domingo, 30 de maio de 2010

Lydo e Opinado em Junho!


Junho está mesmo à porta, e com ele o começo do Verão! Verão, pelo menos para mim, é mesmo sinónimo de férias... e consequentemente de mais tempo para as leituras (teoricamente, por causa das razões que falei há tempos - quando parece que tenho mais tempo livre, é quando me disperso e me desorganizo). Pormenores à parte, vamos manter a nossa «programação» habitual, com a nossa entrevista exclusiva, passatempo (desta vez triplo!), e crónicas. Isto além das críticas literárias do que formos lendo, e do espaço livre que ocupamos com os mais diversos assuntos referentes a livros.

Dia 1 de Junho: Entrevista exclusiva à autora Isabel Ricardo Amaral!

Dia 3 de Junho (até dia 6): Passatempo, no qual iremos ofereceres três livros (um por vencedor) da autora entrevistada: os romances históricos «O Último Conjurado», «A Demanda do Mestre», e «Nuno Álvares Pereira».

Crónicas do mês: Vamo-nos debruçar sobre o tema «Livros Originais?» nas nossas crónicas específicas deste mês. Nem todos os livros que lemos nos apresentam ideias originais. Muita da fantasia se baseia nas bases criadas por Tolkien, ou quando lemos uma determinada sinopse faz-nos logo lembrar uma outra. Vamos ver até que ponto isto pode ser ou não prejudicial, para autores e leitores.

Obrigado por nos visitarem e comentarem. São as vossas visitas que nos encorajam a continuar o nosso projecto!

Tiago

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Código Da Vinci - Crítica

Nome: O Código Da Vinci
Autor: Dan Brown
Editora: Bertrand Editora
Nº de Páginas: 544
Preço Editor: 19,90€

Sinopse: «Robert Langdon, conceituado simbologista, está em Paris para fazer uma palestra quando recebe uma notícia inesperada: o velho curador do Louvre foi encontrado morto no museu, e um código indecifrável encontrado junto ao cadáver. Na tentativa de decifrar o estranho código, Langdon e uma dotada criptologista francesa, Sophie Neveu, descobrem, estupefactos, uma série de pistas inscritas nas obras de Leonardo da Vinci, que o pintor engenhosamente disfarçou. Tudo se complica quando Langdon descobre uma surpreendente ligação: o falecido curador estava envolvido com o Priorado de Sião, uma sociedade secreta a que tinham pertencido Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Da Vinci, entre outros.»

Confesso que tencionava ler este livro muito mais cedo mas como outros se foram sobrepondo, não consegui adquiri-lo no tempo que ambicionava. Apesar disso, como nunca é tarde para ler uma das obras mais célebres em todo o Mundo, aproveitei para finalmente dedicar-me a Dan Brown e à sua escrita enigmática.

Nunca tinha lido nada deste género, prefiro romances ou fantasia mas como Leonardo da Vinci é das figuras que mais me fascina na História, acompanhei com uma atenção e interesse diferente daquela que tinha disponibilizado para outro tipo de livros. E para ser honesta, achei bastante complexa a forma como a escrita de Dan Brown se encaixa como um puzzle.

A história começa com a morte de Jacques Saunière, um conceituado conservador do Louvre. No decorrer da sua morte, Robert Langdon, um conhecido simbologista e Sophie Neveu, uma criptologista francesa, são apanhados nesta que vai ser uma história repleta de mistério, de fé, de enigmas, de História, de personagens misteriosas, de romance e de segredo.

Para uma primeira análise a Dan Brown, reconheço o seu esforço ao manter-se fiel a todas as informações históricas relativamente a este Código. Acredito sinceramente que o esforço dele foi recompensado.

Personagens favoritas: Todas as personagens me atraíram portanto não tenho nenhum que coloque em destaque.

Nota (0 a 10) : 8 (Muito bom)

Patrícia

terça-feira, 25 de maio de 2010

5ª e última ida à Feira....!


E pronto, aí têm mesmo por cima destas palavras o resultado da minha ida à Feira. Comprei os dois da Robin Hobb, para dar continuidade à Saga do Assassino que iniciei em Dezembro passado, e podia escolher um terceiro grátis entre os que lá estavam selecionados - a escolha acabou por recair n' A Filha do Sangue, o primeiro da trilogia das Pérolas Negras de Anne Bishop. Sim... sinónimo de mais despesa ainda! Mas pelo que tenho lido compensa, pelas boa leitura que irá proporcionar...! Resultado? Oito livros comprados esta Feira: 3 na Saída de Emergência, 2 na Casa das Letras, 1 na Tinta da China, 1 na Presença, e 1 na Porto Editora. Sim, ficaram por comprar uns quantos que tinha dito a mim mesmo que não passavam da Feira..... mas não deu para tudo.

