quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Perfume - Crítica

Nome: O Perfume
Autor: Patrick Süskind
Editora: Círculo de Leitores
Tradução: Maria Emília Ferros Moura
Páginas: 265
Sinopse: "Paris, 1738. Nenhuma cidade do mundo é tão dependente dos mil e um cheiros de uma grande metrópole como Paris. Cheiram as ruas e os corpos, cheiram os lugares e os materiais, cheiram os animais e as casas. É aqui, no recanto obscuro de uma rua comercial que nasce, sobre um montão de restos de peixe, Jean-Baptiste Grenouille. Um zé-ninguém, sobretudo porque, num tempo em que se define pelos odores, Grenouille não cheira a nada - nem sequer a esse cheiro característico dos recém-nascidos.
A partir de então, começa a extraordinária odisseia de Jean-Baptiste Grenouille: ignorado pelas pessoas, rejeitado pelo mundo, Grenouille vai desenvolver espantosamente a sua capacidade olfactiva, habituando-se a reconhecer tudo pelo odor e a imaginar, como um jogador de xadrez cego, todas as possíveis combinações de essências, capaz de produzir os mais extraordinários perfumes.
É no auge das suas capacidades, após sete anos de reclusão voluntária numa caverna, que Grenouille vai conceber o projecto impossível, uma vez pressentido no pátio de uma casa particular: o que ele pretende é criar o Perfume, um perfume único e sublime, perfume que em si contenha todos os odores, toda a vida e toda a morte. E é pela violência, pelo assassínio sistemático de uma, duas, cinco, mais de duas dezenas de raparigas, que Jean-Baptiste Grenouille vai avançar rumo ao seu inevitável destino: a morte.
O Perfume, um livro inesquecível, uma obra verdadeiramente nova no panorama literário mundial."

Não sei muito bem porque é que o meu livro é da Círculo de Leitores e, o da imagem, é da Editorial Presença, mas talvez a data da minha edição seja uma possível explicação: 1990. Encontrei-o por entre as estantes recheadas da minha avó e rapidamente criei uma espécie de fascínio por ele. É, sem pensar duas vezes, muito mais espectacular, muito mais íntimo, que o filme que fizeram desta história.

Quando o comecei a ler, tive a sensação de que já tinha passado os olhos por aquelas palavras. A certa altura apercebi-me que não era a primeira vez que estava a ler este livro mas, estranhamente, não me lembro de quando é que a outra aconteceu - e eu não me costumo esquecer destas coisas. Ou seja, foi com uma sensação de déja-vu que li este livro, mas sem nunca o pôr de lado.

Esta é uma obra horrivelmente bela e espectacular. Compreendo que hajam pessoas que não a consigam ler, pois é algo cru e despido de misericórdia. No entanto, não compreendo que hajam pessoas que tenham desistido da sua leitura por causa disso. Uma vez intrincada no livro, não o conseguia fechar. O mundo de odores de Grenouille é belo, cheio de mistérios e coisas novas. Quase que sentia o perfume da rapariga ruiva a pairar ao meu lado quando ele o começou a descrever.

Não se deixem enganar pelo filme, pela história que é apresentada. O livro conta uma história de um assassino, é verdade; mas também conta a história de alguém que não conhecia o Amor e que, alienado nos seus sonhos, o descobriu de uma maneira terrível. As razões que o levam a assassinar aquelas vinte e sete mulheres (a contar com a do início) quase que me fizeram esquecer o quão é horrível assassinar alguém, tirar a vida a alguém. E a maneira apaixonada como ele o fazia era tão bela... E é por isto e por outras coisas que vou dar um 10 a esta obra. Não julguem o livro pela capa.

Espero que tenham tido um Bom Natal, nós aqui do Lydo e Opinado temos andado um bocado ausentes, infelizmente. Brevemente voltaremos para fazer um balanço deste ano. Até lá, um Bom Ano 2011!

Personagens favoritas: Baldini, Grenouille, Laure Richi.

Nota: 10/10 - Perfeito

Sara

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crónica do Pássaro de Corda - Crítica

Nome: Crónica do Pássaro de Corda
Autor: Haruki Murakami
Editora: Casa das Letras
Tradutora: Maria João Lourenço
Páginas: 632
Sinopse: "Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começaram a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida. Este livro conta com uma galeria de personagens tão surpreendente como profundamente autênticas e, quase por magia, o mundo quotidiano do Japão moderno aparece-nos como algo estranhamente familiar. Crónica do Pássaro de Corda, ao qual foi atribuído o Prémio Yamiuri, é considerado, por muitos, a obra-prima de Murakami."

Não posso afirmar que já li muitas obras de Murakami, até porque só li três, a contar com esta. No entanto, das três obras, esta foi a que me cativou mais. Não foi só a grossura do livro que me cativou, mas toda a sua história. À medida que fui lendo, nem sequer reparava na quantidade de páginas que deixava para trás. Demorei mais de dois meses a ler este livro - o que não é habitual, mas a escola faz destas - mas, quando pegava nele, a minha realidade e o tempo desvaneciam-se. Murakami transportou-me para o seu mundo de uma forma subtil, mas agradável.

Quando começamos a ler algo de Murakami, nunca sabemos o que podemos esperar. E, realmente, este livro tomou caminhos que eu nunca imaginara e terminou de uma forma espectacular. Sinto que a criação deste livro merecia um estudo profundo, para se poderem criar todas as ligações que Murakami originou. E, mesmo por isso, posso considerá-lo um génio.

Um grande problema meu, ao longo da história, foi a maneira como imaginava as personagens. Para mim, as únicas possíveis personagens orientais eram Toru, Creta, Canela e Kumiko. De resto, imaginei todas as personagens à moda ocidental, o que, na minha opinião, estragou alguma da magia do livro.

Confesso que, lá mais para o fim, chegou a uma parte em que fiquei sem vontade de ler. Não sei se terá sido da história em si, naquela fase, ou de mim mesma, mas aconteceu. Felizmente, não desisti. Aliás, não fazia sentido fazê-lo. Por isso, continuei e, no fim, deliciei-me com tudo o que li. É impressionante a maneira como todos os caminhos vão dar a Noboru Wataya e mais não digo! Leiam que vale muito a pena; não se assustem com o número de páginas porque são (quase) todas imprescindíveis.

Personagens favoritas: Toru Okada, May Kasahara, Kumiko, Creta Kano, Canela.

Nota: 9/10 - Muito Bom

Sara

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Crítica - Underground (O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa)

Título: Underground (O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa)
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Susana Serras Pereira
Editora: Edições Tinta-da-China
Páginas: 461
Preço Editor: 22,31€ (15,6€ pelo site da editora)

Sinopse: «A data é 20 de Março de 1995. Está uma bela e límpida manhã de Primavera. Ainda se faz sentir uma brisa fria e as pessoas andam agasalhadas, de casaco. Ontem foi domingo, amanhã celebra-se o Equinócio da Primavera, é feriado nacional. Ensanduichado no meio do que deveria ter sido um fim-de-semana longo, está provavelmente a pensar “Quem me dera não ter de ir trabalhar hoje”. Mas não tem tal sorte. Levanta-se à hora do costume, lava-se, veste-se, toma o pequeno-almoço e dirige-se à estação de metro mais próxima. Entra para a carruagem, apinhada como de costume. Nada de anormal. O dia promete ser perfeitamente igual a todos os outros dias. Até ao momento em que cinco homens disfarçados direccionam os seus guarda-chuvas de pontas afiadas para o chão da carruagem, perfurando uns sacos de plástico cheios de um líquido estranho…». Um dos mais famosos episódios do terrorismo contemporâneo, o atentado de Tóquio não só traumatizou as vítimas directas como abalou toda a sociedade japonesa. O que sentiram os sobreviventes do ataque? Como reagiram? Como explicar a obediência dos fiéis seguidores do líder da seita Verdade Suprema? Em «Underground», Murakami compõe as entrevistas que realizou a dezenas de vítimas do gás sarin e a vários membros da Aum Shinrikyo (Verdade Suprema), tecendo uma narrativa em que procura compreender a relação entre o atentado e a mentalidade japonesa.

Um dos motivos que fazem de Haruki Murakami o meu autor preferido é o facto de partir para um livro seu sempre com a certeza de que uma maneira ou de outra me vai surpreender. Isso aconteceu com os sete trabalhos de ficção que li até agora dele, e também com o de não-ficção “Auto-Retrato do Escritor enquanto corredor de fundo”. Mesmo o seu primeiro, “Hear The Wind Sing”, que após ter terminado fiquei com uma sensação de que faltaria qualquer coisa, me tinha surpreendido pela atmosfera para onde me tinha puxado. Acontece que “Underground – O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa” é uma obra composta de entrevistas feitas pelo autor às vítimas de um ataque de gás sarin no metropolitano da capital japonesa, e na segunda metade aos membros/ex-membros da seita que provocou o atentado.

