terça-feira, 26 de outubro de 2010

Memorial do Convento - Crítica

Nome: Memorial do Convento
Autor: José Saramago
Editora: Caminho
Páginas: 493

Sinopse: "Era uma vez um rei
Que fez promessa de levantar
Um convento em Mafra.
Era uma vez a gente
que construiu esse convento.
Era uma vez um soldado
Maneta e uma mulher
Que tinha poderes.
Era uma vez um padre
Que queria voar e morreu doido.
Era uma vez."


Para ser sincera, nem sei bem como começar esta crítica. No entanto, vou tentar começar pelo mais óbvio: a maneira diferente como Saramago escrevia. Ao início foi muito complicado para mim entender onde devia fazer as paragens e cheguei mesmo a ler as mesmas frases vezes e vezes sem conta para lhes tirar algum significado. Então, comecei a ler em voz alta. A certa altura, familiarizei-me com a escrita deste senhor e comecei a conseguir ler normalmente. Encarei a sua maneira de escrever como um contador conta as suas histórias: com algumas paragens, mas sem realmente haverem muitos pontos finais. Com falas pelo meio e sem referências a quem realmente está a falar. No entanto, com o hábito, aquele tipo de escrita tornou-se tão fácil para mim de ler como outro qualquer.

Todo o livro foi fácil de ler, excepto o capítulo em que José Saramago quis contar-me a procissão do Corpo de Cristo. Foram santos e mais santos, uns atrás dos outros. Ora, àquela hora da noite - eu costumo ler antes de me ir deitar -, confesso que me deixou muito ensonada. No entanto, para compensar a secura deste capítulo, Saramago presenteou-me outro capítulo, o mais belo de todos. Considerei-o até um dos mais bonitos que li até hoje, daqueles que nos transmitem cores, sensações, cheiros, sabores. Tudo muito misturado, especialmente quando existem três personagens que o estão a viver simultaneamente.

Apesar do título, sinto que a construção do Convento de Mafra ficou para segundo plano nesta narrativa. O que mais se destaca no livro é a relação entre Baltazar e Blimunda, passando por Bartolomeu Lourenço e o seu sonho de voar - sonho esse que vai unir estas três pessoas bastante diferentes umas das outras. E é esse mesmo sonho que acaba por os separar. O último capítulo foi fantástico, pelo menos para mim. Tocou-me de uma maneira profunda e deixou-me pensativa. Mais um clássico lido e nem uma desilusão!

Personagens favoritas: Baltazar Sete-Sóis, Blimunda Sete-Luas, Bartolomeu Lourenço, D. João V, Maria Bárbara.

Nota: 8,5/10 - Muito Bom

Sara

9 comentários:

Elphaba J. disse...

Eu também gostei muito deste livro... e no final emocionei-me.:)

t i a g o disse...

Não sei se pode ser já considerado um clássico, mas com poucas dúvidas se tornará num daqui a algumas décadas. Vou lê-lo entre o final deste ano ou o princípio do próximo, e vou partir para a sua leitora com expectativas medianas. :)

macy disse...

É um livro maravilhoso.... Li-o no secundário com muita dificuldade e ficando sem perceber a sua essência, reli-o passados 20 anos e achei-o sublime....

Alexandre Barbosa disse...

Sempre quis ler algo de José Saramago, mas agora não sei se leio este ou Ensaio Sobre a Cegueira...

Sássára disse...

Porque não lês os dois? : )

macy disse...

Alexandre, os dois livros são fantásticos embora e ainda bem, muito diferentes. Lê ambos, não te vais arrepender!

LUNA Karenine disse...

Penso que Saramago passou por Baltazar, Blimunda e algumas outras personagens para criar um enredo capaz de cativar para, como quem não quer a coisa, denunciar o sofrimento dos sacrificados pela construção do convento, devido ao capricho do rei D.João V, que nasceu para fazer tudo em grande, à moda do Rei Sol francês. Mas penso que a verdadeira e principal mensagem latente do livro é, de facto, a barbárie cometida pelos povos dos países «desenvolvidos» ( de que Portugal e o Convento de Mafra não são exemplo único ).

Káth disse...

Vou recomecar o memorial, qeria ler a tua critica primeiro

Eu fui ver o teatro e, tal como disseste, o convento ficou para 2º plano

ainda li mt pouco por isso n deu para me habituar a pouca pontuacao...
axo q o problema e exe, nao estar habituada, pq eu gst da peca

Jinho

Káth disse...

Vou recomecar o memorial, qeria ler a tua critica primeiro

Eu fui ver o teatro e, tal como disseste, o convento ficou para 2º plano

ainda li mt pouco por isso n deu para me habituar a pouca pontuacao...
axo q o problema e exe, nao estar habituada, pq eu gst da peca

Jinho

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