desenhada.

LO: Os seus romances dividem-se essencialmente em duas categorias: romance histórico, e policial/investigação. Qual é o género que lhe dá mais prazer escrever, e porquê?

JRS: Gosto dos dois e gosto de os variar. Se fizer só um género sinto-me aborrecido. Variar entre eles dá-me mais prazer.

LO: É difícil conciliar a vida pessoal, de escritor, e de jornalista?

JRS: Não, é fácil. Quem corre por gosto não cansa.

LO: Entre todos os livros que já escreveu, qual aquele que aconselharia a alguém que ainda não tivesse lido nada seu? Por qual começar?

JRS: É-me impossível dar um conselho certo porque tudo depende da pessoa a quem se dá o conselho. Para umas pode ser mais indicado um livro e para outras outro.

LO: O seu novo livro, Fúria Divina, fala acerca do Islão, e da Al-Qaeda. Exigiu muita investigação? E considera que o facto de ser jornalista lhe ajuda na altura de investigar, no começo dos seus romances?

JRS: Sim, exigiu muita investigação - como de resto acontece com todos os meus romances. Este não foi excepção. Mais do que o meu background de jornalista, na investigação ajudou-me mais o meu treino enquanto professor universitário.

LO: E, neste momento, já está a escrever num novo projecto? Se sim... será que pode adiantar se será romance histórico, policial, ou um novo género ainda não explorado?...

JRS: Tenho outros projectos em mão mas nada posso adiantar.

LO: Muito obrigado pela entrevista concedida, José Rodrigues dos Santos. Alguma última palavra ou mensagem para os leitores que o seguem e lêem os seus livros de forma assídua?

JRS: O verdadeiro poder está no conhecimento. E o conhecimento encontra-se encerrado nos livros. Um livro é uma janela para o mundo e quem a souber abrir pode conquistá-lo.

Esperemos que tenham apreciado a entrevista; o Lydo e Opinado ficou tão entusiasmado com este sistema de entrevistar autores que desde este momento nos comprometemos a tentar entrevistar um escritor/editor/personalidade ligada à escrita por mês, e pulicar a entrevista no blog! Não prometemos nada, mas vamos empenhar-nos muito para isso... :)

Já leste algum livro de José Rodrigues dos Santos? Gostaste? Ainda não leste? Tencionas começar por qual?... Gostaste da entrevista?... Expressa-te :D

A Equipa do Lydo e Opinado
A Equipa do Blog



Tiago

Tem 17 anos, e frequenta agora o 12º ano de escolaridade, tendo seguido o curso cientifico-humanístico de Línguas e Humanidades. Desde que aprendeu a ler que o gosta de fazer, mas começou a criar uma rotina mais regular de leitura a partir dos 11 anos, idade com que leu Eragon, que o marcou na altura. Desde então o seu género literário preferido foi a fantasia; actualmente, no entanto, a abrangência de géneros com os quais se identifica alargou-se bastante. Para além da leitura, os seus hobbies passam principalmente pela escrita, teatro, internet, natação e fotografia. Imagina o seu futuro profissonal numa vertente ou de jornalismo, ou no mundo editorial, ou de teatro.
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Sássára

Tem 17 anos e é da turma de "Línguas Humanidades", a mesma do Tiago. Desde que aprendeu a ler que começou a ganhar gosto por pequenos livros. À medida que foi crescendo foi lendo cada vez mais e agora conta com uma grande colecção de livros devorados. Gosta, especialmente, de livros de fantasia. Adora histórias de amor e, apesar de ter algum medo da realidade, também é capaz de ler alguma, como por exemplo "A lua de Joana". Ainda só houve um livro que não conseguiu ler até ao fim por achar a escrita exaustiva. Para além da leitura, é apaixonada por Dança, Escrita, Música e Fotografia. Vive, principalmente, da Arte.
VER O SEU PERFIL AQUI
Índice de Entrevistas Exclusivas

Segue-se uma lista de todas as entrevistas exclusivas de autores, editores ou tradutores feitas pela equipa do Lydo e Opinado. Carregue no respectivo autor/editor/tradutor para ser redirecionado para a entrevista exclusiva respectiva.