Primeiro que tudo, e antes de iniciar a minha opinião, quero deixar uma nota muito positiva à editora Tinta-da-China, que edita este livro em Portugal. É a primeira obra de Murakami que leio fora do domínio da Casa das Letras, e adorei o conceito gráfico desta edição.

A primeira metade ainda nos envolve por algum tempo. Não digo que a segunda não deixe de ser agradável de ler, mas a primeira tem ainda um toque muito particular de Murakami, nomeadamente em dois capítulos seguidos que se encontram entre as páginas 121 à 140. Estas dezanove páginas são de todo o livro as mais marcantes; atingem um elevado nível de escrita e conferem-lhe uma grande emotividade. O segundo desses dois capítulos, particularmente, e apesar de não-ficção, está carregado das palavras e do génio do escritor japonês. São páginas de arrepiar e, no fim, aplaudir, ainda que só vamos a um terço do livro e falte ainda muito para terminar. Mas o que senti é que, se o livro terminasse ali, já não ficávamos mal servidos de todo. Foram talvez 20 das melhores páginas que li neste ano de 2010.

Que pena é, no entanto, que esse expoente não se tenha esticado mais. O livro é um retrato de pessoas, que falam de si próprias e das suas vidas. E sim, é espantoso o trabalho jornalístico feito por Murakami, é espantoso o painel de vidas a que de repente temos acesso, é interessante ver as dezenas de perspectivas diferentes acerca de um único acontecimento. E em relação à segunda metade, o interesse e a curiosidade mantém-se em descobrir que, afinal, os membros da seita Aum são afinal pessoas normais, que podiam ser qualquer um de nós. Sem qualquer ligação ao atentado, muitos não queriam acreditar sequer que tinha sido a sua religião a provocar tal monstruosidade.

É, pois, ponto assente: o livro está original e muito bem concebido. Para um ensaio de não-ficção, composto por dezenas de entrevistas, e um retrato dos acontecimentos passados no dia 20 de Março de 1995 em Tóquio, está aqui uma obra de grande valor – e à qual tenho a certeza que o autor dispensou todos os seus esforços e profissionalismo.

Não posso, no entanto, dizer que fiquei totalmente satisfeito com esta leitura. Porque não fiquei. Com os autores muito bons, há sempre o risco de haver um livro que esteja um pouco abaixo daquilo que nos habituou, e depois desilude-nos. Acho muito boa a capacidade que ele tem de se dividir entre os estilos narrativos e os de investigação e ensaio, mas a verdade é que “Underground” não me deixou agarrado, por exemplo. Enquanto um todo, é interessante, mas ao longo da leitura foram poucos os momentos em que senti “não posso parar, vamos lá ver como é que isto continua”. É um estudo, eu diria quase um retrato social. Fica-se a aprender muito sobre o Japão e o modo de vida das pessoas. E sim, isso foi muito bom e saio mais rico desta leitura. Mas faltou um qualquer tempero que esperaria vindo de Murakami. Excepto naquelas vinte páginas. Aquelas vinte páginas…

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BANG! Aqui vai mais uma opinião!

Lembro-me de ter iniciado a minha estadia no Lydo e Opinado com uma informação acerca da revista Os Meus Livros. De seguida, falei na BANG! Naquela altura, andava apenas a ocupar espaço com as coisas que escrevia, apenas para não parecer mal. Sentia-me uma novata e procurava a vossa apreciação, quando nunca sequer tinha pensado em ler alguma destas revistas. Agora, fico feliz em ter feito aqueles artigos, em ter ficado a conhecer a BANG! Finalmente, ela está na FNAC, pronta para a levarmos para casa, imprimida e com uma qualidade fantástica. Pelos vistos, o stock deste número já esgotou e estão a pensar fazer mais na próxima tiragem. Fico feliz por ser uma das pessoas que possui esta revista, pois achei-a fabulosa. Não me faz lembrar aquelas revistas que falam de cuscovilhices e que só têm artigos de moda. Finalmente, encontrei uma revista que vai de encontro com os meus interesses e que me dá vontade de ler quando vou no Metro de Superfície, sozinha. Vou fazer por pontos, como o Tiago, pois estas 64 páginas têm muito que se lhe diga.

A Capa: Simplesmente espectacular. Adoro o grafismo e a página dedicada ao autor dos desenhos. Achei os temas que o autor trata super interessantes e fiquei com vontade de ver mais ou até de construir histórias a partir dos seus desenhos.

Colecção BANG!: É aqui que sabemos as novidades e ficamos com as expectativas altas. Eu, pelo menos, fiquei com vontade de comprar mais livros, o que não é muito saudável para a carteira.

M., de malária de José Eduardo Agualusa: Não me vou pôr a fazer sínteses de cada conto, mas este foi interessante. Um pouco estranho e, na minha opinião, ficou com um final que deixou muito a desejar. Penso que o autor podia ter desenvolvido mais um pouco, apesar de ser um conto. Dei-lhe um 7 em 10.

A (minha) história de Duna: Jorge Candeias criou uma crónica com uma escrita bastante acessível e que faz uma pessoa querer ler mais; parece que ele está à nossa frente a conversar connosco. No entanto, penso que o tema não foi assim tão apelativo. Confesso que fiquei com vontade de ler o Duna, mas também sei que, muito provavelmente, ia gostar mais da crónica se fosse acerca de outra coisa. Sinto que o assunto é muito cinzento, não sei explicar. Ou então é por causa das cores da página, que me deixam aborrecida.

Com a manhã chega a neblina de George R. R. Martin: Simplesmente espectacular, o melhor conto da revista! Já tinha saudades de ler algo dele, visto que ando a adiar o resto das Crónicas para 2011. Mas este conto deu para enganar a fome ou, se calhar, me esfomear ainda mais. Fabuloso. E o final… Nada típico de Martin! Dei-lhe um 9 em 10.

Os livros das minhas vidas: Nada de especial. Não me chamou a atenção.

Távola Redonda: Muito bom, especialmente para pessoas que sempre quiseram que um livro seu fosse editado e publicado. A junção dos autores e as várias opiniões estão perfeitas.

A boa gente de Sodoma por Matthew Rossi: Não me cativou. Mas a ideia já contou para alguma coisa, visto que nunca pensei ver as coisas da perspectiva do autor. Dei-lhe um 6 em 10.

Os mundos imaginários do fantástico português (1.ª parte) por António Macedo: Fico ansiosamente à espera da outra parte, pois quero mais absorção de conhecimento! Não fazia a mínima ideia de como era a história de Portugal em relação à literatura fantástica, o que me deixou muito curiosa.

Os cascos e o casebre de Abdel Jameela por Saladin Ahmed: Um conto interessante, digno de se ler. No entanto, na minha opinião, não devia ser finalista do Prémio Nébula, se calhar pela incoerência de algumas ideias. Dei-lhe um 8 em 10.

Légolas: rói-te de inveja por R. A. Salvatore: Confesso que fiquei com vontade de ler o livro, mas tenho receio de estar a criar demasiadas expectativas.

Felicidade por Inês Botelho: Ainda não tinha lido nada desta autora, mas gostei. No entanto, acho que desenvolveu pouco a ideia do conto; parece que, quando começa a ter algum interesse, o conto acaba abruptamente. Dei-lhe um 7 em 10.

Nova vaga, novas capas: Nunca me interessei muito por FC, mas achei esta evolução muito curiosa e interessante.

Fantasia urbana ou romance paranormal? Por Safaa Dib: Um artigo muito curioso que gostei muito de ler. Fez-me chegar à conclusão que continuo a preferir a fantasia épica.

As cidades do segundo esquerdo por Afonso Cruz: Conteúdo estranho, mas um final arrebatador. Dei-lhe um 8 em 10.

• A página das críticas… Bem, confesso que algumas delas foram muito boas, mas outras eram apenas resumos dos livros, coisa que um leitor não quer ver, porque depois, quando vai ler o livro, perde a piada toda, não é?

The Walking Dead por João Miguel Lameiras: Fiquei com vontade de ler a BD e de ver a série que estreou há pouco tempo na FOX.

• E a última página não li porque o Tiago disse que era um grande spoiler acerca da Filha do Sangue, livro que eu vou ler lá mais para a frente.


Posso concluir, assim, que quero ler já o próximo número! O pior é mesmo o tempo de espera, visto que a revista só sai de três em três meses, o que compreendo perfeitamente, devido à qualidade do conteúdo. Penso que é preciso reflexão para criar uma revista como esta!



Sara

domingo, 14 de novembro de 2010

Destinava-se a mim...


