sexta-feira, 5 de março de 2010

Crítica - O Passado que Seremos

Título: O Passado que Seremos
Autora: Inês Botelho
Editora: Porto Editora
Nº de Páginas: 207
Preço Editor: 15,90€

Sinopse: Elisa e Alexandre conhecem-se num fim-de-semana no Caramulo. São ambos jovens, pertencem a círculos diferentes, vêem o mundo de perspectivas quase sempre opostas - e, no entanto, parecem incapazes de escapar à atracção que lentamente os envolve. Com avanços e recuos, iniciam então uma relação que não entendem e que questionam. Mas que os marcará para sempre.
Elisa tem medo da lua e de janelas sem cortinas. Pensa de mais e quer entender o mundo nas suas múltiplas facetas. Alexandre, pelo contrário, avança sem grandes reflexões, preocupado em aproveitar cada momento do presente antes que as responsabilidades o amarrem.
Romance de iniciação à idade adulta, O Passado Que Seremos dá-nos o(s) retrato(s) de uma geração e dos caminhos onde procura encontrar a "sua" verdade.

Conheço a língua portuguesa desde que nasci, leio-a desde os seis anos, mas parece que tive de esperar até aos dezasseis para a conhecer na sua mais verdadeira e profunda beleza. A ideia que de hoje somos o passado que um dia seremos é tão óbvia e ao mesmo tão tempo tão fatal, é a prova de que o tempo passa e não damos conta de que o faz. Inês Botelho, no entanto, não se fica por uma única linha de pensamento neste livro - divide-a em duas personagens principais, e progressivamente vai-a dividindo múltiplas vezes, mostrando mais e mais e mais.

Como se a história já não fosse bonita o suficiente, abrilhanta-a - e que bem o faz! - com uma linguagem poética e inspirada, em descrições que ultrapassam a conotação do mundo, dando-nos os pormenores que descobrimos virem a ser essenciais, oferecendo-nos os elementos nos quais nos deixa a pensar. Tornamo-nos Alexandre, tornamo-nos Elisa, somos os dois num só livro, vemos verdades e mentiras, vemos a evolução do tempo que corre, e que escreve o destino a caneta.

Somos levados à infância de Elisa nos seus capítulos, descobrimos aos poucos a história da menina que foi (o passado em que se tornou), narrações essas que nos levam a percebermos a pessoa que se tornou no presente. Os confrontos com a Lua. O papel da amizade na sua vida. As palavras com que se irrita, por se terem tornado banais: «amor», «traição», «inspiração». Banais não foram as palavras de Inês Botelho, essas esquivaram-se ao inimigo que é o Normal e o Seguro e correram mais além, cruzaram a fronteira e partiram em busca de uma nova forma de se expressarem.

E como se a linguagem e a expressão, por si próprias, já não me tivessem deixado abismado... é no fundo essa lição, de que o presente que somos será o passado que seremos, que me deixará agarrado a este por muito tempo, por um fio invísivel que tenho a sensação que nunca se irá desfazer. Parabéns, Inês. O livro é belo. Criaste e conseguiste duas pessoas - não personagens, pessoas! Que grande talento.

Personagens Preferidas: Elisa e Alexandre. Não me consigo decidir entre os dois.

Nota (0/10): 9 - Excelente

Tiago
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4 comentários:

Káth disse...

E um daqeles q sero ler...
ja li outros livros da Ines Botelho e gst bastante

Jinho

Sássára disse...

Definitivamente, eu tenho que ler este livro.

Jojo disse...

Olá!
A minha mãe adora ler jovens escritores portugueses. Ela está ler este... adivinha quem o vai ler a seguir? Eu, claro:).
Pena é que minha querida ma demore muito tempo a ler o livro.

PS: Aqui na Madeira está tudo muito melhor. Somos fortes. Aqui onde vivo ainda está um pouco fora da rota dO Governo mas garantiram-nos que para a semana vai chegar mais ajuda.

DiAleX disse...

Humm deixaste-me curioso. Já tinha ouvido falar da escritora, mas noutro estilo. Tenho de dar uma folheada na livraria. ;)

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