Autores
Índice de Críticas por Colecção


Cristopher Paolini:
Frederico Duarte:
George R. R. Martin
Gonçalo M. Tavares:
Haruki Murakami
J. R. R. Tolkien:
Juliet Marillier:
Nora Roberts:
P. C. Cast e Kristin Cast
Stephenie Meyer
Índice de Críticas: por Autor


A
Agatha Christie (1)
Alberto Caeiro (1)

B
Bram Stocker (1)

C

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Índice de Críticas: por Livros


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sábado, 28 de novembro de 2009

New Moon - O filme

Para além de sugestões, críticas e entrevistas a escritores, achei por bem pegar num meio inspirado pela literatura e basear o meu post nesse mesmo assunto. Como já devem ter reparado, vou falar acerca do filme "New Moon - Lua Nova", que estreou dia 26 de Novembro. Não resisti e fui ver ontem, como já tinha lido o livro pensei que era uma boa oportunidade para "compará-lo" com a ideia apresentada por Stephenie Meyer. Não fiquei desiludida, diga-se de passagem.

Achei que o filme tinha o essencial, algumas cenas foram cortadas e na minha opinião não é de censurar visto que eram descrições que naquele momento não faziam grande sentido. Gostei da interpretação dos actores, principalmente das expressões e da forma como conseguiram representar sem ser excessivo ou digno de crítica. A parte da transformação de homens para lobos, achei muito interessante. Conseguiram fazê-lo sem os típicos comentários de que era irreal e que não estava, de forma cinematográfica, nas melhores condições. Penso que nesse sentido houve um cuidado bem conseguido.

Como personagens favoritas, gostei mais uma vez da Alice, do Charlie e do Jacob. Também gostei das restantes, mas neste filme foram mais evidentes as participações destes actores.

Aconselho a que passem pelo cinema, que vejam este filme e depois possam deixar aqui a vossa opinião. Falem das vossas personagens favoritas ou dos aspectos que mais gostaram e do que esperam para os próximos filmes do realizador da saga "Twilight".

Patrícia

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Crítica - "Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo"

Que Haruki Murakami era o meu escritor preferido, isso eu já sabia com certeza desde Outubro. Que ele sabia escrever romances a desafiar o sentido da lógica e do que é racional, disso eu também já tinha conhecimento e experiência própria. Agora que a sua vida era desta forma, isso admito que não fazia a mínima ideia - e que com esta obra deixaria de gostar apenas do autor, e passaria a gostar essencialmente da pessoa por trás dos livros. Não estão bem a perceber: «Auto-Retrato do Escritor enquanto corredor de fundo» volta a surpreender-me, mesmo depois de tantas surpresas que Murakami já me deu este ano.

Em Fevereiro li «Sputnik, Meu Amor». Pensei: "Olha, este autor até me surpreendeu pela positiva. Tenho de ver de mais livros dele!". Em Março li «A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol», e pensei: "Bem, estou a ver que o outro livro não foi excepcção. O japonês é mesmo bom nisto!". Em Outubro, depois de ter acabado «Crónica do Pássaro de Corda», cheguei à conclusão que provavelmente aquele era o meu livro preferido de sempre. E não é que ele volta a superar todas as minhas expectativas com este ensaio autobiográfico??

É de malucos pensar que é possível! Neste livro, Haruki Murakami parte, no início de cada capítulo, do tema «corrida». É que, desde os trinta anos, ele tem uma rotina diária de corredor de fundo (de longas distâncias). Corre uma hora por dia em média. Participa em uma maratona por ano - e já tem 60 de idade (embora, muito sinceramente, não pareça). Mas vai divagando... passa pela sua vida, pela forma como escreve os romances, pela sua relação consigo mesmo, pelos seus sentimentos e a sua maneira de ser... abre a sua alma aos leitores. Chega a ser em certos momentos demasiado directo. Diz aquilo que pensa sem rodeios. E retrata-se de uma forma maravilhosa de se ler.

É que ao longo das quase 190 páginas não há um único momento considerado chato! Ele vai divagando, pega num assunto, depois noutro, mas nem por um momento sentimos vontade de pôr o livro de lado! O que sente enquanto corre. O que sente enquanto escritor. O que sente enquanto pessoa. Queria também realçar, embora nunca tenha dito isso, que a tradução dos livros de Murakami para português, feita por Maria João Lourenço, é de louvar - é que uma má tradução pode "matar" uma obra excelente, e tenho a certeza que neste caso é ao contrário; só ajuda ainda mais!

Um livro excelente, que me surpreendeu (a pergunta é: porque é que me continuo a surpreender?) e mudou um pouco a minha forma de ser, provavelmente mais do que qualquer livro que li este ano. Certos ensinamentos, ou conclusões, ecoam-me na cabeça. Indispensável para quem já leu e gostou de um livro dele, este ensaio autobiográfico, este tratado sobre a corrida à la murakami, deixou marcas em mim. E está novamente de parabéns, senhor Murakami!

Páginas: 186

Nota (0/10): 10 - Perfeito!