Tenho a dizer-vos que a minha apresentação oral de Português tem de ser relacionada com o Modernismo. Então, o que é que eu fiz? Pus-me a pesquisar e, mesmo sem nunca ter lido algo dela ou sentido curiosidade, acabei por escolher falar de Virginia Woolf na minha apresentação oral. Só me lembro deste nome devido a algumas referências que a minha professora de Inglês faz, ou então de um filme que, de vez em quando, passa na televisão. Mas alguma coisa (ou alguém) quer que eu a conheça.

Certo dia estava eu em casa quando a minha mãe chegou do trabalho, com um livro de bolso na mão. Entregou-mo e, para meu espanto, era Mrs.Dalloway de Virginia Woolf! Segundo a minha mãe, encontrou o pequeno livro abandonado no seu trabalho e, visto que ninguém o reclamou, resolveu trazê-lo para casa, para mim. Digam-me lá se a apresentação oral não me está destinada?


Boas Leituras!

Sara

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Após a leitura da... BANG!


A minha expectativa era muita, quase como se se tratasse do lançamento de um livro há muito esperado. O que era estranho, pois não passava do número 8 de uma revista que eu nunca lera. A Bang!, revista dedicada ao fantástico literário, com a chancela da Saída de Emergência, era uma daquelas publicações que eu nunca lera. Ora porque era editada em e-book, ora porque só era posta à venda através do site. Num entanto, agora no fim de Outubro, em virtude de uma parceira fortíssima com a FNAC, conseguiu assegurar a sua distribuição por todas as lojas do país pertencentes a essa cadeia de livrarias. Melhor ainda – gratuitamente, a cores, e com excelente qualidade.

Desengane-se quem pense que se trata de um catálogo. A Bang! é muito, muito mais do que isso. É verdade que aproximadamente um terço dos livros referidos pertencem à Saída de Emergência (não que seja mau, repare-se), mas existem muitas outras referências a livros de outras editoras portuguesas, e até estrangeiras. E para lá dos livros, ainda mais importante: a ficção publicada, e os ensaios de excelente qualidade. Ao ler a Bang! 8 de uma ponta à outra, senti-me na presença de um guia do fantástico que me fascinou pela surpresa.

Segue-se uma análise minha dedicada a cada uma das secções/contos/ensaios da revista:

  • • Do «Editorial» só tenho a dizer bem. Com as palavras de Safaa Dib ficamos a saber um pouco melhor do que se trata o projecto, da sua história, e, enfim, entusiasma-nos a partir para a leitura. Sou fã de editoriais… de referir, no fundo da página, a originalidade dos créditos da revista, que pode passar despercebida: com “director e escravo das galés: Luís Corte Real”, “colaboradores explorados nesta edição”, “autores convidados à bruta”, e “tiragem de revirar os olhinhos”. Só alguns exemplos!
  • • A página «Ilustrador da Capa» parece-me justa e interessante, dignificando assim o trabalho do ilustrador, e dando a conhecer um pouco mais da sua obra. Embora não tenha ficado particularmente interessado na carreira de Alejandro Dini.
  • • As páginas «Colecção Bang!» também foram do meu agrado. Claro que gostei de ver o “Sonho Febril” destacado, como aliás não podia deixar de ser. Das novidades prometidas, destaque para “A Corte do Ar”, e o livro de contos de David Soares. São os que estão sob a minha vigia…
  • • «M., de malária» é um conto de José Eduardo Agualusa, publicado numa antologia de vampiros aqui há uns meses, e agora na revista Bang. É o primeiro texto que leio do autor, embora já tivesse lido críticas de livros do mesmo. Não me surpreendeu por aí além, e até tenho de dizer que foi talvez o conto desta edição que menos me cativou. Com muita pena minha.
  • • «A (Minha) História de Duna», texto de Jorge Candeias, é uma crónica do autor e tradutor sobre a experiência de tradução do livro de ficção científica Duna, publicado há pouco tempo pela Saída de Emergência. Ponto positivo: a descontracção do Candeias a escrever é notória, e cria empatia e relação com quem quer que leia. Ponto negativo: não me cativou particularmente para a leitura do livro, tendo até adiado as minhas perspectivas de leitura. Foi sincero nas suas palavras, e eu, acreditando, adio Duna para outra altura da minha vida.
  • • O melhor conto de toda a revista Bang 8 foi para mim o de George R. R. Martin – “Com a manhã chega a neblina”. Como todos saberão, sou fã assumido do autor de fantasia. Mas é inacreditável como o mesmo me continua a surpreender a cada texto que leio – desta vez tratando-se do primeiro conto que leio dele. Martin dá um estilo cativante ao texto, dá-lhe um final profundamente meditativo e surpreendente, e, fugindo ao que seria de esperar nele, presenteia-nos com uma quase moral da história que não me deixou indiferente. Muito bom.
  • • «Os livros das minhas vidas» é uma crónica que a cada mês vai ter um convidado diferente. Talvez a dimensão de apenas uma página tenha sido causa para não ter apreciado por aí além. Afonso Cruz fez as suas escolhas, e falou especificamente de uma. Mas caíram assim como que num vazio… sem grande contextualização, ou introdução.
  • • A secção «Távola Redonda» deixou-me rendido, e aqui fica a sugestão de apostarem bem nela! Convidam cinco autores para falarem acerca de um dado tema, e nesta edição falaram da publicação. Artigo muito informativo e esclarecido, com alguns pormenores bastante interessantes. Diverti-me particularmente com alguns pontos de vista de Inês Botelho, que revelou ter contactado as editoras para a sua primeira obra através das listas telefónicas. Achei graça!
  • • O conto «A boa gente de Sodoma», de Matthew Rossi (a ser publicado em Portugal para 2011) não me chamou a atenção, talvez pelos termos técnicos demasiado desenvolvidos para a minha cabeça. Num estilo que torna científica a ficção (ficção científica!), dá-nos uma explicação “óbvia” sobre algumas das consequências das viagens no tempo. Não me surpreendeu.
  • • António de Macedo é autor do ensaio cuja 1ª parte nos é apresentada nesta revista: «Os mundos imaginários do fantástico português». Muito interessante de ler, do princípio ao fim, revela-nos factos históricos da existência do género Fantástico em Portugal mesmo desde a Idade Média, e posso dizer que aprendi muita coisa ao longo das oito páginas de texto. Fico a aguardar ansiosamente pela continuação destas páginas de história…
  • • Outro conto o qual não gostei por aí além foi «Os Cascos e o Casebre de Abdel Jameela”, conto finalista do Prémio Nébula 2009, escrito por Saladin Ahmed. Talvez com um imaginário demasiado cru, não sei bem explicar, acabou por não me convencer muito. De princípio confuso e desenvolvimento pouco rico, fiquei com a sensação de que apenas certos momentos foram de facto bons de ler. Mas é claro que isto se trata apenas da minha opinião!
  • • «Légolas, rói-te de inveja!» é um artigo escrito sobre uma saga de elfos negros que saiu agora publicada pela Saída de Emergência e que, para ser sincero, não me cativa minimamente. Não sei se é por não fazer o meu género preferido de fantasia, se pelo estilo de escrita, se… não sei. E depois de ler o artigo continuei sem estar interessado. Há livros com que uma pessoa embirra sem ter lido, não é? Acontece-me com muitos de vampiros, e agora com este…
  • • Do conto «Felicidade» de Inês Botelho esperava tão mais! Se calhar porque tinha as expectativas demasiado elevadas, pareceu saber-me a pouco. Claro que se ela desenvolvesse, e evoluísse para algo um pouco mais longo, eu pudesse ter-me agarrado com outra garra. Mas o tamanho parece não ter jogado a favor, e fiquei apenas com uma sensação de ter gostado, mas de quem queria mais. Sou um leitor fã de Inês Botelho, pelo que ela nos tem dado nos mais variados géneros, e foi bom vê-la aventurar-se numa distopia. Um bom trabalho, mas que me soube a pouco.
  • • «Nova Vaga, Novas Capas» reflecte um período muito específico da história editorial da ficção científica, durante os anos 60. Mostra a evolução das capas, a acompanhar as mudanças sociais ocorridas na época, e foi bom ter acesso a este ponto de vista. No fundo, as decisões editoriais relativas a grafismos e capas nunca são feitas ao acaso. Há sempre bases e porquês para determinadas escolhas…
  • • O texto de não-ficção « Fantasia Urbana ou Romance Paranormal?», da Safaa, explora este mistério que é a catalogação dos livros por géneros, subgéneros, subsubgéneros, etc. E que para mim sempre foram exactamente isso: um mistério, sempre relativo. Ficamos um pouco mais explicitados, e foi interessante de ler.
  • • «As Cidades do Segundo Esquerdo», de Afonso Cruz, é talvez um dos contos que mais gostei de ler logo a seguir ao de George Martin, talvez pela escrita e originalidade me terem surpreendido. Fiquei apenas com pena do tamanho, porque tenho a certeza que a temática dava para construir um projecto muito maior!
  • • A secção de críticas foi uma desilusão. A sério. Esperava umas 10 páginas de críticas boas, mas o que li foram na sua maioria resumos dos livros; e posso dizer que pela blogosfera já tenho lido críticas aos mesmos livros, melhor realizadas! Sem querer desvalorizar o trabalho de quem as fez, senti que se agarraram muito ao enredo, e se afastaram um pouco da opinião (excluindo uma ou duas específicas de que gostei mais). Espero que apostem nesta secção um pouco mais, e alarguem, pois para mim a crítica é sempre uma área na qual se deve apostar, para que os leitores percebam se devem ou não ler um livro, segundo a opinião de uma dada pessoa. Mais objectividade, talvez.
  • • A secção de Banda Desenhada foi agradável de ler, com o seu artigo sobre a série “The Walking Dead”, livro que vi traduzido para português no outro dia na FNAC.
  • • A última página foi também do meu agrado, com as novidades literárias do fantástico esperadas para o próximo trimestre. Apenas como ponto negativo uma dada parte da crítica à trilogia de Anne Bishop, que me parece conter alguns spoilers (sérios?) no princípio do último parágrafo. Espero que não me estrague a surpresa da leitura…
No fundo, uma das poucas coisas que não gostei na Bang é do seu carácter trimestral que por mim, apenas leitor, podia ser reduzido! Embora compreenda perfeitamente o trabalho que dá fazer uma publicação destas. Cá estarei para ler o próximo número, e aqui fica a nota para todos os leitores do Lydo e Opinado: vão buscar a revista a uma FNAC perto de vocês. Ok? BANG!

