segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Crítica - Underground (O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa)

Título: Underground (O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa)
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Susana Serras Pereira
Editora: Edições Tinta-da-China
Páginas: 461
Preço Editor: 22,31€ (15,6€ pelo site da editora)

Sinopse: «A data é 20 de Março de 1995. Está uma bela e límpida manhã de Primavera. Ainda se faz sentir uma brisa fria e as pessoas andam agasalhadas, de casaco. Ontem foi domingo, amanhã celebra-se o Equinócio da Primavera, é feriado nacional. Ensanduichado no meio do que deveria ter sido um fim-de-semana longo, está provavelmente a pensar “Quem me dera não ter de ir trabalhar hoje”. Mas não tem tal sorte. Levanta-se à hora do costume, lava-se, veste-se, toma o pequeno-almoço e dirige-se à estação de metro mais próxima. Entra para a carruagem, apinhada como de costume. Nada de anormal. O dia promete ser perfeitamente igual a todos os outros dias. Até ao momento em que cinco homens disfarçados direccionam os seus guarda-chuvas de pontas afiadas para o chão da carruagem, perfurando uns sacos de plástico cheios de um líquido estranho…». Um dos mais famosos episódios do terrorismo contemporâneo, o atentado de Tóquio não só traumatizou as vítimas directas como abalou toda a sociedade japonesa. O que sentiram os sobreviventes do ataque? Como reagiram? Como explicar a obediência dos fiéis seguidores do líder da seita Verdade Suprema? Em «Underground», Murakami compõe as entrevistas que realizou a dezenas de vítimas do gás sarin e a vários membros da Aum Shinrikyo (Verdade Suprema), tecendo uma narrativa em que procura compreender a relação entre o atentado e a mentalidade japonesa.

Um dos motivos que fazem de Haruki Murakami o meu autor preferido é o facto de partir para um livro seu sempre com a certeza de que uma maneira ou de outra me vai surpreender. Isso aconteceu com os sete trabalhos de ficção que li até agora dele, e também com o de não-ficção “Auto-Retrato do Escritor enquanto corredor de fundo”. Mesmo o seu primeiro, “Hear The Wind Sing”, que após ter terminado fiquei com uma sensação de que faltaria qualquer coisa, me tinha surpreendido pela atmosfera para onde me tinha puxado. Acontece que “Underground – O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa” é uma obra composta de entrevistas feitas pelo autor às vítimas de um ataque de gás sarin no metropolitano da capital japonesa, e na segunda metade aos membros/ex-membros da seita que provocou o atentado.

Primeiro que tudo, e antes de iniciar a minha opinião, quero deixar uma nota muito positiva à editora Tinta-da-China, que edita este livro em Portugal. É a primeira obra de Murakami que leio fora do domínio da Casa das Letras, e adorei o conceito gráfico desta edição.

A primeira metade ainda nos envolve por algum tempo. Não digo que a segunda não deixe de ser agradável de ler, mas a primeira tem ainda um toque muito particular de Murakami, nomeadamente em dois capítulos seguidos que se encontram entre as páginas 121 à 140. Estas dezanove páginas são de todo o livro as mais marcantes; atingem um elevado nível de escrita e conferem-lhe uma grande emotividade. O segundo desses dois capítulos, particularmente, e apesar de não-ficção, está carregado das palavras e do génio do escritor japonês. São páginas de arrepiar e, no fim, aplaudir, ainda que só vamos a um terço do livro e falte ainda muito para terminar. Mas o que senti é que, se o livro terminasse ali, já não ficávamos mal servidos de todo. Foram talvez 20 das melhores páginas que li neste ano de 2010.

Que pena é, no entanto, que esse expoente não se tenha esticado mais. O livro é um retrato de pessoas, que falam de si próprias e das suas vidas. E sim, é espantoso o trabalho jornalístico feito por Murakami, é espantoso o painel de vidas a que de repente temos acesso, é interessante ver as dezenas de perspectivas diferentes acerca de um único acontecimento. E em relação à segunda metade, o interesse e a curiosidade mantém-se em descobrir que, afinal, os membros da seita Aum são afinal pessoas normais, que podiam ser qualquer um de nós. Sem qualquer ligação ao atentado, muitos não queriam acreditar sequer que tinha sido a sua religião a provocar tal monstruosidade.

