Autor: Álvaro de Campos [Fernando Pessoa]
Editora: Ática
Nº de Páginas: 53
Preço Editor: 1€ (com o jornal i)
Sinopse: «Continua o Fernando Pessoa com aquela mania, que tantas vezes lhe censurei, de julgar que as coisas se provam. Nada se prova senão para ter a hipocrisia de não afirmar. O raciocínio é uma timidez - duas timidezes talvez, sendo a segunda a ter vergonha de estar calado. (...)
Diga ao Fernando Pessoa que não tenha razão.»
Começa Álvaro de Campos por dizer, neste pequeno livro de pequenos ensaios e opiniões, que os jovens estão bem é calados, e que essa é a única maneira de terem razão. As opiniões são para os velhos! Os novos que aproveitem a juventude, «estudem ciências, se estudam ciências! Estudem artes, se estudam artes! Estudem letras, se estudem letras». Dessa forma directa põe tudo no seu devido lugar, ou como ele achava que seria o devido lugar.
É claro que, como jovem, não podia estar mais do que em desacordo. Senhor Álvaro de Campos, as opiniões não nascem perfeitas em ninguém. Mesmo que as primeiras cometam falácias ou caiam em lugares comuns e erros precipitados, são um primeiro passo inevitável para que, mais tarde, se desenvolvam e... ai! Já estou a cair no mesmo erro do Álvaro de Campos. Passo a explicar:
Apeteceu-me ler qualquer coisa pequenina, depois de uma leitura densa d' As Duas Torres. O que vale é que ainda tinha 6 livros do Fernando Pessoa, que vieram com i no final do ano passado, à minha espera na estante. Pequenos, e dão sempre que pensar. Peguei neste Aviso por Causa da Moral e outros Textos sem qualquer razão especial. Comecei a ler. As primeiras duas páginas ainda escapam, mas depois começa-se a entrar em linguagem técnica demasiado avançada, pensamentos e sequências lógicas que incluem as expressões: «sociologia relativa», «estética não aristotélica», «foco emissor abstracto sensível», entre outros... é claro que tem alguns pontos positivos, como a escrita de Pessoa - perdão! - de Campos não podia deixar de ter. Algumas ideias mostram-se originais. Mas como não-ficção ensaísta que é, tive de esforçar-me bastante para extrair essas pequenas jóias.
No geral, é um livro para ser lido por aqueles que já leram outras obras do autor - mais uma faceta deste génio. Além de saber escrever poesia e manejar a prosa de uma maneira muito peculiar, era um ser inteligente e de ideias próprias bem marcadas. Leitura que recomendo com reservas, mas, apesar de tudo, interessante.
Nota (0/10): 5 - Razoável
Tiago