Tiago

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Memorial do Convento - Crítica

Nome: Memorial do Convento
Autor: José Saramago
Editora: Caminho
Páginas: 493

Sinopse: "Era uma vez um rei
Que fez promessa de levantar
Um convento em Mafra.
Era uma vez a gente
que construiu esse convento.
Era uma vez um soldado
Maneta e uma mulher
Que tinha poderes.
Era uma vez um padre
Que queria voar e morreu doido.
Era uma vez."


Para ser sincera, nem sei bem como começar esta crítica. No entanto, vou tentar começar pelo mais óbvio: a maneira diferente como Saramago escrevia. Ao início foi muito complicado para mim entender onde devia fazer as paragens e cheguei mesmo a ler as mesmas frases vezes e vezes sem conta para lhes tirar algum significado. Então, comecei a ler em voz alta. A certa altura, familiarizei-me com a escrita deste senhor e comecei a conseguir ler normalmente. Encarei a sua maneira de escrever como um contador conta as suas histórias: com algumas paragens, mas sem realmente haverem muitos pontos finais. Com falas pelo meio e sem referências a quem realmente está a falar. No entanto, com o hábito, aquele tipo de escrita tornou-se tão fácil para mim de ler como outro qualquer.

Todo o livro foi fácil de ler, excepto o capítulo em que José Saramago quis contar-me a procissão do Corpo de Cristo. Foram santos e mais santos, uns atrás dos outros. Ora, àquela hora da noite - eu costumo ler antes de me ir deitar -, confesso que me deixou muito ensonada. No entanto, para compensar a secura deste capítulo, Saramago presenteou-me outro capítulo, o mais belo de todos. Considerei-o até um dos mais bonitos que li até hoje, daqueles que nos transmitem cores, sensações, cheiros, sabores. Tudo muito misturado, especialmente quando existem três personagens que o estão a viver simultaneamente.

Apesar do título, sinto que a construção do Convento de Mafra ficou para segundo plano nesta narrativa. O que mais se destaca no livro é a relação entre Baltazar e Blimunda, passando por Bartolomeu Lourenço e o seu sonho de voar - sonho esse que vai unir estas três pessoas bastante diferentes umas das outras. E é esse mesmo sonho que acaba por os separar. O último capítulo foi fantástico, pelo menos para mim. Tocou-me de uma maneira profunda e deixou-me pensativa. Mais um clássico lido e nem uma desilusão!

Personagens favoritas: Baltazar Sete-Sóis, Blimunda Sete-Luas, Bartolomeu Lourenço, D. João V, Maria Bárbara.

Nota: 8,5/10 - Muito Bom

Sara

sábado, 23 de outubro de 2010

Os Livros Desafortunados


Tenho a sensação de já ter falado deste assunto aqui no blog. Acontece que alguns livros que escolhemos ler são mesmo uns desafortunados... até podem ser a melhor obra que já nos passou pelas mãos (e nesse caso então, o azar chegaria ao extremo), mas pelas condições em que são lidos acabam por ser, às vezes, recordados com um pouco de desgosto. Ao pegar em "Underground", de Haruki Murakami, há quatro dias não estava à espera de na manhã seguinte acordar adoentado, constipação forte essa que está a durar até hoje (mas já estou melhor). Eu, falando por mim, tenho a sensação de que os livros que são lidos enquanto estou doente, são sempre uns desafortunados...

Colocava ainda a pergunta aos leitores do blog se, além desta situação, numa outra também acontece efeito semelhante. Já aconteceu falecer alguém próximo de vós enquanto liam um livro? A leitura ficou manchada por esse acontecimento? Gostava de saber as experiências das pessoas. E desculpem tocar neste assunto, se alguém não gostar dele. Eu próprio me sinto um pouco incomodado com ele...

Tiago

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Crítica - Sonho Febril

Título: Sonho Febril
Autor: George R. R. Martin
Tradutora: Ana Mendes Lopes
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 386
Preço Editor: 19,61€

Sinopse: «Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos. Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade».

Publicado originalmente nos Estados Unidos em 1982, esta obra de George R. R. Martin, muito anterior ao seu grande sucesso «As Crónicas de Gelo e Fogo», só agora é editada entre nós. Se tinha expectativas elevadas? Muitas. As Crónicas são responsáveis por esperarmos semopre muito de um autor que até então sempre nos surpreendeu. Este 'Sonho Febril', com a sua capa portuguesa maravilhosa, e sendo fantasia de George R. R. Martin já escrita há quase trinta anos, só podia prometer grandes coisas. Parti para a sua leitura entusiasmado e expectante.

Não me desiludi! É-nos introduzida logo desde o começo uma personagem que associaria como sendo tipicamente de Martin - Abner Marsh. Ao nível das suas melhores personagens de sempre, juntando com o TOP das presentes nas Crónicas de Gelo e Fogo. E é sob o olhar deste capitão que acompanhamos grande parte desta aventura. Este capitão tão peculiar e com o qual é tão fácil aprendermos a gostar da sua forma de ser. Descrito como o homem mais feio de todo o rio Mississipi, com os seus cento e cinquenta quilos e cara cheia de verrugas, tem uma maneira de ser muito forte e vincada. Esta personagem é responsável por 1/3 do gosto que tenho por este livro.

O dos 1/3 restantes estão no ambiente. Este mundo de meados do século XIX no rio Mississipi, com toda a história dos barcos a vapor, as cargas e descargas, as viagens atribuladas, as competições entre os barcos por um maior estatudo e fama... é simplesmente apaixonante. Dá vontade de lá estar a viver aqueles momentos. A descrição dos barcos, dos mais e menos luxuosos... identifiquei-me bastante com o ambiente descrito. Mágico e envolvente.

O último 1/3 do gosto não podia deixar de ir para o horror que caracteriza este livro. Não é uma história fácil, serena. Pelo contrário. Não se assustem os que fogem das modas quando eu disser que o tema principal do livro é exactamente 'Os Vampiros'. Agora reparem que há aqui uma grande diferença! Primeiro foi escrito muito antes da moda que agora houve. Depois, temos aqui uma dimensão mais palpável e assustadora destes seres. Longe de terem uma co-existência fácil com os humanos, ou de serem bonzinhos, ou de transformarem outros também em vampiros se assim o desejarem... temos aqui um conceito mais horroroso e monstruoso. Humanos e vampiros não se ligam, não se consideram iguais - e nisto há também uma constante referência à escravatura ainda existente na época, entre brancos e negros não se considerarem iguais. A comparação é feita constantemente! Atenção, aviso-vos: momentos de terror verdadeiramenre... repugnantes, diria assim. Perturbador.

Não querendo revelar spoilers, e não o vou fazer - adoro a posição que o tema "poesia" tem na obra. Entrando aos poucos na vida de Marsh, que no entanto nunca deixa de a chamar 'malditos poemas!', sentindo o contrário. Está muito bem conseguido.

Como pontos menos positivos tenho apenas o enredo da segunda metade do livro, que me parece um pouco mais pobre que a primeira. Quanto à tradução, embora boa na sua grande parte, tanto no princípio como no fim apresenta algumas repetições de palavras escusadas em sequências de frases muito próximas, e uma ou duas trocas de nomes que teriam ido lá com uma melhor revisão. Muito positiva, no entanto!