Tiago

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

1Q84 e entrevista recente a Haruki Murakami

O escritor japonês Haruki Murakami, já por diversas vezes aqui falado no blog (a média das 4 críticas feitas aqui aos seus livros situa-se nos 9,5 em 10) editou no Japão, à cerca de seis meses, as duas primeiras partes do seu novo romance, numa totalidade de mais de 1000 páginas. Uma terceira parte sairá para venda no próximo Verão.

1Q84 é o título do livro - lido em japonês, o Q pode ser lido 9, o que nos reporta ao título da famosa obra de George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (também já aqui criticada no blog - com nota 10). Murakami deu recentemente uma entrevista, a qual o Diário Digital traduziu e reproduziu hoje extractos na sua página online:

«1984 era um romance sobre o futuro próximo. Eu quis escrever alguma coisa oposta a isso, um romance sobre o passado recente que mostrasse como as coisas poderiam ter sido», explica Murakami.

«Isso é algo que poucas pessoas fizeram. Eu tinha essa sensação de que queria recriar o passado, em vez de reproduzi-lo. Questiono-me sempre sobre se o mundo em que estou é o real. Em algum lugar em mim, acho que há um mundo que pode ser diferente deste».

Ao ser questionado sobre se tinha sonhos tão complexos quanto os que descrevia nas suas histórias, Murakami diz que raramente sonha.

«Talvez eu tenha [sonhos complexos], mas não me lembro de nada. Quando acordo de manhã, tudo se foi», diz. «Em compensação, sonho muito acordado - noutras palavras, isso é escrever romances», acrescenta. Uma das questões que mais atraem a atenção do escritor japonês é a questão israelo-palestiniana.«Eu recebi o prémio [literário] Jerusalém recentemente e fui para Israel. Senti profundamente o sofrimento do povo judeu e palestiniano na terra de Jerusalém. Deve ser difícil para ambos viverem como indivíduos sem pertencer a um lado, a um dos sistemas.»

Foi divulgado à dias que a data de publicação destes livros em inglês será em Setembro de 2011. Com o tempo de traduzir para português, eu diria que é necessário adicionar mais um ano a esta data. Ou seja, ainda temos muito tempo de espera. Amanhã não percam aqui no blog a crítica ao livro que estou a ler agora dele - Auto-Retrato do Escritor enquanto Corredor de Fundo.

Tiago

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Crítica - "Cartas na Mesa", de Agatha Christie


Para começar, Agatha Christie é uma daquela escritoras que devem ser experimentadas por toda a gente, porque no fundo é considerada a rainha dos livros policiais. Foi com esta motivação que parti para a leitura de «Cartas na Mesa», livro que já tinha na estante desde 2006 ou 2007, e nunca lhe pegara. As expectativas eram medianas - por um lado, a autora tinha um grande pestígio, assim como a sua personagem principal Hercule Poirot; pelo outro, policial nunca fora o meu género preferido de leitura...

Acabou por se revelar como uma surpresa positiva. O enredo era linear - um dos quatro suspeitos era o assassino, por ter morto Mr. Shaitana. O facto de os suspeitos se limitarem a 4 suspeitos, e termos a certeza que foi um deles, ajuda ao leitor a ir reunindo as pistas, e tentar adivinhar por si mesmo. O problema é que a história dá sempre reviravoltas, e a seguir a ouvirmos o testemunho de uns passamos a desconfiar de outros, e sempre assim...

Achei a investigação inteligente. Neste livro em específico haviam 4 investigadores, entre os quais estava Poirot. Foi engraçado vermos os métodos diferentes de cada um deles, no fim a reunirem-se na verdade. Emocionante no final, com certos momentos que nos fazem sorrir, penso que a única desilusão foi a personagem de Hercule Poirot:

Embora já tivesse uma ideia de que seria muito bom nas pistas, e muito sublime na investigação, pareceu-me demasiado bom. O que quero dizer é que, embora goste do facto dele ser um bocado esquisito, tanto na maneira de ser como de investigar, a inteligência e o jeito de investigar sobe acima do que seria possível, principalmente no final.

Livro agradável de se ler, com capítulos pequenos passados em locais diferentes; ao longo da narrativa vamos virando as cartas na mesa contra diferentes suspeitos, vamos confirmando coisas que vêm a ser desconfirmadas, e tudo dá muitas voltas. Uma boa entrada no mundo dos policiais de Agatha Christie, na minha opinião!

