sábado, 6 de março de 2010

[Crónica] A Literatura Lusófona - Tiago

Para me debruçar sobre um tema como a importância que a literatura lusófona tem para os leitores portugueses, e a importância a nível mundial, comecei por debruçar-me no TOP 5 actual de ficção das livrarias Fnac, Bertrand e Wook. Na primeira não temos nenhum, e na segunda e na terceira temos apenas 1. Parece que os livros de língua portuguesa, pelo menos nestes últimos quinze dias, tiveram valores de venda baixos, em comparação com os de língua estrangeira. Em 2008 registei aqui no Lydo e Opinado, no princípio de Agosto, um TOP 5 da FNAC na altura, e acho que será interessante comparar: 3 livros de língua portuguesa.

Ora, e embora esta questão dos TOPS seja muito relativa, acho que esta quebra é significativa. É certo que de vez em quando temos um livro de José Rodrigues dos Santos, de José Saramago, e outros, que vende centenas de milhares de exemplares em poucas semanas. Mas a verdade é que, e isto do meu ponto de vista, parece que nos estamos a reduzir cada vez mais uma pequena elite de autores que vende muito, e existem muitos portugueses que caem no esquecimento e se refugiam em pequenos mercados de literatura. Nomeadamente novos talentos.

E a literatura lusófona no estrangeiro? Temos José Saramago, Miguel Sousa Tavares, José Rodrigues dos Santos, Mia Couto, Pepetela, Chico Buarque, e de certeza me escapam alguns nomes... mas pelo que vejo não tem grande destaque nos restantes países.

Acredito, no entanto, no reverso desta situação. Temos por um lado a colecção de livros da revista Visão, totalmente dedicada à literatura dos países de língua portuguesa; temos casos como o da Isabel Maia, do blog Na Companhia dos Livros, que se auto-propôs a só ler livros lusófonos neste ano de 2010; cada vez mais assisto em blogs de críticas literárias a uma atenção especial às novas revelações da língua portuguesa, e autores de toda a lusofonia; e a minha própria experiência, que comecei o ano com duas leituras de Mia Couto e Ondjaki, e descobri que a língua portuguesa em África tem uma beleza natural. E o livro de Inês Botelho «O Passado que Seremos», que na minha opinião aproveita ao máximo aquilo que a Língua Portuguesa pode dar.

Tiago
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3 comentários:

DiAleX disse...

A literatura portuguesa anda meio doente ou moribunda... para se publicar um livro em Portugal é precisa uma de 3 coisas:
- Ou se é um escritor já conhecido;
- Ou se conhece alguém na editora;
- Ou se é alguém "famoso", ponto.

Não percebo como é que, por exemplo, o "zé zé camarinha" tem um livro e quem aposte nele... e tantos jovens talentos por aí desperdiçados, por as editoras nem olharem para eles.

continua o bom trabalho ;)

tonsdeazul disse...

Gosto de ler estas vossas crónicas. São sempre muito interessantes! Para além de diversificar em muito este vosso cantinho.

Não acredito muito em TOPS e confesso que fujo deles! Pois acredito que estes só pretendem influenciar as nossas leituras.

Regra geral lê-se poucos livros de autores lusófonos o que é de lamentar. Acredito que ainda há aquele pré-conceito "É português então não presta!". Pessoalmente gosto bastante de ler os nossos autores tenho os meus predilectos, que já referi acima na publicação da Sara e depois gosto de ir à procura de outros que sempre me suscitaram curiosidade e deliciar-me com essas descobertas.

O desafio da Isabel Maia, do blogue Na companhia dos livros é deveras curioso! Nem eu que gosto tanto dos nossos autores consigo ler só livros lusófonos! Mesmo assim temos um leque variado e excelente de autores e por isso acredito que seja possível atingir esse mesmo desafio!

Ah! E quanto a literatura lusófona no estrangeiro acrescento ainda o autor José Luís Peixoto. :)

Boas leituras e continuem este V. excelente trabalho!

t i a g o disse...

Muito obrigado a ambos pelas vossas opiniões... acrescentaram muito conteúdo que, por omissão, não tinha inserido na crónica. :)

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