Fica pois a sensação que o livro correspondeu às altas expectativas que tinha criado, sem as ter no entanto nem ultrapassado nem ficado aquém. Uma obra que confirma George R. R. Martin como o meu autor preferido de fantasia, e que prova o poder que uma boa escrita tem de nos levar para longe do tempo e da realidade em que vivemos. Excelente!

Personagem Preferidas: Abner Marsh. Adorei!

Nota: 9/10 - Excelente

Tiago

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Novidades sob o meu olhar...


Chega Outubro e com ele uma série de novidades editoriais que são, por norma, as grandes apostas do ano. Entre os lançamentos deste ano, estes são os 4 livros que mais me estão a prender a atenção (do último ainda só conhecemos a capa e um pequeno excerto de três linhas, e nada mais!).
  • O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick
  • A Queda dos Gigantes - Ken Follett
  • Livro - José Luís Peixoto
  • Matteo perdeu o emprego - Gonçalo M. Tavares
Em princípio, estes quatro não me escapam - mais cedo ou mais tarde hei-de os adquirir e ler.

Tiago

domingo, 17 de outubro de 2010

Preso - Crítica

Nome: Preso
Autor: Tiago Mendes
Editora: [Não Publicado]
Nº de Páginas: 170


Esta crítica não vai conter todas as informações necessárias acerca do livro por várias razões. Primeira: Eu li o livro durante as aulas e nem sequer tomei atenção ao número de páginas, tentando que os professores não me apanhassem. Segundo: Foi o Tiago - sim, o Tiago aqui do Lydo - que o escreveu.

Comecemos então pelo início. O Tiago escreveu este livro para o NanoWrimo de 2008 e eu lembro-me perfeitamente de todos os comentários que ele ia fazendo, ao longo da sua escrita, quando chegava à escola. Eu sempre me senti curiosa para ler o livro e ele chegou mesmo a enviá-lo em documento Word, mas eu nunca arranjei tempo para o ler - e, por vezes, também me esquecia que o tinha n'Os Ficheiros Recebidos.

Até que ele o levou no outro dia para as aulas, já encadernado e prontinho para que eu pegasse nele e o lesse. Li-o em três aulas, ou seja, em quatro horas e meia.

Há momentos em que o Tiago se esquece que a história se passa na primeira pessoa e passa-a para a terceira, fazendo mesmo com que eu me confundisse um bocado. Mas foi quando me apercebi desse erro que deixei de fazer paragens e caretas para ele - sim, porque, enquanto o lia, ele estava ao meu lado. Para além desses pequenos erros, nota-se que, de vez em quando, ele estava a escrever a história um bocado à pressa pois existem erros de compreensão. Como, por exemplo, o facto de o personagem estar nu e, de repente, guardar uma pistola no bolso das suas calças. Mas isso eu compreendo bastante bem, pois também eu já participei num NanoWrimo. Existe sempre aquela pressão de, em cada dia, escrever cerca de 1.666 palavras para conseguir chegar ao fim do mês com as 50.000 palavras prometidas.

Para além destes pequenos defeitos, achei a história muito bem conseguida. O Tiago, mais uma vez, demonstrou-me que tem uma mente muito fértil e que a sua imaginação vai para além do imaginário. A sua escrita, naquela altura - sim, porque ele vai mudando de estilo - era fluída e muito fácil de compreender. Tendo conseguido criar uma história com pés e cabeça e com muito mistério à mistura, vou dar um Sete a esta obra ainda não publicada! Parabéns, Tiago.

Personagens favoritas: Afonso, Tiago (o primo), Luís.

Nota: 7/10 - Bom


Sara

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Crítica - Morreste-me


Título: Morreste-me
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Quetzal Editores
Nº de Páginas: 60
Preço Editor: 12,11€

Sinopse: «Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora. Um livro de culto há muito tempo indisponível no mercado português.»

Existem autores que, num mapa mental meu, não me podem escapar num determinado prazo. Há aqueles casos em que digo «até ao fim do ano tenho de ler um dele...», ou então o critério mais geral «um dia tenho de experimentar...». José Luís Peixoto pertencia a esta segunda categoria. Assistira a uma entrevista com ele, na televisão, há aproximadamente um ano, e ficara curioso. Mas com o lançamento recente do seu novo romance - Livro - começaram a chover críticas positivas pela blogosfera. Nomeadamente, que Livro era a melhor obra portuguesa desde O Memorial do Convento, de José Saramago. José Luís Peixoto passou de imediato para a primeira categoria. Queria lê-lo até ao fim do ano. Só que ontem, numa ida à FNAC, deparei-me com a sua primeira obra, «Morreste-me», e não consegui resistir. Trouxe-o, e li-o em pouco mais de uma hora hoje à tarde (longe de mim desistir do Sonho Febril, o qual estou a gostar bastante! Fiz apenas uma pausa de um dia).

Quando as expectativas partem muito elevadas, é normal que se sinta um pouco de desilusão. E foi exactamente isso que senti. O livro, de sessenta páginas, é um relato comovente e pessoal sobre os sentimentos do autor em relacção à morte do pai. É realizada uma viagem, um reavivar de memórias, e vive-se e sente-se a dor. A dor. Ao longo do livro.

Pareceu-me natural lê-lo em voz alta. Um livro como este chama a fazer isso. Li-o, pois, expressando-me conforme as palavras mo diziam para fazer. Já tinha lido que era um livro com muita dor... e isso confirmou-se... mas também tinha lido que esta se entranhava no leitor de forma quase invasiva... e isso não senti. Aliás, achei o relato um pouco distante. Talvez pela minha ainda breve experiência de vida, senti-me um espectador de fora a assistir, e não fazendo parte, como esperava que viesse a acontecer. Não sei se por ser a primeira obra do autor esse sentido pudesse ainda não ter sido apurado na sua escrita. Depois disso escreveu mais 6 de prosa... que tenciono ler.

O ponto alto do livro é a própria escrita: foge às regras. Longe do convencionalismo que se assiste na grande maioria dos livros que lemos, apresenta-nos um estilo de linguagem meio alternativo, sem receios. José Saramago, António Lobo Antunes, valter hugo mãe, Inês Botelho, e agora José Luís Peixoto. Os três primeiros nunca li, embora saiba que apresentam também eles particularidades ao nível da expressão. Agrada-me este modo alternativo de encarar a linguagem!

No fundo fica um sentimento de que li uma narrativa tocante, poderosa na maioria da sua extensão, triste toda ela - mas que, pela elevada expectativa, não me surpreendeu e desiludiu um pouco. O primeiro que José Luís Peixoto escreveu foi o primeiro dele que li. Fica a vontade de ler mais da sua obra, porque sem dúvida estou curioso por o fazer.

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vencedores do Passatempo 'Sonho Febril'!


E recebi o resultado do passatempo 'SONHO FEBRL', livro de George R. R. Martin, editado pela Saída de Emergência. A editora surpreendeu-me, apresentando o nome não de 1, mas sim de 3 vencedores! Entre as 188 participações (record no Lydo e Opinado!), pouco mais de dois terços apresentaram as respostas certas. Seguem-se então as respostas:

1- Abril de 1857
2- Casa da Plantação
3- Burgundy
4- Quatro.
5- Ouro/ Moedas de Ouro/ Vinte mil dólares em moedas de ouro.

E os vencedores são, por sorteio da própria editora:

Fernando Silva, de Alenquer

Patricia Dias, de Modelos

Inês Matos, do Lorvão

Parabéns aos três! Dentro em breve receberão nas vossas caixas de correio um exemplar deste livro de George R. R. Martin. Para todos os outros, muitos, participantes: obrigado pela vossa participação, e não deixem de ler o livro. Eu estou já na segunda metade do mesmo, e estou a gostar muito, como poderão depois ler pela minha crítica.

Uma última palavra de agradecimento à editora, por tornar possível este passatempo!

A Equipa do Lydo e Opinado

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nobel da Literatura 2010 - Mario Vargas Llosa!!


Eis que é divulgado o nome do Nobel da Literatura do ano 2010:

Mario Vargas Llosa

O escritor peruano é o galardoado deste ano pela Academia Sueca que atribui o Prémio Nobel. Ao meio-dia (hora de Portugal) foi divulgado como vencedor.

O blog Estante de Livros publicou um muito útil link que vos leva à totalidade da obra do autor publicada em Portugal. Este ano não são poucos os títulos que temos entre nós do recém eleito Nobel! Carreguem aqui.

A justificação por parte da Academia para atribuição do prémio foi "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos".

