sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Crítica - As Aventuras de Alice no País das Maravilhas

Título: As Aventuras de Alice no País das Maravilhas
Autor: Lewis Carroll
Tradutora: Margarida Vale de Gato
Editora: Relógio de Água
Nº de Páginas: 132
Preço Editor: 30€ (comprei por 15€)

Sinopse: As Aventuras de Alice, originalmente Alice's Adventures Underground, 1863 (As Aventuras de Alice debaixo da Terra), nasceram de uma ocasião, a 4 de Julho de 1862, em que Charles Lutwidge Dogson, matemático e cónego, também conhecido por Lewis Carroll, levou as meninas Liddell a passear de barco no Tamisa. Nessa tarde, entreteve as crianças com histórias que, a pedido de Alice (as suas irmãs eram Lorina e Edith), passou a escrito para lhe oferecer.
A presente tradução segue a versão revista por Dogson e publicada sob o título Alice's Adventures in Wonderland em 1865 (embora datada de 1866).

Ler um livro depois de se ter visto uma adaptação cinematográfica dele não é a mesma coisa do que lê-lo sem ter qualquer noção do que se irá passar. É verdade que quis ler a As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, antes de sair a versão de Tim Burton no cinema, já no dia 4 de Março. Mas não pude evitar ter visto a primeira versão da Disney quando tinha cinco ou seis anos - e quando logo na altura se tornou dos meus filmes preferidos. talvez por isso partisse com expectativas grandes para este clássico da literatura infantil, recheado de nonsense, jogos de palavras e momentos rídiculos que eram uma homenagem ao poder da imaginação.

Jogos de Palavras... esperava ter encontrado mais, confesso. Quando aos momentos de absurdo, estão presentes por toda a parte, e são eles que dão magia à história. Ainda para mais, a Alice, como criança que é, encara esses factos estranhos com uma relativa normalidade, e isso torna a história ainda mais engraçada.

É um livro leve de se ler, a prosa constitui-se essencialmente por diálogos e narração de acontecimentos, sendo poucas as descrições. Afinal de contas, é um livro escrito particularmente para crianças, embora muitos adultos se debrucem sobre esta obra com estudos que não deixam de ser interessantes.

O País das Maravilhas é um lugar assustador, mas com o qual rapidamente criamos uma ligação afectiva, e, agora falo por mim, fiquei com vontade de o visitar por uma noite no mundo dos sonhos. Quem sabe, talvez já hoje...

Personagens Preferidas: Billy a Lagartixa, o Criado-Rã, o Chapeleiro Louco, o Rei, a Duquesa... mas acho que acima de todos a Tartaruga Fingida.

Nota (1/10): 7 - Bom

Tiago

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Aquisições de Fevereiro | Lydo e Opinado em Março


Este mês de Fevereiro as adquirições foram mais do que muitas... mas felizmente estiveram longe de ser caras! A grande maioria pertencem às colecções da Sábado e da Visão - por apenas 1 euro cada livro. «O Passado que Seremos» escapa à regra, assim como «Pinball, 1973» (que ficou um bocadinho caro devido a ter vindo do Japão...). Ou seja, o maior problema é mesmo onde é que vou arranjar tempo para ler todos, porque vontade não me falta! Não cabiam todos na fotografia, por isso vai em vídeo.

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Finalmente, estou pronto a divulgar o que se vai passar aqui no blog em Março. Sem muitos mais rodeios, queria apenas aproveitar para agradecer a todos os que visitam este espaço (o número subiu no mês de Fevereiro, muito devido ao passatempo da AHAB); mas acima de tudo os que têm uma palavra a dizer, um comentário, uma opinião, porque acima de tudo é isso que nos motiva.
  • Entrevista Exclusiva: Dia 1 de Março, entrevista a Inês Botelho (autora da trilogia do «Ceptro de Aerzis», «Prelúdio» e, mais recentemente, «O Passado que Seremos».
  • Passatempo do Mês: De dia 3 a 7 de Março, habilita-te a ganhar um exemplar do novo livro da autora entrevistada, «O Passado que Seremos», neste passatempo em parceria com a Porto Editora!
  • Crónicas: durante o mês de Março, a nossa rubrica de Crónicas vai-se dedicar ao tema «A Literatura Lusófona». Assistimos a uma grande tendência de valorizar mais os autores estrangeiros americanos e ingleses que os portugueses e de outros países onde se fale a nossa língua. O inglês domina em todo o lado, assim como as traduções. Vamos equacionar as potencialidades da literatura lusófona.
Espero que continuem sempre a visitar o Lydo e Opinado. E que gostem das iniciativas previstas para Março!

