terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crítica - Soneto já Antigo e outros Poemas

Título: Soneto já Antigo e outros Poemas
Autor: Álvaro de Campos [Fernando Pessoa]
Editora: ÁTICA
Nº de Páginas: 57
Preço Editor: 1€ (com o jornal i)

Sinopse: Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.

Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

Tanto «A Mensagem» como «O Guardador de Rebanhos» já me tinham ensinado a lição de que um livro de poesia não é só um conjunto de poemas avulsos colocados de enfiada em páginas seguidas, a sucederem-se uns aos outros sem qualquer ligação. Não. Há obrigatoriamente uma coisa que os une: o sujeito poético. E depois temos os livros bons, que acrescentam ainda mais: a carga emocional toda, em crescendo ou aos altos e baixos; o que passa para lá do papel e nos projecta imagens na cabeça.

Tanto o Soneto já Antigo como todos os outros poemas deste «Soneto já Antigo e outros Poemas», do heterónimo de Fernando Pessoa - Álvaro de Campos - tem esta carga associada. O livro é muito pequenino, mas para se ler devidamente não se demora meia-hora. Poesia não é mais fácil de entender do que prosa, falo por mim, e tenho de ler duas ou três vezes cada verso (por vezes) para conseguir absorver todo o seu significado.

Álvaro de Campos retrata-se neste livro como uma pessoa que tem saudades, e pena do seu presente. «Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa», «Aniversário» e «Poema em Linha Recta» são alguns dos principais poemas que lhe traçam a personalidade. O «Soneto já Antigo», que dá título ao livro, tem igualmente uma importância fulcral na caracterização desta personagem - e é muito bonito.

Fernando Pessoa - ou Álvaro de Campos - está de parabéns por estas criações poéticas, por esta força que dá às palavras, por esta história em linha recta contada aos solavancos. Ainda bem que tenho mais seis dele na estante à espera de serem lidos.

Nota (1/10): 8 - Muito Bom

Tiago

5 comentários:

Sássára disse...

Quando - e se - arranjar paciência, leio esse x)

Jojo disse...

Eu adoro Fernando Pessoa!
Brilhante! A Mensagem é um dos meus livros de excelência. Entre os seus heterónimos gosto mais de Alberto Caeiro mas não desgosto de Álvaro de Campos.
Um livro a ler este!

Quanto ao Pedra Abençoada... é mesmo um livro muito muito original. A autora conta uma grande
História ( a da Humanidade) através de pequenas histórias.É engraçado ver como os tempos mudam através do olhar das personagens.
Tens razão quanto a capa, não é nada apelativa! Mas se o vires numa livraria dá-lhe um vista de olhos.

Boas leituras*

p a t r í c i a * disse...

Eu estou, realmente, muito curiosa para ler um livro de poesia.
Mas parece que estou a adiar... e não sei agora por que livro irei começar. Porque cada vez falas de mais x)
Mas de certeza que vou ler este. Parece-me interessante!

Alexandre Espanhol disse...

Álvaro de Campos melhor que o próprio Pessoa.

Alexandre Espanhol disse...

Importante referir que o "Poema em Linha Recta" revela bastante bem o existencialismo presente na própria vida de Fernando Pessoa, e que a sua temática continua a ser actual, isto está mesmo cheio de semi-deuses!

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