sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

[Crónica] Novo Acordo Ortográfico - Tiago

O Lydo e Opinado inicia hoje uma nova rubrica sua, sem que tenha no entanto um determinado dia regular para ser publicada. A cada mês vamos escolher um tema, e cada um de nós irá fazer uma breve crónica acerca desse assunto. Escolhermos o Novo Acordo Ortográfico como o de Janeiro. Hoje, a minha crónica. Brevemente, a da Patrícia e a da Sara.

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Teoricamente, já entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2009, mas a mudança vai ser lenta e gradual. O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990, já fez correr muita tinta nos jornais, de opiniões a favor e contra. O que tenho eu a dizer acerca do assunto? Confesso que serei um pouco ambíguo. É que por um lado tenho uma opinião, e por outro tenho outra.

A verdade é que sempre me intrigou o porquê de escrevermos «Queijo» em vez de «Qeijo». E porquê «Girafa» ao invés de «Jirafa»? Porquê «Hoje» e não «Oje»? Estas questões práticas são legítimas de serem questionadas: vão-me responder que a origem das palavras tem uma importância grande. E eu aceito. Mas qual é a lógica? Do meu ponto de vista, não a encontro.

Mas, vá lá, o Acordo Ortográfico não chega tão longe, e não muda estas palavras! Felizmente! Isto porque, apesar de não compreender por completo o porquê de essas regras existirem, elas existem. E já está tão entranhado em nós que é difícil gostarmos de «Qeijo», «Jirafa», e «Oje». Acontece que gosto da complexidade da língua (é aqui que entra a parte de eu dizer que a minha opinião é ambígua). Não é preciso haver lógica em tudo, a língua é assim, evoluiu desta maneira, e nós não nos temos de meter ao barulho.

É por isso que me custa saber que a partir de hoje «adoptar», «óptimo» e «acção» passam a ser «adotar», «ótimo», e «ação». Sim, eu sei que nós já não líamos as consoantes mudas, mas soa estranho. O problema é que estes exemplos são o menos. Ora repare-se nestes exemplos: «acto» passa a «ato», e «Egipto» a «Egito». Supostamente, segundo o acordo, estas palavras são «casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua» as consoantes em questão. Acontece que, conforme me ensinaram, Acto e Egipto lêem-se com todas as letras; então Egipto nem se fala! Nunca me passou pela cabeça não ler o «p». É isto que mais me indigna. Se calhar fui eu que aprendi mal este tempo todo, mas mesmo que seja esse o caso, não posso senão discordar.

Existem outras mudanças, nomeadamente «há de» em vez de «há-de», e o desaparecimento completo do trema “sinal de dois pontinhos por cima de uma letra: ¨) de todas as palavras de Língua Portuguesa. Conclusão final: é mais um passo na evolução da língua em direcção ao standard. Cada vez mais simples. Cada vez menos complexidade.

Mas como digo sou ambíguo. Não me oponho completamente, mas também não estou a favor. Estas questões sai difíceis de analisar.

Tiago

15 comentários:

p a t r í c i a * disse...

Eu gosto de manter as coisas como estão, não sou muito de mudanças. Mas o que querem fazer não posso fazer nada!
As palavras que têm lógica mudar, até faz sentido; como se lê, assim se escreve (apesar de não gostar...). Mas as outras... "de fato", não concordo com a nova terminologia.

nuno chaves disse...

hoje comprei um fato novo, mas de fato ele não me servia... fato: a minha mulher disse-me há des ir a loja trocar o fato, de fato ela tem razão.
... hum isto de facto não me cheira, irei continuar a escrever tal como me ensinaram, mais que não seja para daqui a uns anos a minha filha me dizer: ó pai das tantos erros ortograficos.

Bonnie disse...

Sinceramente não me cai bem... Não tem lógica, mesmo! Parece que já é qualquer coisa que nasceu comigo. Porquê tirar? A estética da palavra é bonita com as consoantes que não se leem.
Sinceramente, não concordo nada com este acordo... Mas que se pode fazer?

Quando ao meu blog... Aquele texto não é o mais bonito mas apreciava se te disponibilizares de vez enquando. xD Sou ainda uma pequena aprendiz.
;)

Gostei muito do blog... Muito interessante! Já não entrava num assim há algum tempo.
:)

tonsdeazul disse...

Uma mudança para as novas gerações sem dúvida, pois não me venham dizer que o que já está enraizado nestas gerações mais velhas vá sofrer alterações!

Já no que me diz respeito... Pois lá terei de me habituar, pois na minha profissão não dá para continuar a escrever como se nada fosse mudar...

Jacqueline' disse...

Enfim, eu também não tenho uma opinião muito clara sobre este assunto. Se por um lado não quero mudar a forma como escrevo, por outro penso que existirão vantagens em mudarmos. Por exemplo, neste acordo há uma uniformização da língua portuguesa, para que em Portugal e noutros locais lusófonos, como o Brasil, se escreva de uma forma mais semelhante. Penso que isso não é de todo negativo.