E é oficial: pela primeira vez na história da minha estante, a prateleira reservada aos livros "por ler" ficou completamente cheia, com um total de... 40 livros! Vão ser umas boas férias, sim senhor!

Quanto à Feira do Livro de Lisboa, foi, como sempre, um óptimo evento, que primou pela organização, pela semana extra, e pelos descontos que deu, principalmente na HORA H. Uma ida à Feira é sempre um momento de alegria, com ou sem adquirições... o espírito que alis e vive, as escolas com crianças a verem livros... um ambiente muito bom, e que fico sempre com saudades quando acaba. Este ano fui 5 vezes, batendo o meu record num único ano (que tinha sido 2!). Espero igual o número de visitas para o ano. Até breve, Feira!

Tiago

sábado, 22 de maio de 2010

Crítica - O Senhor Henri

Nome: O Senhor Henri
Autor: Gonçalo M. Tavares
Editora: CAMINHO
Nº de Páginas: 95
Preço Editor: 13,65€

Sinopse: «O senhor Henri disse:
... é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
... mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
... muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida — disse o senhor Henri.
... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.
... mais um copo, caro comendador. E sem um único pingo de realidade, por favor.»

O Senhor Henri é um homem que vive n' O Bairro criado por Gonçalo M. Tavares, e no qual convivem lado a lado importantes figuras da literatura mundial, embora um pouco codificadas. O Senhor Henri é um homem que gosta de absinto. O Senhor Henri bebe absinto todo o dia, porque diz que o absinto é que é o estímulo que faz o homem pensar, e que ele próprio não sabe o que pensa na sua cabeça - se a cabeça, se o absinto. Mas provavelmente é o absinto.

No seguimento do Senhor Valéry, este livro foi um voltar a todos estes pensamentos, filosofias, questões, jogos de lógica, que vão surgindo ao longo das pequeninas histórias que recheiam o livro. São quase quarenta pequenos contos, que podem ir de um parágrafo até cinco páginas, e que nos levam até dentro da cabeça deste Senhor Henri - que de tão bêbado que está, se contrazid de quando em vez, começando o seu discurso apoiando um ponto de vista, e no fim defende ou contrário, ou já mudou totalmente de assunto.

E constantemente pede mais absinto, mais absinto, na "biblioteca" onde passa o dia, contando histórias aos outros clientes que, como ele, vivem ali a sua vida. Considera-se culto, e gaba-se de recordar datas importantes do surgimento de invenções. E cria ele próprio novos conceitos - bolsos de calças que estejam preparados para levar líquidos, por exemplo.

Uma lufada de inspiração e jogos de lógica, que fazem qualquer leitor sorrir. Embora o livro pareça estranho, sente-se toda uma atmosfera de pensamento que, ajudada pelas ilustrações interessantes de Rachel Caitano, nos fazem devorar o livro mais rapidamente do que desejaríamos. Não é uma obra-prima, claro está. É como que uma experiência, ou ensaio - bem sucedido! Posso só deixar então aqui uma pergunta, e desafiar os visitantes do blog a responderem? É também um convite a aventurarem-se na leitura!

«O Senhor Henri disse: se a laranja viesse de uma árvore chamada macieira, à laranja teria de se chamar maçã ou era à macieira que se teria de chamar laranjeira?». Hm, hm?

Nota (0/10): 6 - Agradável

Tiago

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Crítica - Em Busca do Carneiro Selvagem

Título: Em Busca do Carneiro Selvagem
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Maria João Lourenço
Editora: Casa das Letras
Nº de Páginas: 370
Preço Editor: 18€

Sinopse: «Ambientado numa atmosfera japonesa, mas com um pé no noir americano, Murakami tece uma história detectivesca onde a realidade é palpável, dura e fria, e seria a verdade de qualquer um, não fosse um leve pormenor: é uma realidade absolutamente fantástica. Um publicitário divorciado, que tem um caso com uma rapariga de orelhas fascinantes, vê-se envolvido, graças a uma fotografia publicitária, numa trama inesperada: alguém quer que ele encontre um carneiro! Mas não é um carneiro qualquer. É um animal que pode mudar o rumo da história. Um carneiro sobrenatural…
Murakami dá a esta estranha história um tom que só um oriental pode imprimir a uma crença, fazendo-a figurar como um facto da realidade. Coloca, de uma forma genial, a fantasia na aridez do mundo real.»