[Post em constante actualização]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crítica - Sobre a República (Fernando Pessoa)


Título: Sobre a República
Autor: Fernando Pessoa
Editora: ÁTICA (Guimarães Editora)
Nº de Páginas: 57
Preço Editor: Grátis com o jornal i

Sinopse: «Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos - porque estes contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regímen a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República».


Este é um dos dez livros da colecção dedicada a Fernando Pessoa, que o ano passado saiu semanalmente com o jornal i, grátis. Já tinha lido cinco deles, e este agora tornou-se o sexto. Já o ano passado o tinha guardado especialmente para o ler durante o centenário da revolução da República, o que seria mesmo a calhar em relação ao conteúdo do livro. Além disso, juntando-se o útil ao agradável, a seguir a ler o maior livro do ano (Os Miseráveis - 1088 páginas), também sabe bem ler um dos mais pequenos - 57 páginas!

O que eu não estava nada à espera era de encontrar neste livro uma faceta de Fernando Pessoa que ainda não tinha descoberto... é que ao manifestar-se contra o modelo da República aplicado após o 5 de Outubro, o autor e exalta-se e não se poupa em insultos, chegando mesmo a "proferir" algumas palavras mais pesadas... não hesita em insultar os chefes políticos da época, principalmente Afonso da Costa.

Na maioria dos textos manuscritos, acontece existirem quase uma dezena de palavras por página com um "[?]" à frente, que tem como significado não se perceber se a palavra que está escrita é exactamente aquela. Não me parece que a abundância de símbolos destes ao longo de todo o livro se devam apenas à letra difícil de Pessoa. Fiquei com a ideia que o próprio autor tremia enquanto escrevia as palavras, porque o discurso, esse, não há margem para dúvidas que é tremido e exaltado.

Texto curioso de se ler na véspera do dia em que a República fez cem anos, porque mostra uma opinião legítima e negativa do acontecimento que está a ser tão falado a nível nacional. Pena que ninguém pareça lembrar-se da opinião de Pessoa neste momento, porque sem dúvida que os seus argumentos dariam pano para mangas... desde quando chama trapo à bandeira nacional, até "Vem o Senhor Afonso da Costa... aquilo é que é uma besta!", um livro que mostra uma visão da República pelos olhos de um intelectual insatisfeito da época. Curioso e interessante.

Páginas: 57

Nota: 6 (em 10) - Agradável

Tiago

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Crítica - Os Miseráveis


Título: Os Miseráveis
Autor: Victor Hugo
Editora: MEL Editores
Nº de Páginas: 1088
Preço Editor: 21,50€


Pode acontecer que a opinião abaixo se torne desmesuradamente extensa; não seria de estranhar se assim o fosse, pois os últimos quatro meses passei-o com este romance de 1088 páginas. Vou-vos contar o princípio da minha experiência de leitura. Comecei a obra a 23 de Maio – a 26 de Junho, com um terço do livro lido, descubro que afinal a edição que tinha cortava longas partes e resumia outras. Comprei um volume único com toda a história e reiniciei a leitura. Em post de 27 de Junho, referia que a crítica poderia demorar, assim, “mais uns tempinhos”. Esses “tempinhos” acabaram por ser mais de três meses. Há muito tempo, diria anos, que não demorava tanto a ler um livro. É certo que era grande, mas não justificava três meses.

Os Miseráveis, do autor francês clássico Victor Hugo, era uma das obras que estava na minha mira desde há tempos. Não conhecia nada da história, absolutamente nada. E no entanto a curiosidade dominava-me sempre que ouvia o título. Quando o recebi nos meus anos, no princípio de Maio, soube de imediato que não conseguiria evitar a sua leitura nos tempos mais próximos. Aconteceu vinte dias depois, e o resto já expliquei acima.

Este romance é grandioso. Mas tenho de começar com uma expressão chave importantíssima para classificar a minha crítica: sentimento ambíguo. Victor Hugo não hesitou nas suas escolhas, e ao decidir misturar ficção com não ficção criou um texto irregular, principalmente para o leitor. Ou seja, o que me incomoda não são as primeiras cinquenta páginas, que se podiam resumir numa frase: “O bispo de Digne era um homem verdadeiramente bondoso e santo”, as quais são enchidas de pormenores, e ao longo da qual é descrita por completo a personagem do bispo, que acaba por ter um papel curto na acção. Não, não é isso que me incomoda, até porque gostei dessa parte. O problema está nas quarenta páginas da descrição exaustiva da Batalha de Waterloo, no livro “Parêntesis” que engloba uma visão do convento como “ideia abstracta” e “facto histórico”, nas vinte páginas sobre um extracto da história da França, as outras vinte sobre uma revolução que houve, sobre a gíria dos gaiatos franceses… etc. São de certeza às dezenas os devaneios que Victor Hugo faz para lá do necessário à história.

Quando ao autor apetece sair das personagens e do enredo, começa a divagar – e isto sempre com um respeito solene pelo leitor, com expressões como “permitirá o leitor que façamos uma pausa na nossa história”. E eu só a apetecer-me dizer “Não permito, continue lá”. Podia simplesmente passar à frente, mas isso seria ridículo, visto que eu próprio quisera ler a versão sem ser abreviada. E a verdade é que, no fim, os meus olhos passaram por cada palavra d’ Os Miseráveis! Mesmo que, em certas passagens mais políticas e de linguagem administrativa ou militar, o meu cérebro como que se desligasse para meio gás, e apenas ficasse com uma ideia geral do que estava a ler. Tinha que ser, porque se estivesse concentrado e entender cada detalhe do que estava a ser falado, a leitura durava-me quase até ao fim do ano.

Mas a história que temos como enredo é… linda. Arrebatadora. Em linhas gerais, a sinopse da história poderia ser qualquer coisa como isto: ao cair da noite, chega à cidade de Digne um homem de nome João Valjean. É um condenado aos trabalhos forçados nas galés, das quais agora foi libertado, e onde passou vinte anos preso pelo roubo de um pão e pelas sucessivas tentativas de fuga. Vem como um despojo de um homem, desolado e sem ânimo, disposto a enveredar novamente por uma vida no crime como único meio de sobreviver. Mas, eventualmente, a sua alma é iluminada, resultado de um encontro que é obra da Providência. E João Valjean torna-se assim um homem muito diferente… ainda assim um reincidente procurado, por ter roubado um miúdo assim que saiu da cadeia.

A obra tem momentos de beleza indiscutível. Um leque gigante de personagens, umas mais interessantes do que outras, é certo, que povoam as imensas páginas do livro. A miséria é um ponto de grande destaque, e vamos tomando consciência das injustiças sociais que existiam na altura. Por vezes são avassaladoras e comoventes, deixando-nos com uma sensação de impotência perante os problemas da sociedade, a pobreza extrema.

Para mim a obra divide-se em três fases de escrita, apesar de no livro existirem Cinco Partes. As primeiras duas formam uma escrita de acção e emoção que considero as melhores conseguidas de todo o livro. Da parte 3 a meio da parte 4 temos uma fase à qual não pude deixar de comparar a leitura de Os Maias, pela descrição dos ambientes, e o estilo de escrita que de certeza foi inspirar Eça de Queirós vinte anos mais tarde. E do meio da parte 4 até ao fim temos um terceiro estilo, que não consigo definir tão bem, mas que em parte mistura os dois primeiros.

A tradução portuguesa, também da época, está muito bem feita e inclui vocábulos clássicos, o que confere ao texto uma veracidade tal que parece que a obra foi escrita originalmente em português. A edição da MEL Editores também está bastante boa, tendo apenas encontrado uma porção ínfima de erros gráficos para o tamanho da obra!

É difícil continuar sem enveredar por caminhos que estraguem a surpresa a quem ainda não leu, e quanto a isso não há com que se preocuparem porque não o vou fazer. Está aqui um livro à minha frente com o qual passei um quarto do meu ano 2010, com o qual passei momentos de aborrecimento, momentos de entusiasmo, momentos de contemplação perante uma obra de arte da literatura. Está aqui à minha frente um romance de qualidade indiscutível, com desvios diria inoportunos para assuntos acerca dos quais não tinha tanto interesse, mas com uma pintura de fundo bem viva e marcante. Temos uma história que aborda vários temas em várias frentes, e que no fundo acaba por ser um ensaio do sentido da vida do Ser Humano. De nunca ser tarde de mais para uma alma se modificar.

