quarta-feira, 12 de maio de 2010

Crítica - "O Deus das Pequenas Coisas"

Título: O Deus das Pequenas Coisas
Autora: Arundhati Roy
Tradutora: Teresa Casal
Editora: Edições ASA
Nº de Páginas: 277
Preço Editor: 1€ com a revista Sábado

Sinopse: «Rahel, uma menina de sete anos, vive com o seu irmão gémeo, Estha, e a sua mãe, Ammu, divorciada de um bengali, numa pequena cidade, Ayemenem, do estado indiano de Kerala. Completam a família, que vive com dificuldades e penúrias, a avó, o tio e a tia-avó. Têm uma fábrica de pepinos em conserva que gera um conflito com os comunistas. A família espera a chegada de Sophie Mol, a prima meio inglesa das gémeas. Ammu viverá um fatídico amor louco pelo intocável Velutha. São as histórias de uma saga familiar que se desenrola numa época conturbada, de profundas e traumáticas mudanças na sociedade indiana.»

Numa leitura que foi perturbada por alguns momentos menos pacíficos na minha vida, como duas viroses seguidas, e uma semana intensa de testes e de preparação para uma estreia de teatro, «O Deus das Pequenas Coisas» foi lido com uma falta de ritmo única nas minhas leituras no decorrer deste ano de 2010. É o único romance escrito até hoje por Arundhati Roy, e tem como pano de fundo a Índia - actual, e dos anos 60. Um livro que, por si só, tem um ritmo um pouco estranho e desiquilibrado, o que acabou por não me agarrar assim tanto á leitura como desejaria.

Apresenta-nos um cenário que tem beleza natural,e intensidade dramática. Esta convivência entre Tocáveis e Intocáveis, estas leis culturais que tanto discriminam certas populações, são analisadas de perto. A protagonista e o seu irmão gémeo, Rahel e Estha, arranjam denominações para tudo o que conhecem, joguinhos e brincadeiras de palavras, que rapidamente passamos a conhecer logo nas primeiras páginas do romance. Como por exemplo gostaremd e ler as palavras de trás para a frente - ed sárt arap a etnerf. Ou de as Se Pararem, ou de nelas colocarem-hífenes. Adorável.

Com esta narração muito própria, que de certeza deve ter dado bastante trabalho à tradutora, Arundhati mostra-nos um mundo de emoções pelos olhos das crianças, um mundo cruelmente adulto numa sociedade em que os direitos infantis ainda não eram tão respeitados. Sentimentos são explorados, como a vergonha, a inveja, a alegria, o medo... neste olhar diferente para a Índia, país acerca do qual fiquei a saber mais algumas coisas.

No fundo, fica marcada essencialmente a escrita da autora. O carinho com que lidamos com os gémeos. Mas fica a vaga sensação de que o enredo poderia ter sido ainda mais aproveitado, explorado um pouco mais no final. Um-livro-que-se-calhar-podia-ter-sido-ainda-melhor. Contudo, uma agradável leitura - que nos faz olhar para as pequenas coisas.

Personagens Preferidas: Rahel e Estha. A léguas de distância das seguintes. Talvez Ammu... talvez Sophie Moll...

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago

5 comentários:

Filipe de Arede Nunes disse...

É um livro poderoso, talvez até violento... Mas não deixa de ser uma visão interessante sobre a sociedade de casta na Índia, esse país continental e repleto de diferença e subvalorização do Homem.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Jojo disse...

Eu oiço falar muito bem deste livro. Mas desanimo sempre que começo a lê-lo. Porém, sou persistente e voltarei as suas páginas desta vez para o terminar. O ritmo do livro é muito muito peculiar. Preciso de calma para o poder assimilar.

Sássára disse...

Opá, já não me vais dar 10€!

Homem do Leme disse...

Olá Tiago,

li este livro em 1998/99 e foi-me oferecido por um amigo muito querido. Tem uma dedicatória linda! Adorei-o. É um livro de um poder imenso, onde a ternura e a violência se fundem. Uma boa leitura, sem dúvida!

Continuação de boas leituras!

p a t r í c i a * disse...

O livro parece ser giro!
Ietsog das Ling Uagens dos Gé-Meos :)

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