É o sétimo que leio de Murakami, e ainda não vejo ao longe o dia em que me vou cansar de ler este autor - provavelmente porque isso nunca irá acontecer. Ler um livro dele é um constante deleite, sinto-me sempre confortável e viciado na leitura, embrenho-me nos seus cenários e personagens oníricos, naquela linha tão ténue entre a realidade e o sonho. E por mais caótico, estranho, inimaginável, absurdo, que o enredo possa ser - ler Murakami é uma experiência única e da qual nunca chego a despertar completamente. Digo isto porque, a cada livro que leio dele, olho de uma forma um bocadinho mais diferente para a realidade.

Como talvez saibam, este é o terceiro livro da chamada «Trilogia do Rato», cujos dois primeiros livros o autor não autorizou a que fossem editados fora do Japão. Existe no entanto uma tradução inglesa no país nipónico, que mandei vir, desses dois primeiros livros. «Hear the Wind Sing», e «Pinball, 1974», cujas críticas aqui podem ler. É verdade que se pode ler o terceiro desta trilogia sem se ter lido os dois anteriores, mas acreditem que não é a mesma coisa... na minha opinião, o contacto com as personagens que já trazia dos dois volumes anteriores ajudou-me e muito a encontrar pontos fortes em «Em Busca do Carneiro Selvagem», e extractos particularmente emotivos por conhecer o que se passou anos antes. A sequência final da história, e, digamos, as últimas cinco páginas, foram para mim arrebatadoras - e creio que importou ter lido os volumes anteriores.

A verdade é que este autor japonês cativa com as suas palavras! Numa narrativa simples e linear, comunicando com uma linguagem tão acessível (mérito para a tradutora, que consegue manter o estilo e torná-lo muitíssimo interessante na nossa língua!), frases curtas, fácil de acompanhar o enredo... um enredo engraçado e que evolui de maneira impressionante, seguindo pelos caminhos mais óbvios... não é, de longe, um policial, nem uma história detectivesca, como a sinopse quer dar a parecer. Vai muito para além disso, entra em terrenos que qualquer história detectivesca normal jamais poderia alcançar!

É tão bom voltar a Murakami, às suas palavras, ao seu universo paralelo ao nosso (a questão do espelho, que encontramos neste livro, pode comparar-se ao que sinto quando leio livros do Haruki - não é o nosso mundo, mas sim um semelhante), as metáforas tão bonitas, a solidão vista daquele ponto de vista tão cativante, a tristeza que nunca é contada como tristeza. É espontâneo, quando me apetece pegar num livro dele... e, agora que olho para a crítica, quase não falei do livro em si, mas sempre do autor. Sim, todos os seus livros têm mais ou menos os mesmos pressupostos. E adoro-os. Dá vontade de partir em busca de um carneiro selvagem....... de boca aberta, e arrebatado com esta leitura.

Personagens Preferidas: o Motorista; o Rato; o protagonista; a mulher das orelhas; o J. E já são muitos.

Nota: 9/10

Tiago

quarta-feira, 19 de maio de 2010

E vão 4 idas à Feira!

É verdade! Foi neste Domingo que passou que fui pela 4ª, e em princípio, penúltima vez, à Feira do Livro de Lisboa deste ano. Estavam muito bom tempo, um calor agradável, e, como seria de supôr, cheia de gente. Quando lá cheguei, aproximadamente às quatro da tarde, mal se podia andar, principalmente pelo lado esquerdo de quem sobe o Parque Eduardo VII. À medida que as horas foram passando, e até às sete, o tempo começou a arrefecer, e as pessoas passaram a estar menos concentradas. Fui à feira neste dia essencialmente por três razões:


Primeira: o autor Frederico Duarte, que já entrevistámos aqui no blog em Janeiro passado, autor de AVATAR e NECROMANCIA, estava a organizar um pequeno encontro entre fãs da saga e ele próprio, um passeio informal pela Feira. Quis ir, claro, e levei comigo os exemplares da Sara (que não pode ir), para para serem autografados pelo Frederico. Grande parte da tarde passeia-a com ele, e foi bastante divertido, como sempre! Aproveito para lembrar a todos que os livros do autor estão a 5€ na Feira, no stand da Nova Gaia, na zona da LeYa - embora já tenham esgotado por duas vezes desde o início do evento!