Páginas: 206

Personagem Preferida: Mrs. Ariadne Oliver e Rhoda Dawes

Nota (0/10): 7 (Bom)

Tiago

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Crítica - O Banqueiro Anarquista

Posso dizer que nunca tinha lido um livro que fosse considerado um ensaio - e é desta forma que eu catalogo esta obra de Fernando Pessoa, mesmo não sabendo se é considerada ou não assim: um ensaio! Acerca do Anarquismo, e de todos os pradoxos relativos a essa teoria política/social. Este tipo de temas despertam em mim alguma curiosidade; cada vez mais me interesso pelos temas políticos da actualidade, daí que tenha apreciado a leitura d' O Banqueiro Anarquista.

Publicado originalmente no nº1 da revista «Contemporânea», em 1922, esta é a história curta (são só 57 páginas) de dois homens que se encontram sentados numa mesa. Um deles é o narrador presente. O outro é o banqueiro, que afirma ser mais anarquista do que qualquer outro membro das «organizações operárias». Ora o Anarquismo, resumindo aquilo que compreendi da leitura do livro, é um sistema político que rejeita todos os tipos de sistemas políticos, ou seja, não existem diferenças sociais entre as pessoas! O poder não está concentrado em ninguém!

Ora, à partida, ser banqueiro (e ser rico) entrava em curto-circuito com o facto de defender e dizer praticar o anarquismo. Pois ao longo de toda a conversa, vai-nos explicando que não! Que ser banqueiro é, aliás, uma forma bastante legítima de ser anarqista!

Um livro original - um ensaio, como digo - que esclarece as pessoas acerca desta teoria. E, na minha opinião, uma excelente forma de começar a ler a prosa de Pessoa. Após ter lido dois livros deste grande senhor, e tendo ainda mais oito por ler até ao fim do ano (os que estão a vir semanalmente com o jornal i, grátis), este autor merece já uma posição de destaque na minha consideração. Espero curioso pelo próximo dele.

Páginas: 57

Personagem Preferida: O Banqueiro. Entre um e o outro, não é difícil escolher...

Nota (0/10): 6 - Agradável

Tiago

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Novas Adquirições! E logo estas...


Haruki Murakami!

Tiago

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Crítica - A mulher que prendeu a chuva (e outras histórias)

Este é um livro que reúne 14 contos, escritos por Teolinda Gersão, que me surpreendeu. Ultimamente tenho experimentado livros de estilos diferentes daqueles que leio, e tenho-me surpreendido sempre. Com "Mensagem", de Fernando Pessoa, passei a acreditar que um livro de poesia pode narrar uma história ao longo das páginas - tinha a ideia de que seriam apenas poemas avultos. Com este "A mulher que prendeu a chuva", passo também a acreditar num livro de contos que siga uma linha uniforme de enredo, embora as personagens que nos sejam apresentadas ao longo das 136 páginas sejam diferentes em todos os aspectos.

Em cada conto, é-nos apresentada uma situação real do nosso mundo... e depois esta vai-se desfocando, transformando-se aos poucos num sonho... e quando damos por isso a situação perante nós ou é surreal, ou absurda, ou assumiu inegavelmente os contornos do sonho.

Algumas histórias comovem, outras fazem rir, outras dizam uma áurea de de mistério em volta delas; temos de todo o tipo de contos neste livro: na primeira e na terceira pessoa; mais longos e mais curtos; pessoas com problemas na vida e pessoas sem eles... mas essa constante, da realidade que se desfoca aos poucos, está sempre lá. Um livro agradável de se ler, que nos faz sorrir no fim.

Páginas: 136

Personagem Preferida: Visto que cada conto tem protagonistas diferentes, escolher uma personagem preferida pdoeria ser uma tarefa difícil; no entanto, para mim não. O velho do segundo conto do livro foi uma personagem que me marcou bastante.

Nota (0/10): 6 - Agradável


Tiago

sábado, 7 de novembro de 2009

Nova Editora: Ahab.


No passado dia 28 de Outubro, foram editados os três primeiros livros de uma nova editora portuguesa, com sede no Porto: a Ahab conta com o design dos estúdios Andrew Howard, que, como se pode observar pelas capas, é original e brilhante. De sublinhar também a presença do nome dos tradutores nas capas dos livros!

Acontece que ontem, numa visita à FNAC, reparei nestes três livros que passarei a mostrar em baixo, e gostei deles. Li inclusivé o primeiro capítulo do "Pergunta ao Pó", de John Fante, e fiquei bastante cativado. A editora está disposta a publicar grandes obras internacionais nunca editadas em Portugal. Consta ainda que editará entre 8 a 10 livros por ano.

