quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Crítica: O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro [Fernando Pessoa]

Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...

Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.

Com este poema, o XI do livro "O Guardador de Rebanhos", Alberto Caeiro resume a essência da sua poesia - embora, na minha opinião, ele o faça sempre, a cada poema. Cada estrofe de cada página tem em si resumido o mesmo pensamento, a mesma filosofia: a de que não devem existir nem pensamentos nem filosofias, e devemo-nos limitar a apreciar o mundo através dos sentidos. É isto.

Alberto Caeiro, que é um heterónimo de Fernando Pessoa, escreveu este livro todo durante uma só noite de insónia. A Natureza está presente ao longo de todos os versos, e o desinteresse pelos parâmetros ditos normais na poesia (tais como as rimas - ele diz que raramente se encontram duas árvores iguais uma a seguir à outra; assim deve ser com as terminações das palavras).

E também eu li este livro assim, de uma só vez; a história até é engraçada. Faltou a luz, eram sete da tarde, e estava sozinho em casa. O que fui eu fazer? O mais improvável. Fui buscar o livro à minha estante, peguei numa lanterna, e fui até à sala. Li o livro todo a declamar, a interpretar, a absorver o sentido dos poemas... fiquei um bocado rouco no fim, mas valeu a pena. Foi uma boa experiência.

A seguir à Mensagem, de Fernando Pessoa, este é o segundo livro integral de poesia que leio na minha vida. Sim, faz tanto sentido como a prosa. Tem tanta lógica, tanta sequência das ideias, tanta ou mais emoção... experimentem a escrita de Fernando Pessoa através deste livro. Linear, emotivo, sensível... e dá que pensar.

Páginas: 70

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago

3 comentários:

Sássára disse...

TIAGO MUITO MENDES, eu ia hoje fazer a crítica d'Os Maias xD Aiaiai. Já estou a ver que vou ter de o fazer depois do Natal e não me apetecia nada, mas enfim.

Já podes mudar ali a barrinha do lado direito e meter O Nómada, se faz favor. Mete com 1 página, que ainda não comecei (mas vou começar hoje *.*).

Sássára disse...

Desculpa, mas sabes que não sou muito dada a poesia.

Andreiia (Nico hihi) disse...

Apesar de apreciar mais Álvaro de Campos ou o próprio e unico Fernando Pessoa, tenho de admitir que Alberto Caeiro me desperta muitos sentimentos.. em cada poema, em cada verso, em cada palavra!

A poesia diz tanto ou mais.. e por dizeres que leste os poemas em voz alta, ate a representar, fizeste-me lembrar de mim, exactamente. A poesia puxa-me tanto para o teatro.. tanto para a necessidade de mostrar e deitar para fora o que sentimos :)

e comentei tambem porque comprei um livro da mesma editora, igualzinho, mas de fernando pessoa hehe

bj grande meu maquinista do coraçaaao **

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