Se aconselho? Sim. Um aviso, no entanto, desde já. Quem se aventurar na leitura deste romance de Victor Hugo, e fará essa pessoa muito bem, terá de ter a coragem e a força de vontade para não desistir. Não é uma leitura fácil em certos pontos, e de quando em vez lá o ritmo afrouxa e somos obrigados a ler devaneios políticos ou de outro cariz. No entanto, para aqueles que conseguirem prosseguir, encontrarão nesta obra momentos que valem pelos de aborrecimento, um enredo de fundo que entusiasma, numa linguagem não tão clássica como seria de supor. E quando chegarem ao fim terão uma opinião muito positiva sobre o que terminaram de ler. Não me tendo arrebatado, nem conquistado totalmente, cativou-me o suficiente para poder dizer que estou perante um clássico da Literatura Universal o qual gostei muito de ler. E que um dia, muito longínquo, desejarei com certeza relê-lo. Até lá, inspirar-me-ei em tudo o que resultou da minha leitura para, quem sabe, mudar um pouco a forma de ver o mundo.

Páginas: 1088

Personagens Preferidas: Jean Valjean, Epopina e Srª Thénardier.

Nota: 8/10 (Muito Bom)

Tiago

domingo, 3 de outubro de 2010

Visual renovado!


O Lydo e Opinado tem o prazer de apresentar aos seus seguidores, assíduos ou mesmo irregulares, um visual ligeramente renovado. Queríamos mudar qualquer coisa no blog, mantendo o mesmo esquema de cores. Acabámos por manter o mesmo fundo, o esqueleto mantém-se inalterado, e a mudança recaiu apenas sobre a imagem superior (o banner), e os botões do topo da barra lateral.

O nosso principal objectivo é actualizar o conceito do nosso blog. A frase por debaixo do título que tínhamos antes era: "Um blog sobre leitura: livros, e críticas aos mesmos. E, acima de tudo, um espaço para os amantes da leitura!". Achámos que, entretanto, as coisas tinham mudado. E este "livros, críticas, autores, passatempos, entrevistas, editoras, novidades literárias" reflecte melhor o que é actualmente o Lydo e Opinado.

Esperemos que as alterações sejam do vosso agrado. Se por algum motivo não vos entusiasma particularmente esta nova imagem, informem-nos através do vosso comentário. A mudança não é radical, mas a opinião dos visitantes é a que mais conta.

Tiago

P. S. Se andarem uns centímetros mais para baixo na página, poderão participar no passatempo que está a decorrer desde sexta-feira, relativo ao novo livro de George R. R. Martin editado em Portugal - Sonho Febril. Boa sorte a todos os participantes!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Passatempo - Sonho Febril


Eis que é dado início ao mais recente passatempo do Lydo e Opinado, em colaboração com a editora Saída de Emergência, no qual irá ser oferecido ao vencedor um exemplar do livro 'Sonho Febril' de George R. R. Martin - lançado hoje para as livrarias nacionais. Para participares basta preencheres o formulário abaixo.

As respostas às perguntas encontram-se todas no primeiro capítulo do livro, que poderás ler carregando aqui.

Relembro as regras básicas, de que apenas aceitamos uma participação por pessoa e por morada. Os dados que derem (nome, morada, e email) serão utilizados apenas caso sejam o vencedor; e eliminados de imediato após a determinação do mesmo. Apenas a administração do blog e a própria editora terão acesso aos dados. Acho sempre importante informar acerca deste destino dos dados para que as pessoas estejam cientes do destino da informação que dão - eu preocupo-me sempre quando participo em coisas assim.

A escolha do vencedor será feita ao acaso entre todos os participantes que acertarem às questões. O passatempo decorrerá durante cinco dias, terminando o prazo de participação às 23:59h do dia 10 de Outubro, um Domingo. Resta-me desejar boa sorte a todos!




A Equipa do Lydo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Amanhã... passatempo 'Sonho Febril'!


Lembram-se de termos anunciado o lançamento deste novo livro de George R. R. Martin, 'Sonho Febril', para dia 1 de Outubro? Agora lembramos de novo esse acontecimento, com o acréscimo de que nesse mesmo dia faremos aqui pelo blog um passatempo no qual sortearemos um exemplar do mesmo!

Fica atento.

Tiago

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Novidade - 'A Queda dos Gigantes', de Ken Follet


Há livros cujos lançamentos são em grande. Tudo em grande. Este parece ser um desses exemplos. O novo romance de Ken Follet (autor em grande), será publicado ao mesmo tempo em múltiplos países, já com as devidas traduções (cobertura mundial em grande). O projecto é o primeiro de uma trilogia que acompanhará gerações de diferentes famílias ao longo do século XX (não vos parece algo grande?). Tem 928 páginas (muito grande!). E, para terminar, um preço que é tudo menos pequeno - 29,95€ de preço editor.

De Ken Follet apenas li 'Os Pilares da Terra', aqui há uns dois anos e meio, e posso dizer que adorei. Se na altura me marcou imenso, hoje posso dizer que continua a ser das minhas obras favoritas de sempre, além de ter sido provavelmente um trampolim que me transportou de uma dimensão literária para outra.

A sinopse dá vontade de pegar e devorar... mas a verdade é que desenvolvi um certo trauma em relação a livros deste calibre (tamanho), e as mais de 900 páginas assustam-me e fazem-me hesitar. Assim como o preço. Fica então aqui expresso o desejo de o ler, mas também a certeza de que em princípio esperarei por uma altura mais propícia. Deixo-vos então com a sinopse:

Um documento extraordinário, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.
Ken Follett, esse grande mestre do romance, publica uma nova obra de grande fôlego histórico, a trilogia O Século, que atravessará todo o conturbado século XX. Neste primeiro volume, travamos conhecimento com as cinco famílias - americana, alemã, russa,inglesa e escocesa - que nas suas sucessivas gerações serão as grandes protagonistas da trilogia. Mas não esgotam a vasta galeria de personagens, incluindo figuras reais como Winston Churchill, Lenine ou Trotsky, que irão cruzar-se numa complexa rede de relações, no quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino.
Tiago

P. S. : Quanto aos Miseráveis... não fui tão rápido como queria, e parece que o vou ter de aguentar mais alguns (poucos) dias...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Já faltou mais...


É verdade, sim senhor. Já faltou mais... para terminar a leitura d' Os Miseráveis, de Victor Hugo. De longe, a minha aventura literária mais longa deste ano, se não de sempre. Estou há quase quatro meses a ler este livro: o andamento não é fácil, como se pode comprovar. Mas a verdade é que, a 200 páginas do fim, o ânimo está redobrado, e estou determinado a terminá-lo até Domingo. Vamos ver no que dá - e depois cá farei a minha crítica (aviso desde já que não deverá ser uma coisa pequena...).

Coragem, Tiago!

Tiago


PS: Estou em crer que, assim que terminar este livro, regressarei ás leituras com unhas e dentes. Como se Os Miseráveis fossem uma rolha, eu a vá tirar da garrafa, e depois sai tudo cá para fora. Isso também significa mais actividade no Lydo e Opinado.

domingo, 19 de setembro de 2010

Nova Aquisição - 'About a Boy'!


Qual o resultado de escolher a disciplina opcional de Inglês no 12º ano de Línguas e Humanidades? Ler livros que provavelmente nunca teria conhecido sequer de outra forma. Este 'About a Boy' de Nick Hornby parece bastante interessante e já o adquiri - na sua língua original. Pelos vistos vou ter de o ler e analisar para a disciplina. E pelos vistos já existia uma adaptação cinematográfica e eu nunca tinha ouvido falar. Estive a ler a sinopse e parece-me interessante:

Will is thirty-six but acts like a teenager. He reads the right magazines, goes to the right clubs and knows which trainers to wear. He's also discovered a great way to score with women - at single parents' groups, full of available (and grateful) mothers, all waiting for Mr Nice Guy. That's where he meets Marcus, the oldest twelve-year-old in the world. Marcus is a bit strange: he listens to Joni Mitchell and Mozart, he looks after his Mum and he's never even owned a pair of trainers. Perhaps if Will can teach Marcus how to be a kid, Marcus can help Will grow up...

E já encomendei mais outro livro, também para analisar na disciplina, que tem de se mandar vir de lá de Inglaterra porque cá não existe. Quando o tiver nas mãos digo qual é.

Tiago

sábado, 18 de setembro de 2010

Crítica - After Dark, Os Passageiros da Noite


Título: After Dark - Os Passageiros da Noite
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Maria João Lourenço
Editora: Casa das Letras
Nº de Páginas: 225
Preço Editor: 16,15€

Sinopse: Por uma noite, Murakami leva-nos com ele através de uma Tóquio sombria, onírica, hipnótica. Um deslumbrante romance perpassado de uma singular atmosfera poética, na fronteira entre a realidade e o universo fantasmático, onde cada pormenor, olhado retrospectivamente, faz sentido. Num bar, Mari encontra-se mergulhada num livro, enquanto bebe o seu chá e fuma cigarro atrás de cigarro. Às tantas, entra em cena um músico que a reconhece. Ao mesmo tempo, encerrada num quarto, Eri, a irmã de Mari, dorme com os punhos cerrados, sem saber que está a ser observada por alguém. Em torno das duas irmãs desfilam personagens insólitas: uma prostituta chinesa vítima de agressão, a gerente de um hotel do amor, um técnico informático, uma empregada de limpeza em fuga. Sucedem-se acontecimentos bizarros: um aparelho de televisão que, de um momento para o outro, começa bruscamente a funcionar, um espelho que conserva os reflexos. Em Tóquio, durante as horas de uma noite, vai desenrolar-se um estranho drama...