Andei à procura da presença da Ahab no mundo da internet, mas pelo que pesquisei ainda não tem nem site, nem blog, nem nenhuma rede social. Esperemos que não tarde muito, porque a internet é cada vez mais um meio importante para cativar novos leitores. ACTUALIZAÇÃO: Entretanto, um utilizador (membro da editora?), comentou o Lydo e Opinado, e disponibilizou o link do site da editora, que podem ver carregando aqui. Como se pode ver, o site ainda está em construção. Muito obrigado à pessoa que disponibilizou. Seguem-se as três capas dos livros e as respectivas sinopses.

Pergunta ao Pó - John Fante
Sinopse: «Publicado em 1939, Pergunta ao Pó é a história de Arturo Bandini, um jovem aspirante a escritor recém-chegado à Los Angeles dos anos 30. Lutando pela dura sobrevivência diária enquanto sonha com o sucesso literário, Bandini vai-se deixando fascinar pelo lado sórdido da cidade até se envolver com a esquiva e temperamental Camilla Lopez, uma empregada de bar mexicana. A paixão que a um tempo o arrebata transforma-se, pouco a pouco, numa destrutiva relação de amor-ódio que vai conduzir a um trágico desenlace.Pergunta ao Pó é uma obra marcante de um mestre da ficção americana do século XX e foi adaptado ao cinema por Robert Towne, que o classificou como o melhor romance alguma vez escrito sobre Los Angeles.»

Pudor e DignidadeDag Solstad
Sinopse: «Elias Rukla, professor do ensino secundário, leva vinte e cinco anos a repetir as mesmas verdades inalteráveis sobre a obra de Ibsen. Até que um dia, a meio de uma aula, acredita ter descoberto o verdadeiro significado da peça de teatro O Pato Selvagem. Mas não é só a sua compreensão da obra de Ibsen que muda, de algum modo essa descoberta fá-lo-á olhar com nostalgia e impotência para o significado da sua vida. Entre a farsa e a tragédia, o romance de Dag Solstad, publicado em 1994, reflecte sobre o que resta do amargurado professor e da sua indescritivelmente bela mulher, Eva Linde, quando se desmoronam todas as ilusões, pois, como diz uma personagem de Ibsen, ‘Prive o homem comum da sua mentira vital e ter-lhe-á roubado a felicidade’.»


A IlhaGiani Stuparich
Sinopse: «Um homem doente pede a seu filho que abandone por uns dias as montanhas em que passa o Verão e o acompanhe, talvez pela última vez, à ilha adriática em que nasceu. O reencontro com essa paisagem luminosa, repleta de recordações, é decisivo para ambos. Um descobrirá o que significa deixar descendência; o outro enfrentará o sentido da perda. O estilo elegante e contido desta narrativa, publicada pela primeira vez em 1942, converte-a na obra-prima de Giani Stuparich. A Ilha, publicado em 1942, é, nas palavras de Claudio Magris, um ‘admirável conto de vida e de morte, não exorcizada, mas sim encarada impiedosamente de frente’.»

Tiago

Nota: A informação que usei para este post, nomeadamente as sinopses dos livros, tirei do blog Porta-Livros.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Crítica - Crónica do Pássaro de Corda

O livro começa assim: «Estava na cozinha a vigiar o esparguete ao lume, quando tocou o telefone. Ao mesmo tempo ia assobiando a abertura da ópera La Gazza Ladra de Rossini, que estava a tocar numa estação de rádio em FM. O fundo musical perfeito para cozinhar massa.» Que maneira estranha de começar um livro, dirá quem nunca leu nenhum livro de Haruki Murakami. E reforçará essas palavras quando ouvir por alto o que acontece a seguir: o protagonista, Toru Okada, atende a chamada, e descobre que quem fala do outro lado da linha é uma mulher que ele nunca conheceu - e que lhe pede 10 minutos para se entenderem. Estranho, não é? Estranho a maravilhosamente belo e poético.

Tinha pensado para mim mesmo. Depois de ler «Sputnik, Meu Amor», e «A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol», se a «Crónica do Pássaro de Corda» não fosse um livro excelente, seria uma desilusão. Murakami prometera demasiado com os seus dois anteriores romances lidos por mim; mas surpreendentemente consegue dar a volta por cima, e acertar no centro do alvo com este livro. Como um atleta de salto em altura que coloca a fasquia nos dez metros, e inesperadamente consegue. Desculpem a comparação estranha... influências de ler este autor!

Este autor que mistura a realidade com o surreal, que faz cocktails de sonhos e fenómenos inexplicáveis, que torna o quotidiano do Japão tão compreensível aos nossos olhos; que cria as personagens mais estranhas e cativantes; que envolve tramas e dramas envolventes; e que, com este livro, alcança um patamar elevadíssimo da sua qualidade literária.

