quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Crítica - O Banqueiro Anarquista

Posso dizer que nunca tinha lido um livro que fosse considerado um ensaio - e é desta forma que eu catalogo esta obra de Fernando Pessoa, mesmo não sabendo se é considerada ou não assim: um ensaio! Acerca do Anarquismo, e de todos os pradoxos relativos a essa teoria política/social. Este tipo de temas despertam em mim alguma curiosidade; cada vez mais me interesso pelos temas políticos da actualidade, daí que tenha apreciado a leitura d' O Banqueiro Anarquista.

Publicado originalmente no nº1 da revista «Contemporânea», em 1922, esta é a história curta (são só 57 páginas) de dois homens que se encontram sentados numa mesa. Um deles é o narrador presente. O outro é o banqueiro, que afirma ser mais anarquista do que qualquer outro membro das «organizações operárias». Ora o Anarquismo, resumindo aquilo que compreendi da leitura do livro, é um sistema político que rejeita todos os tipos de sistemas políticos, ou seja, não existem diferenças sociais entre as pessoas! O poder não está concentrado em ninguém!

Ora, à partida, ser banqueiro (e ser rico) entrava em curto-circuito com o facto de defender e dizer praticar o anarquismo. Pois ao longo de toda a conversa, vai-nos explicando que não! Que ser banqueiro é, aliás, uma forma bastante legítima de ser anarqista!

Um livro original - um ensaio, como digo - que esclarece as pessoas acerca desta teoria. E, na minha opinião, uma excelente forma de começar a ler a prosa de Pessoa. Após ter lido dois livros deste grande senhor, e tendo ainda mais oito por ler até ao fim do ano (os que estão a vir semanalmente com o jornal i, grátis), este autor merece já uma posição de destaque na minha consideração. Espero curioso pelo próximo dele.

Páginas: 57

Personagem Preferida: O Banqueiro. Entre um e o outro, não é difícil escolher...

Nota (0/10): 6 - Agradável

Tiago

2 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Engraçado como um livro publicado há quase 100 anos pode ser tão actual... só vindo de Fernando pessoa, claro!!!

Alexandre Espanhol disse...

Sinceramente nunca li prosa Pessoana. Mas se há poeta que desperta em mim algo de diferente, certamente ele é esse poeta. Ele e o Álvaro de Campos.

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