Há uns meses passou-me pela cabeça uma ideia meio tresloucada. Quem me conhece sabe que eu não sou pessoa de ler rápido, demoro um tempo considerável por página. Daí que por vezes demore mais tempo do que gostaria a ler um livro. Há no entanto um autor chamado Haruki Murakami, japonês, que me hipnotiza com as suas palavras e me deixa agarrado às suas obras. Quando na Feira do Livro de Lisboa deste ano comprei o “After Dark – Os Passageiros da Noite”, decidi quase de imediato que, quando o lesse, seria de seguida, numa só noite. Pareceu-me uma decisão natural – como todo o enredo era também todo ele passado nas horas de lua, porque não ler em tempo real? A ideia aliciou-me.

A noite de 5 de Setembro foi a escolhida. Fui beber água, acender a luz do quarto, abrir a janela e fechar os estores, encostar a porta do quarto, abrir o armário, pegar no livro, deitar-me na cama, encará-lo de frente, olhar para ele numa antevisão do que o serão me prometia. Eram 10 horas da noite e vinte minutos. As minhas previsões feitas antecipadamente, tendo em conta as 220 páginas, diziam que demoraria entre 5 a 6 horas. O meu coração batia acelerado só na perspectiva da aventura em que ia entrar. Por fim abri na primeira página do primeiro capítulo.

«Diante de nós desenham-se os contornos da cidade.»; sim, vejo-os, todos os altos arranha-céus, os limites, as ruas, as esquadrias e as assimetrias, tudo o que uma cidade pode oferecer ao nível da forma. Vejo-os diante de mim como se lá estivesse. Bastou uma frase para ser puxado – com Murakami é sempre assim, visto que parto à partida com a certeza de que aquele é o meu ambiente, e não precisarei de tempo para me ambientar. Atiro-me de cabeça.

As primeiras duas páginas são mais do que imagens – é todo um conforto que sinto de me imaginar lá, no meio de toda a vivacidade da noite japonesa, o movimento em Tóquio, a azáfama das ruas; tudo isso são presenças – células – circulando pelas ruas – artérias. Toda a cidade é um corpo. A metáfora de Murakami conquista-me facilmente, porque consigo imaginar que o é de facto. Cada cidade é um corpo composto de inúmeras células, sempre em metabolismo, sempre trazendo algo de novo umas às outras.

Há qualquer coisa de muito cativante no princípio desta história. Em poucos parágrafos Murakami dá-nos a conhecer o cenário deste livro, e todo o mecanismo vivo que o vai alimentar. Na noite de Tóquio existe toda uma quantidade de pessoas diferentes, que estão ali com objectivos diferentes, cada um vivendo para a sua própria noite – a noite particular de cada um deles. Mas que, no fundo, está sempre em contacto com as dos outros. A minha história de vida que se cruza com outra história de vida quando sou interpelado na rua. Cruzamentos e ligações que se darão debaixo do néon luminoso, e os ecrãs que vão diminuindo o seu brilho e som à medida que se aproxima a meia-noite.

Ao invés de sentir que o dia acabou, sinto que é a noite que está a começar. A minha e a de todas aquelas personagens que as poucos me vão sendo apresentadas, e as quais acompanho de tão perto sem que possa interferir na acção – é Murakami que leva aqui e ali, apontando para os sítios onde devo olhar. A certa altura entro na dúvida se estarei a ler um livro, ou a ver um filme. A linguagem do autor neste livro, em particular, é muito cinematográfica; em certos pontos parece-se extraordinariamente com um guião. Uma nova faceta da sua escrita que, após sete livros, ainda não conhecia! Tive de esperar pelo oitavo (pergunto-me o que ainda virá nos próximos por ler…).

A primeira metade do livro é tudo menos silenciosa. Temos música de fundo em muitos dos capítulos, ou que vai tocando nos bares, ou nos restaurantes, ou nas lojas, ou que as personagens simplesmente cantarolam. Há muito jazz, referindo logo à partida a música que provavelmente também serve de mote para o título do livro: “Five Spot After Dark”. Mas não só! Blues, música clássica, e mesmo música pop japonesa… temos de todos os tipos de sonoridade nesta obra. Ah, e é claro, também temos a música das palavras e dos diálogos. E a do silêncio.

O fim, igual a tantos outros de Murakami, completa-me. Os finais abertos deste autor conquistam-me pela magia que transmitem – nada está terminado, apenas vamos deixar de contar por aqui. Existem tantas histórias por desenrolar, e podemos calcular o que aconteceria a seguir. Mas a noite tem fim. E ao nascer do sol as pessoas levantam-se e começam um novo dia. Para quem viveu intensamente a noite, neste drama sinistro, melodramático, tão pessoal e comovente, é agora altura de descansar – sozinho ou junto de quem se mais gosta. Com a esperança de que as últimas seis horas tenham mudado positivamente a vida a uns, e a tristeza de que para outros tenha sido tão profundamente cruel. E ainda há aqueles para quem a noite não passou disso – mais uma igual a tantas.

No fundo, este livro continua com o leitor muito depois de ter terminado. No fundo não conseguimos deixar de pensar na forma como a vida é tão sensível às mudanças exteriores, que cruzarmo-nos com uma dada pessoa pode mudar uma perspectiva de vida. Passageiro da noite como fui, às três da manhã pousei o livro na minha mesa de cabeceira, depois de ler a última página, fechei a janela, apaguei a luz, deitei-me e adormeci. Sabendo que a manhã seguinte seria um novo dia… mas que “After Dark” ia continuar comigo por muito, muito tempo.

Personagem Preferida: Naoku, e Mari, e o músico de jazz.

Nota: 9/10

Tiago


PS: Quanto à leitura dos Miseráveis, que se estende já por todo o Verão, entrei agora nas últimas 250 páginas, e espero lançar-me até ao fim. Já não era sem tempo, não é?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Filha da Profecia - Crítica

Nome: A Filha da Profecia
Autora: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Tradução: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
Páginas: 477
Sinopse: "No seguimento de A Filha da Floresta e O Filho das Sombras, Juliet Marillier apresenta-nos agora A Filha da Profecia, assombrosa conclusão da trilogia Sevenwaters. Uma história de lealdade e amor carregada de elementos mágicos, que recorda o passado Celta da Irlanda.
Fainne foi ciada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre artes mágicas.
Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma. Quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters com o objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos para impedir o cumprimento de uma profecia.
A trilogia que apresentamos traz-nos toda a riqueza da mitologia celta e o fascínio dos contos de fadas que vivem no nosso imaginário, transportando-nos para um mundo de aventuras e misticimo."


Uma coisa que me chamou bastante a atenção neste livro foi o facto de ser contado por Fainne, uma rapariga que é completamente diferente de Sorcha e Liadan. O que a diferencia, principalmente, é o facto de o seu "lado mau" estar muito presente, ao contrário das outras, que foram as heroínas dos livros e anteriores e, também, as "boas da fita". Para além disso, apesar de o título ser um grande spoiler, adorei a maneira como o livro deu a volta à profecia em si.


Também adorei o novo casal. Com características completamente diferentes e imensos obstáculos a separá-los, acabaram por tornar-se ainda mais interessantes e deliciosos de acompanhar. Foi, talvez por isso, um grande prazer ler as últimas páginas. A história deste livro parece distanciar-se um pouco dos outros dois livros. No entanto, acaba por fazer todo o sentido que assim seja.


Achei a luta final um pouco maçadora, pois estava à espera de algo muito maior, algo que demonstrasse os verdadeiros poderes de Fainne - o que não aconteceu. Pareceu apenas uma troca de insultos, palavras e feitiços.


No entanto, vou dar, mais uma vez, a nota máxima a este livro. Gostei, especialmente, do facto de este nos alertar para o futuro - que agora é o presente. A maneira como eles se ligavam à Mãe Natureza e a veneravam, é algo que me fez ler estes três livros com muito apetite. Talvez não consiga aceitar por completo a religião cristã por pensar mais ou menos como eles. Mas isso já não é chamado para aqui. E a maneira como os livros acabam por se interligar com os tempos de hoje também me fascinou bastante.


Na minha opinião, foi o mais fraco dos três. Mas não deixou de ser fantástico!


Personagens favoritas: Fainne, Ciarán, Finbar, Darragh, Johnny, Sibeal, Sean, Conor.


Nota: 10/10


Sara
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