quinta-feira, 20 de maio de 2010

Crítica - Em Busca do Carneiro Selvagem

Título: Em Busca do Carneiro Selvagem
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Maria João Lourenço
Editora: Casa das Letras
Nº de Páginas: 370
Preço Editor: 18€

Sinopse: «Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural…
Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.»

É o sétimo que leio de Murakami, e ainda não vejo ao longe o dia em que me vou cansar de ler este autor - provavelmente porque isso nunca irá acontecer. Ler um livro dele é um constante deleite, sinto-me sempre confortável e viciado na leitura, embrenho-me nos seus cenários e personagens oníricos, naquela linha tão ténue entre a realidade e o sonho. E por mais caótico, estranho, inimaginável, absurdo, que o enredo possa ser - ler Murakami é uma experiência única e da qual nunca chego a despertar completamente. Digo isto porque, a cada livro que leio dele, olho de uma forma um bocadinho mais diferente para a realidade.

Como talvez saibam, este é o terceiro livro da chamada «Trilogia do Rato», cujos dois primeiros livros o autor não autorizou a que fossem editados fora do Japão. Existe no entanto uma tradução inglesa no país nipónico, que mandei vir, desses dois primeiros livros. «Hear the Wind Sing», e «Pinball, 1974», cujas críticas aqui podem ler. É verdade que se pode ler o terceiro desta trilogia sem se ter lido os dois anteriores, mas acreditem que não é a mesma coisa... na minha opinião, o contacto com as personagens que já trazia dos dois volumes anteriores ajudou-me e muito a encontrar pontos fortes em «Em Busca do Carneiro Selvagem», e extractos particularmente emotivos por conhecer o que se passou anos antes. A sequência final da história, e, digamos, as últimas cinco páginas, foram para mim arrebatadoras - e creio que importou ter lido os volumes anteriores.

A verdade é que este autor japonês cativa com as suas palavras! Numa narrativa simples e linear, comunicando com uma linguagem tão acessível (mérito para a tradutora, que consegue manter o estilo e torná-lo muitíssimo interessante na nossa língua!), frases curtas, fácil de acompanhar o enredo... um enredo engraçado e que evolui de maneira impressionante, seguindo pelos caminhos mais óbvios... não é, de longe, um policial, nem uma história detectivesca, como a sinopse quer dar a parecer. Vai muito para além disso, entra em terrenos que qualquer história detectivesca normal jamais poderia alcançar!

É tão bom voltar a Murakami, às suas palavras, ao seu universo paralelo ao nosso (a questão do espelho, que encontramos neste livro, pode comparar-se ao que sinto quando leio livros do Haruki - não é o nosso mundo, mas sim um semelhante), as metáforas tão bonitas, a solidão vista daquele ponto de vista tão cativante, a tristeza que nunca é contada como tristeza. É espontâneo, quando me apetece pegar num livro dele... e, agora que olho para a crítica, quase não falei do livro em si, mas sempre do autor. Sim, todos os seus livros têm mais ou menos os mesmos pressupostos. E adoro-os. Dá vontade de partir em busca de um carneiro selvagem....... de boca aberta, e arrebatado com esta leitura.

Personagens Preferidas: o Motorista; o Rato; o protagonista; a mulher das orelhas; o J. E já são muitos.

Nota: 9/10

Tiago

5 comentários:

Filipe de Arede Nunes disse...

Este é o meu livro favorito de Murakami. A tua crítica, deixa-me que te diga, está muito interessante e bem escrita.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

p a t r í c i a * disse...

Como já disse, as tuas críticas fazem-me querer ler Murakami. Talvez quando foi uma leitora mais experiente, para gostar mais ^^

N. Martins disse...

Adoro Haruki Murakami! Já não leio nada dele há algum tempo e confesso que tenho saudades! :)
Mais uma vez, parabéns pela crítica. Sempre que leio as tuas críticas sobre livros que já li, parece que fico a gostar ainda mais dos livros... :)

Jojo disse...

Eu tenho o Crónica do Pássaro de Corda a olhar para mim na estante!
Não tarda vou perder-me nas suas páginas!

Pereira disse...

Li umas 150 páginas do livro,não o consegui acabar porque tive que o entregar de volta à dona,por isso não posso falar muito...mas deverá ser o próximo que leio dele...e desta vez,até ao fim.

Blog Widget by LinkWithin