Para quem quer experimentar uma fuga do mundo real, e envolver-se com uma história comovente e metafórica, com referências a passagens de guerra bem descritas.... um livro para ler e ficar a chorar por mais! Mas completamente! À terceira é de vez... e com este terceiro livro de Haruki Murakami, o autor convenceu-me definitivamente - é já um dos melhores (se não o melhor) livro do ano, e um dos (se calhar «o») livros da minha vida!

Páginas: 632

Personagens Preferidas: Todas!... Mas May Kasahara destaca-se um metro à frente.

Nota (0/10): 10 - Perfeito!

Tiago

sábado, 31 de outubro de 2009

Haruki Murakami - Auto-Retrato do Escritor...

Faço sempre uma visita semanal ao site oficial da Fnac e da Bertrand, respectivamente. E no primeiro que referi, encontrei um novo livro que obviamente tenho de "publicitar". Trata-se da nova obra de Haruki Murakami, "Auto-Retrato do Escritor, Enquanto Corredor de Fundo". Ponderei alguns instantes no título e resolvi posteriormente ler a breve síntese que se encontrava abaixo do livro. Fiquei completamente maravilhada.
Se há algum escritor, capaz de pegar em temas que parecem tão pouco elucidativos ou mesmo de difícil desenvolvimento e transformá-los em quase poesia, Haruki Murakami é o único que até agora encontrei capaz de o fazer. Não é só a forma como dá a conhecer as personagens ou o conteúdo envolve o leitor, é mais que isso. Quem já leu Haruki Murakami, sabe que é um escritor visionário.

Depois de toda esta publicidade, é claro que não é preciso dizer que este livro vai figurar na minha biblioteca. Para além da enorme qualidade, a escrita deste senhor vicia. Espero que comprem.
O livro encontrar-se-à disponível a partir de dia 6 de Novembro.
Patrícia

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Crítica - "Mensagem", de Fernando Pessoa

Foi a minha estreia de Fernando Pessoa, escritor poeta português que sempre despertou em mim a maior das curiosidades, e de quem finalmente li uma obra. Este livro, «Mensagem», é feito apenas de poesia; mais de cem páginas de poemas, formando, no seu todo, um retrato belíssimo da história de Portugal.

Não é só o facto de Fernando Pessoa escrever maravilhosamente bem, transferindo do papel para a nossa alma sensações e emoções que de outra forma seriam muito difíceis de ter. Mostra-nos que o povo português teve muitos heróis, mostra-nos que os Descobrimentos Marítimos foram de facto uma aventura de proporções épicas, e que o declínio do sonho português levou Portugal para o centro de um grande nevoeiro, do qual não saiu.

Com este livro, Pessoa aborda a história de Portugal, e apresenta-nos retratos do passado nos quais nos devemos basear para guiarmos a nossa vida hoje. O último verso do último poema diz tudo: «É a hora!». É possível o país voltar a erguer-se a mostrar a chama que há nele! É possível voltarmos a ser os heróis dos Descobrimentos!

Foi de um enorme prazer ler, e entretanto já comecei a reler, desta vez tendo mais atenção aos pormenores. Pré-requisitos? Talvez gostar de poesia!... Na minha opinião, foi uma boa escolha minha começar a ler este autor por esta obra.

Páginas: 106

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Fernando Pessoa com o Jornal «i», grátis!


Pois é. O jornal «i» vai lançar uma colecção grátis, todas as sextas feiras, de 10 das principais obras de Fernando Pessoa. Nunca li nada deste autor, embora me encontre presentemente a ler "A Mensagem", mas sempre tive uma enorme curiosidade por este autor. Não posso perder, por isso, esta colecção. Grátis com o jornal, é de aproveitar! Já agora, para quem não conhece o «i», acreditem que é um jornal muito original, provavelmente o melhor diário que temos no nosso país.

Mensagem (Fernando Pessoa): 30 de Outubro

O Banqueiro Anarquista (Fernando Pessoa): 6 de Novembro

O Guardador de Rebanhos (Alberto Caeiro): 13 de Novembro

A Essência do Comércio (Fernando Pessoa): 20 de Novembro

Soneto já Antigo e outros Poemas (Álvaro de Campos): 27 de Novembro

Sobre a República (Fernando Pessoa): 4 de Dezembro

Prefiro Rosas, Meu Amor, à Pátria e outras Odes: 11 de Dezembro

Aviso por Causa da Moral e outros Textos (Álvaro de Campos): 18 de Dezembro

Liberdade e outros Poemas Ortónimos (Fernando Pessoa): 24 de Dezembro

Páginas do Livro do Desassossego (Bernardo Soares): 31 de Dezembro

Tiago

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Caim



Trata-se de criticar a Igreja e a existência de Deus. Sendo José Saramago um não crente, acredito que é uma autêntica afronta a todas as pessoas que se dedicam à fé como a sua salvação. Um livro de reflexão, actual, uma pitada de ironia e desafio, penso que combina todas as qualidades de um bom livro.