Tiago

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Novidade da Semana - O Braço Esquerdo de Deus

Título: O Braço Esquerdo de Deus
Autor: Paul Hoffman
Tradução: Mário Dias Correia
Editora: Porto Editora
Nº de Páginas: 400
Preço Editor: 17,50€

Sinopse: A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça...
"Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção."
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado - um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo - servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro - agora chamam-lhe Cale.
É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço; não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.
Com O Braço Esquerdo de Deus, primeiro volume de uma trilogia, Paul Hoffman confirma-se como uma das novas grandes vozes da literatura de Fantasia.

Este livro é a maior aposta da editora internacional Penguin na área da fantasia dos últimos dez anos - está a ser lançado ao mesmo tempo em muitos países, Portugal inclusivé. E eu, enquanto fã da literatura fantástica, cá estou curioso. Principalmente porque na sinopse não vejo magia e grandes poderes. E o título foge à regra.

Lançado a semana passada para todas as livrarias nacionais, podem ler o primeiro capítulo carregando aqui. Já está na minha lista de compras, possivelmente para a Feira do Livro de Lisboa. Embora se diga por aí que esta aposta de marketing n' O Braço Esquerdo de Deus não é assim tão bom como o fazem parecer...

Tiago

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Crítica - Hear the Wind Sing

Título: Hear the Wind Sing
Autor: Haruki Murakami
Tradutor: Alfred Birnbaum
Editora: Kodansha English Library
Nº de Páginas: 130
Preço Editor: $25.99 (aproximadamente 19€)

Sinopse: «The first book in the "Trilogy of the Rat" series, it is followed by Pinball 1973 (1979) and A Wild Sheep Chase (1982). The writer recalls the days of his early twenties. The biology student passed his summer vacation aimlessly back at his home town. There are episodes about his childhood and his three girls whose names and faces have long been forgotten. Amid the bar scenes of cigarettes, french fries and beers, there was still extra space for his favourite author and the chunks of his philosophies. Hear the Wind Sing was never released in any English-speaking countries, but a translation was sold in Japan as a way to improve one's English reading skills, complete with a glossary in the back with the harder words defined in Japanese.»

Quem já leu Haruki Murakami conhece bem o estilo deste autor - os seus romances surreais que envolvem o quotidiano japonês, um narrador masculino, personagens femininas misteriosas que desaparecem, gatos, música ocidental, refeições, reflexões acerca da escrita, a simplicidade da história contada numa linguagem acessível e ao mesmo tempo filosófica. Quem já leu Murakami conhece o estilo: Hear the Wind Sing é a sua primeira obra, e neste livro vê-se o estilo de Murakami em bruto.

É difícil explicar o meu ponto de vista, mas vou tentar: Murakami começou a escrever aos trinta anos. Nesta sua primeira obra, revela ao mundo a sua forma de escrever muito peculiar, sem no entanto a ter aperfeiçoado e trabalhado. É o estilo dele como matéria prima, é o nascimento do estilo na sua forma mais fria e radical. De tal forma que não consegue agarrar o leitor como o faz em livros posteriores.

O livro tem todos os elementos Murakamianos de que falei anteriormente, mas sendo a sua primeira obra achei a língua um pouco fria, e embora tenha tido momentos bem conseguidos, noutros criou pouca relação com o leitor. Capítulos muito pequenos e sucintos, cenas rápidas que quando começamos a gostar já acabaram. Muito entrecortado.