Segunda razão: as sessões de autógrafos de outros dois autores dos quais já cá tinha livros em casa. Eram eles Isabel Ricardo Amaral (tinha cá um livro que, aliás, nunca tive oportunidade de ler) - para a autora me assinar. Ela assim o fez, e foi muito simpática. Mais amigável ainda foi autor Pedro Sena-Lino, que superou as expectativas boas que já pudesse ter, com uma postura bastante dada para com os seus leitores. Assinou os dois manuais de escrita criativa que tinha em minha casa. Identifiquei-me como sendo o Tiago do blog que o tinha entrevistado há poucos dias, e ele confessou que estava à espera de alguém mais velho! E elogiou o blog!



Terceira razão, e ainda relacionada com Pedro Sena-Lino: o autor, como professor de escrita criativa que é, deu um workshop gratuito de uma hora no stand da Porto Editora. E a isso é que não podia mesmo falhar! Juntamente com outras vinte, vinte e cinco pessoas, resolvi a três exercícios interessantes que exploram esta arte da criatividade. Foi muito interessante, e divertido, até para ouvir os textos que os outros escreviam.


Foi a "condenação final", assistir à tal aula de escrita criativa... e não pude resisistir a comprar o romance do autor que, aliás, já tínhamos colocado em passatempo aqui no blog - 333 juntou-se assim à minha estante, também ele assinado, claro está. E a lista de espera cá de casa cresce, cresce, cresce...... no último dia em que vou à Feira gostava de passar pela Saída de Emergência.... ai ai!

Tiago

segunda-feira, 17 de maio de 2010

[Crónica] Proximidade entre Autores e Leitores - Tiago


Se pensar bem, conheço quatro tipos de autores, embora não me vá referir pelo nome a nenhum deles. O autor que se distancia dos leitores ao máximo, que mantém a sua vida longe dos autógrafos e dos fãs, e que muito raramente aparece em público para algum evento; o autor que assina autógrafos em eventos e agradece ao leitor por ler os seus livros; o autor que, além dos autógrafos, faz questão de meter dois (ou três, ou quatro!) dedos de conversa com cada leitor, estabelecendo assim uma ligação com cada um deles; e o autor que se dedica aos seus leitores por completo, que está disposto a muito por eles, e que os toma como a coisa mais importante do seu trabalho.

Todos os quatro autores têm formas de pensar legítimas. Não se trata obrigatoriamente de simpatia ou falta dela, muitas vezes tem a ver com a própria atitude que o autor quer passar - outras vezes, é mesmo ligado ao próprio carácter - e pode haver uma infinidade de motivos que levem cada autor a aproximar-se de um daqueles quatro modelos que dei. O que tenciono fazer ao escrever esta crónica é exactamente tentar perceber até que ponto é benéfico/prejudicial a aproximação entre os leitores e os autores.

Vantagens dos leitores: É óptimo conhecermos um dado autor que gostamos de ler. Ficamos cheios de vontade de estabelecer um diálogo, falar das personagens preferidas ou de um dado momento da história, tratamos o livro assinado com um carinho especial. Sentimo-nos como que importantes, únicos, ao darmo-nos a conhecer ao criador daquela obra.

Vantagens dos autores: Além de poderem ter uma ideia do número de fãs que têm, e do interesse destes na obra, podem ficar a saber opiniões, conhecer algumas das pessoas que leram o seu trabalho, receberem sugestões e ideias, saberem o que resultou melhor e o que poderia ter sido mais explorado... interessa-lhes os interesses de quem os lê.

Desvantagens dos leitores: Muitas vezes vezes existe uma mística, através de um determinado livro, que pode ser quebrada ao conhecermos o autor. Se lemos, por exemplo, um livro negro, obscuro, pesado... e o autor é uma pessoa muito alegre e bem disposta, então existe um bocado de desilusão, por a pessoa que imaginámos ser tão diferente do estilo de escrita que adorámos.

Desvantagens dos autores: Podem considerar que, com o distanciamento, é um bocadinho criada essa mística que falei anteriormente - a proximidade podia destruir uma certa imagem que os leitores tenham do autor. Além disso, sem a proximidade, o autor não tem amarras nem interesses de leitores a defender, por isso pode dar asas á imaginação da maneira que melhor apreciar, sem ter condicionantes - e, dessa forma, evoluir a sua escrita sem medos.

Este foi apenas uma tentativa de avaliar estas duas prespectivas, embora não tenha chegado a nenhuma conclusão. Claro que as crónicas da Sara e da Patrícia também se irão debruçar sobre o mesmo assunto, mas para já gostava era mesmo de saber a opinião dos leitores do blog. Digam de vossa justiça!

Tiago
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