Por agora deixo a sugestão e o desejo de o comprar assim que possível. A imagem reporta-se às várias capas do livro "Caim".

Patrícia

domingo, 18 de outubro de 2009

O Mundo de Sofia - Crítica

Este livro foi, sem dúvida, um dos livros mais confusos e misteriosos que eu li até hoje. Por acaso (mas só por acaso) o Tiago já me tinha dito mais ou menos do que se tratava, porque não estava à espera de um dia ainda me vir a emprestá-lo. No entanto, mesmo sabendo o básico, fiquei muitas vezes à nora com as coisas que iam acontecendo.
Acho a escrita deste autor bastante acessível e, à pala deste livro, comecei a gostar de Filosofia. Nas aulas do ano passado, no 10.º ano, fazia esforços enormes para não adormecer – e às vezes sem sucesso. Este ano tenho estado atenta em todas as aulas e estou a gostar bastante; devo-o, praticamente, a este livro, que me mostrou a História da Filosofia com outros olhos.
Cheguei mesmo a identificar-me com Sofia quando ela fazia perguntas como “Será que eu estou mesmo viva ou sou o produto da consciência de alguém?” Cada vez que pensava na Vida em si mesma e no Porquê disto tudo, a minha cabeça dava voltas e voltas. Gostava de obter respostas mas tenho medo delas, sinceramente. E como lia sempre antes de ir para a cama, chegava mesmo a custar-me a adormecer só de ficar a pensar o Porquê de nós existirmos!
Lá mais para o fim é que o livro começa a explicar melhor o que se está a passar mas continuei confusa à mesma, especialmente devido à fantasia que o autor misturou com a realidade. Não é uma fantasia como as outras, é bastante diferente… Algo que eu nunca tinha lido.
Encontrei tantos excertos deste livro que se encaixaram comigo que, se os tivesse posto aqui todos, vocês ficavam com imensos spoilers! Apesar de confuso, foi um livro delicioso de ler. Gostei, especialmente, do último capítulo do livro, por diversas razões que não vou agora nomear. E agradeço a Jostein por me fazer gostar de Filosofia, sempre dá uma ajudinha na média.


Número de Páginas: 453
Personagens Preferidas: Sofia Amudsen (por ser uma adolescente tão normal como todos nós e, de repente, mudar tudo; adaptou-se bastante bem às mudanças), Hilde Moller Knag (pela solidariedade pelas personagens do "seu" livro) e Albert Knox (por toda a frustração que vai sentindo e pelo belo professor de Filosofia que é).
Nota de 0 a 10: 8,5


Sara

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Lançamento do novo Romance de José Rodrigues dos Santos


Actualização: A capa já foi divulgada na Internet, mais concretamente no blog da revista "Os Meus Livros". A partir da mesma, e do título, "Fúria Divina", podem formular-se palpites acerca do tema... :)


Já foi colocado no site da Gradiva, editora que publica as obras de José Rodrigues dos Santos em Portugal, a informação oficial do lançamento do novo livro deste autor (que, como alguns leitores do blog devem saber, terá uma semana dedicada a si aqui no Lydo e Opinado, com uma entrevista exclusiva!). Como aconteceu já em anos anteriores, o nome da obra não foi divulgado, nem tão pouco o tema, que se vão manter em mistério por mais alguns dias...

A Gradiva coloca apenas as seguintes pistas:

Novo romance de um autor que já habituou os seus muitos leitores a aliar o prazer lúdico da leitura ao enriquecimento proporcionado pela relevância dos temas tratados e pela investigação rigorosa que os fundamenta. Depois de tratar a crise energética e os últimos avanços da ciência numa mistura extremamente hábil e subtil de ficção e realidade, José Rodrigues dos Santos traz-nos mais um tema escaldante da actualidade, num acontecimento editorial que dará muito que falar.

E, a grande novidade, é que muito em princípio o Lydo e Opinado lá estará a marcar presença, pelo menos pela minha pessoa (ainda vou tentar convidar a Patrícia e a Sara), até porque, já que vamos entrevistar o autor, é uma oportunidade para, pelo menos, lhe dirigirmos algumas palavras!...

Sábado, dia 24 de Outubro, na praça central do centro comercial Colombo (na imagem de cabeçalho do post), em Lisboa, pelas 17h. Lançamento nacional do livro, seguido de sessão de autógrafos!