Agora os pontos positivos: porque apesar de me ter desiludido um pouco, o problema foi meu. Ninguém me mandou encomendar este livro. Haruki Murakami pediu para que as duas primeiras obras não fossem reeditadas para lá do Japão, porque considerava a sua escrita muito primária. Ele avisou-me... mas eu não dei ouvidos, comprei, e esperava uma obra-prima. É verdade. Este livro é o primeiro degrau daquele que é provavelmente o meu escritor favorito. mas foi bom lê-lo, para ver por onde começou ele!

Foi bom conhecer os lugares e as personagens, identificar elementos que se desenvolvem nos livros a seguir, ler as reflexões acerca da escrita. Um certo humor também presente. Uma obra primária, talvez, mas com grande significado para quem é fã de Murakami. É bom ver como tudo começou. Por isso, aqui fica uma dica: leiam este livro só depois de terem experimentado uns quantos do autor; e tenham em conta que o próprio pediu para não o reeditarem. Não estejam á espera de uma obra-prima, e vão gostar.

Provavelmente o mais soft dele, talvez porque não arrisca aproximar-se do leitor. Mas com apenas 130 páginas, lê-se num fôlego. Anteriormente tinha dito que não ia dar nota ao livro, por respeito simbólico ao autor: mas mudei de ideias, e resolvi quantificar o meu gosto, também.

Personagens Preferidas: A rapariga. E talvez o J.

Nota: 6 - Agradável

Tiago

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Crítica - O Mar de Ferro


Título: O Mar de Ferro
Autor: George R. R. Martin
Tradutor: Jorge Candeias
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 320
Preço Editor: 18,85€

Sinopse: SPOILERS: Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz? Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo? A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?

É quando acabo de ler um livro destes que dou por mim a pensar no verdadeiro poder deste objecto - um conjunto de páginas impressas com letras. É quando acabo de ler um livro destes que verdadeiramente me apercebo de repente que adoro ler, porque é um meio de chegar um fim que nunca de outra maneira conseguiria alcançar. O Mar de Ferro, oitavo volume das Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin, é fantasia tornada realidade. De se tirar o chapéu.

O Mar de Ferro é sofrimento, é torcermos por personagens, é vermos as seis faces de um cubo ao mesmo tempo e não queremos que nenhuma dela desapareça da nossa vista, é a emoção da batalha, é a inteligência dos enredos das entrelinhas, é termos um mundo fantástico ao alcance de um pensamento, é fecharmos os olhos com força e pedir-mos silenciosamente «por favor, não que esta personagem se safe...».

O Mar de Ferro é de ferro, de sangue, de traição, de medo, de amor, de gargalhadas, de perigo... O Mar de Ferro, assim como toda a saga, é mais do que um típico livro de fantasia. Na minha opinião, é mais do que "A melhor fantasia dos últimos 50 anos". Às vezes existem aqueles livros que dizemos «aconselho-te», ou «gostei bastante». Eu não me vejo a aconselhar ou a dizer que gostei bastante deste livro - seria pouco.

SPOILERS: Sansa Stark, quero conhecer-te, dizer-te que tu e o pequeno Robert ficam muito bem juntos (embora muita gente odeie o senhor do ninho de águia, gosto dele). Cuidado com o Mindinho, não te fies completamente nessa proposta que te fez. Brienne, não sabes o quanto lamentei a tua morte, espero que repouses em paz como a cavaleira que foste. Cersei, confesso que não me atreveria a aproximar de ti, mas é bom ler-te à distância, e espero que te safes dessa alhada em que te meteste. Jaime, neste volume subiste na minha consideração, apesar de tudo fizeste bem em mandar queimar a carta, e embora continues a ser o Regicida, que a tua honra seja reconhecida um dia mais tarde. Samwell, fiquei desapontado quando quebraste os teus votos, embora reconheço que era quase inevitável não o fazeres. Arya, porque raio mataste o tal rapaz da patrulha da noite? Teres ficado apenas cega já foi uma grande sorte. Quero-te ajudar a ver o mundo a partir de agora. Qyburn, quero ver-te preso para sempre numa masmorra. E Randyll Tarly. E Euron. E Coração de Pedra. Odeio-vos, e ao mesmo tempo adoro-vos enquanto personagens.