Kath disse...

Acho que a língua deve evoluir naturalmente, e que o acordo tem principalmente objectivos económicos.

Eu gosto das coisas como estão. :\

Sássára disse...

Concordo com a Patrícia, tal como mais tarde se irá ler na minha crónica.

PallasAthena disse...

Olá. Partilho da mesma opinião que tu. Se por um lado concordo por haver vantagens; por outro a língua já está tão enraizada que não vou conseguir por exemplo dizer estória, em vez de história Parece que perde todo e qualquer sentido. Chamem-me antiquada, mas quanto a mim continuarei com o "c" e os "p" :P

DiAleX disse...

Não concordo com este novo acordo... as mudanças que vi não fazem sentido a meu ver. Sei que a intenção é descomplicar, mas não me parece que vá ser esse o efeito. Quem está com sorte são as pessoas que dão erros, que a partir de agora passam a escrever correctamente "brasilês" como eu chamo ao português-pós-acordo. =P

dá uma leitura diagonal na minha crónica aqui: http://vozdamente.blogspot.com/2008/03/novo-acordo-ortogrfico.html

Anónimo disse...

Eu que vivo no Brasil, discordo da opinião de alguns de vocês. Além de simplificar a língua, o novo acordo ortográgrafico da língua portuguesa veio para unificá-la. No Brasil, local onde há mais pessoas juntas falando o português, não escrevemos «facto» «Egipto» «acto» «acção» muito menos «óptica». Então já que o novo acordo veio para unificar a escrita, vocês terão que se acostumar com a nova regra. Sinto muito. Regras são regras. De tanto escrever «Egipto» com P, vocês passaram a pronunciar Egipto em vez de falar do jeito correto

Anónimo disse...

Eu que vivo no Brasil, discordo da opinião de alguns de vocês. Além de simplificar a língua, o novo acordo ortográgrafico da língua portuguesa veio para unificá-la. No Brasil, local onde há mais pessoas juntas falando o português, não escrevemos «facto» «Egipto» «acto» «acção» muito menos «óptica». Então já que o novo acordo veio para unificar a escrita, vocês terão que se acostumar com a nova regra. Sinto muito. Regras são regras. De tanto escrever «Egipto» com P, vocês passaram a pronunciar Egipto em vez de falar do jeito correto... Brasiles? Hahahahah!

t i a g o disse...

Estas características da Língua Portuguesa conservaram-se de forma mais intacta - são derivadas do latim, do grego, e de outras línguas europeias. Se formos a ver o francês, o inglês, são línguas que conservam Egypt and Egipt.

Eu não sou contra, que fique bem claro, o Brasil ter simplificado a sua língua. Agora temos de compreender que a Língua Portuguesa fica a ganhar com estas características próprias de cada continente. O português de África é diferente do de Portugal, e do do Brasil. E, na minha opinião, isso só vem enriquecer as culturas próprias.

A criação de um Português Global não me parece uma solução que proteja a evolução linguística própria de cada centro cultural. Na minha opinião.

Anónimo disse...

Oi, meu nome é Víctor e eu também sou brasileiro. Eu discordo do brasileiro que escreveu que de tanto escrever Egipto com P, passaram a pronunciar da maneira errada. Isso não é verdade. A pronúncia certa deveria ser sempre Egipto com P. Egipto, Egipt, Egypt... Até porque nós escrevemos «Egípcio», ou seja, se é um egípcio, ele veio do Egipto com P. Eu sempre achei que já que egípcio tem P, Egito também deveria ter. Mas nós brasileiros sempre temos esta maldita mania de querer simplificar tudo. Eu prefiro a maneira culta de escrever, a maneira dos portugueses

t i a g o disse...

Olá Victor. De facto, uma das características da evolução da língua é exactamente a constante simplificação da mesma. Apenas acontece que o português do Brasil está um patamar mais "evoluído" que o português de Portugal. Diferença que é eliminada com o Acordo Ortográfico. No entanto, acho que não devemos considerar o português de Portugal como a "maneira culta de escrever". Como disse no meu anterior comentário, tenho em consideração a variante sul-americana da nossa língua - principalmente na sua forma oral, belíssima. ;) O português de Portugal não será, pois, mais "culto"; quanto muito, estará melhor preservado.

Anónimo disse...

Olá, sou o Víctor novamente. Cara, você fala muito bem mesmo! Você poderia procurar emprego em alguma redação de revistas, jornais, etc... Sério. Você escreve de maneira profissional. Eu realmente gostei do seu blog. Ah, eu pesquisei a respeito do que você escreveu, que o português brasileiro é uma forma mais evoluída, a adaptação do português e o português de Portugal uma forma mais preservada do português. Realmente você tem razão. E eu também agradeço por seu elogio dizendo que a forma brasileira e belíssima. Valeu! Gostei do seu blog! :J

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