Tiago


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Herta Müller - Prémio Nobel da Literatura 2009


Foi divulgado há cerca de vinte minutos o nome do vencedor da edição deste ano do Prémio Nobel da Literatura. A escritora romena Herta Müller, de cinquenta e seis anos. Autora de vinte obras distintas, tem publicados em Portugal os livros O Homem é um Grande Faisão sobre a Terra e A Terra das Ameixas Verdes (ver capa no fim do post). No entanto, e ao que parece, ambos os livros estão indisponíveis no mercado.

Durante a atribuição do prémio, a Academia Sueca disse que a autora consegue «com a densidade da sua poesia e a franquesa da sua prosa, retratar o universo dos desapossados». A escritora poeta ganha, assim, um prémio monetário de aproximadamente 950.000 euros.

Pelo que vou conseguindo perceber ao ler aqui e ali na internet, esta escolha está a ser uma surpresa, visto que existiam candidatos que à partida eram mais referidos aquando dos prognósticos. AH, e ainda não foi desta que o Murakami venceu! Há-de ganhar, talvez para o ano....

Nunca li nada da autora, escusado será dizer. Não conhecia a sua existência sequer; aliás, eu quase nunca conheço os vencedores do Nobel! Mas agora que ganhou, não deve faltar muito até que Herta Müller veja publicados os seus livros em muito mais países - Portugal inclusivé.

Conheciam Herta Müller? Alguma vez leram alguma coisa dela? Quem, na vossa opinião, merecia ter ganho o Nobel? Fico à espera das vossas respostas!...

Tiago

sábado, 3 de outubro de 2009

Os Maias - Crítica


Os Maias. Livro de referência no panorama nacional, considerado por muitos como o melhor livro jamais escrito por um português - Eça de Queirós; a sua leitura ocupou-me quase dois meses. Com fases um pouco mais entusiasmantes do que outras, Os Maias acabam por confirmar o seu estatuto de "maçudo", mas também se revelam como um excelente retrato da época, e de uma leitura peculiar.

Carlos da Maia, a personagem que seguimos, vive em Lisboa, nos finais do século XIX. É o mais novo membro da família dos Maias, rica e influente. Tem o curso de medicina, e amigos influentes, também eles da classe social mais elevada. Mora no Ramalhete, uma casa grande, com aspecto de antigo colégio jesuíta, com o seu avô - Afonso da Maia. Estes são os factos. Segue-se a minha opinião:

No decorrer da leitura, as personagens que foram surgindo (Afonso, Carlos, Ega, Dâmaso, Craft, Cruges, Alencar, a Gouvarinho, os Cohen, Maria Eduarda....) foram-se assumindo com formas de pensar distintas, e personalidades bem destacadas das restantes. Isso foi um ponto positivo. A descrição dos locais, e a linguagem quase clássica que era utilizada nessas alturas, também foi bem conseguida. No seu todo, Os Maias são como um poema em prosa, as palavras fluindo melodiosamente...

Mas!... Nem tudo foi agradável durante a leitura. Existem muitos, mas mesmo muitos tempos mortos, em que quase não existe acção, e o tempo limita-se a passar; em que as personagens falam de tudo e mais alguma coisa, em conversas que se prolongam por páginas e páginas, e que abordam tantos e variados temas... mas que acabam por não ter influência nenhuma no enredo. Quase como uma telenovela, em que falam, falam, falam... mas pouco ou nada avança.

Penso ter existido, portanto, um desiquilíbrio nesse nível. Mas a crítica social implícita está bem conseguida, assim como o facto de Eça de Queirós ter inserido aqui e ali alguns poemas; e o ambiente, as festas, as tertúlias - dão vontade de viver naquela época!

Claramente um clássico. Bom. Com os seus exageros em termos de alongamento das situações, e uma linguagem «Chique a Valer!», como diria Dâmaso. É necessária alguma persistência, para não nos deixarmos ficar a meio, mas a história flui mais a partir de metade. Além disso, acho que é daqueles livros que se vão recordar durante muitos e muitos anos.

Páginas: 725

Personagens Preferidas: João da Ega (é bastante reactivo e precipitado, talvez também um pouco inconstante; mas é o melhor amigo do protagonista, consegue enfrentá-lo, e tem um gosto enorme pela literatura!), Craft (talvez porque achei que a sua personalidade se protege em si própria) e Alencar (que belos poemas ele fazia!).

Nota: 8/10

Tiago

PS: (Muito fica por falar acerca de cada personagem do livro, e de certas cenas em particular... talvez em posts próximos! É que o livro é tão grande que parece que fica muito por dizer!)
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