George R. R. Martin tem este talento de nos ligar às personagens. É essa a verdadeira magia da saga. Não é só queremos saber quem ganhará o jogo dos tronos no fim: é também quem passou por ele até ao derradeiro vencedor. Mágico. Maravilhosamente bem escrito. Épico. Adorei.

Personagens Preferidas: SPOILERS: Sansa Stark (só um capítulo em todo o livro???), Cersei Lannister, Brienne de Tarth, Robert Arryn, Tommen Lannister. Todos, se possível.

Nota (1/10): 10

Tiago

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Goodreads!


O Goodreads é um site que descobri há uns tempos, dedicado a leitores, e do qual me tornei fã logo pouco tempo depois! De forma básica, permite - após criar uma conta - criar uma base de dados de todos os livros que lemos e tencionamos ler, servindo assim para organizarmos as nossas longas (ou não) listas. Muito útil, confiem! Graças a ele descobri que ao longo da minha vida já li 85 livros, número que não fazia ideia antes de ir adicionando um a um todas as leituras que já fiz. E que tenho 27 livros em lista de espera para serem lidos...

Tanto eu como a Sara já temos conta, e a Patrícia vai criar uma em breve (quando criares, Patrícia, edita o post e adiciona o teu perfil). Se nos quiserem seguir como friends (amigos), aqui estão os links para as nossas contas: do Tiago e da Sara.

Boas leituras, com este nova ferramenta para as organizarem!

Tiago

PS: Muito em breve, vamos divulgar quais serão as iniciativas (entrevista exclusiva, crónicas, e passatempo) para o mês de Março do Lydo e Opinado!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Novidade da Semana - O Dardo de Kushiel

Título: O Dardo de Kushiel
Autora: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 400
Preço Editor: 19,85€

Sinopse: TERRE D'ANGE é um lugar de beleza sem igual. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa... e que a raça resultante do amor entre anjos e humanos se rege por uma simples regra: ama à tua vontade. Phèdre é uma jovem nascida com uma marca escarlate no olho esquerdo. Vendida para a servidão em criança, é comprada por Delaunay, um fidalgo com uma missão muito especial... Foi, também ele, o primeiro a reconhecê-la como a eleita de Kushiel, para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. Phèdre é adestrada nas artes palacianas e de alcova, mas, acima de tudo, na habilidade de observar, recordar e analisar. Espia talentosa e cortesã irresistível, Phèdre tropeça numa trama que ameaça os próprios alicerces da sua pátria. A traição põe-na no caminho; o amor e a honra instigam-na a ir mais longe. Mas a crueldade do destino vai levá-la ao limite do desespero... e para além dele. Amiga odiosa, inimiga amorosa, assassina bem-amada; todas elas podem usar a mesma máscara reluzente neste mundo, e Phèdre apenas terá uma oportunidade de salvar tudo o que lhe é mais querido.

Já há muitos meses que oiço falar deste livro, mas só este mês é que saiu para o mercado editado na nossa língua portuguesa, pela Saída de Emergência. É considerada uma fantasia sofisticada, e um bocado gráfica (explícita) em vários aspectos. A Canochinha, do Estante de Livros, leu-o o ano passado em inglês e gostou bastante dele. Foi a primeira vez que ouvi falar do livro. Fiquei muito contente quando soube que a Saída de Emergência o ia editar, ainda por cima para a colecção BANG!, que é muito boa.

Já o adicionei à lista, e tenho a sensação de que o irei adquirir na Feira do Livro de Lisboa, daqui a uns meses. Estou muito curioso, e expectante, com a fasquia elevada.

Tiago
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