É, pois, ponto assente: o livro está original e muito bem concebido. Para um ensaio de não-ficção, composto por dezenas de entrevistas, e um retrato dos acontecimentos passados no dia 20 de Março de 1995 em Tóquio, está aqui uma obra de grande valor – e à qual tenho a certeza que o autor dispensou todos os seus esforços e profissionalismo.

Não posso, no entanto, dizer que fiquei totalmente satisfeito com esta leitura. Porque não fiquei. Com os autores muito bons, há sempre o risco de haver um livro que esteja um pouco abaixo daquilo que nos habituou, e depois desilude-nos. Acho muito boa a capacidade que ele tem de se dividir entre os estilos narrativos e os de investigação e ensaio, mas a verdade é que “Underground” não me deixou agarrado, por exemplo. Enquanto um todo, é interessante, mas ao longo da leitura foram poucos os momentos em que senti “não posso parar, vamos lá ver como é que isto continua”. É um estudo, eu diria quase um retrato social. Fica-se a aprender muito sobre o Japão e o modo de vida das pessoas. E sim, isso foi muito bom e saio mais rico desta leitura. Mas faltou um qualquer tempero que esperaria vindo de Murakami. Excepto naquelas vinte páginas. Aquelas vinte páginas…

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Após a leitura da... BANG!


A minha expectativa era muita, quase como se se tratasse do lançamento de um livro há muito esperado. O que era estranho, pois não passava do número 8 de uma revista que eu nunca lera. A Bang!, revista dedicada ao fantástico literário, com a chancela da Saída de Emergência, era uma daquelas publicações que eu nunca lera. Ora porque era editada em e-book, ora porque só era posta à venda através do site. Num entanto, agora no fim de Outubro, em virtude de uma parceira fortíssima com a FNAC, conseguiu assegurar a sua distribuição por todas as lojas do país pertencentes a essa cadeia de livrarias. Melhor ainda – gratuitamente, a cores, e com excelente qualidade.

Desengane-se quem pense que se trata de um catálogo. A Bang! é muito, muito mais do que isso. É verdade que aproximadamente um terço dos livros referidos pertencem à Saída de Emergência (não que seja mau, repare-se), mas existem muitas outras referências a livros de outras editoras portuguesas, e até estrangeiras. E para lá dos livros, ainda mais importante: a ficção publicada, e os ensaios de excelente qualidade. Ao ler a Bang! 8 de uma ponta à outra, senti-me na presença de um guia do fantástico que me fascinou pela surpresa.

Segue-se uma análise minha dedicada a cada uma das secções/contos/ensaios da revista:

  • • Do «Editorial» só tenho a dizer bem. Com as palavras de Safaa Dib ficamos a saber um pouco melhor do que se trata o projecto, da sua história, e, enfim, entusiasma-nos a partir para a leitura. Sou fã de editoriais… de referir, no fundo da página, a originalidade dos créditos da revista, que pode passar despercebida: com “director e escravo das galés: Luís Corte Real”, “colaboradores explorados nesta edição”, “autores convidados à bruta”, e “tiragem de revirar os olhinhos”. Só alguns exemplos!
  • • A página «Ilustrador da Capa» parece-me justa e interessante, dignificando assim o trabalho do ilustrador, e dando a conhecer um pouco mais da sua obra. Embora não tenha ficado particularmente interessado na carreira de Alejandro Dini.
  • • As páginas «Colecção Bang!» também foram do meu agrado. Claro que gostei de ver o “Sonho Febril” destacado, como aliás não podia deixar de ser. Das novidades prometidas, destaque para “A Corte do Ar”, e o livro de contos de David Soares. São os que estão sob a minha vigia…
  • • «M., de malária» é um conto de José Eduardo Agualusa, publicado numa antologia de vampiros aqui há uns meses, e agora na revista Bang. É o primeiro texto que leio do autor, embora já tivesse lido críticas de livros do mesmo. Não me surpreendeu por aí além, e até tenho de dizer que foi talvez o conto desta edição que menos me cativou. Com muita pena minha.
  • • «A (Minha) História de Duna», texto de Jorge Candeias, é uma crónica do autor e tradutor sobre a experiência de tradução do livro de ficção científica Duna, publicado há pouco tempo pela Saída de Emergência. Ponto positivo: a descontracção do Candeias a escrever é notória, e cria empatia e relação com quem quer que leia. Ponto negativo: não me cativou particularmente para a leitura do livro, tendo até adiado as minhas perspectivas de leitura. Foi sincero nas suas palavras, e eu, acreditando, adio Duna para outra altura da minha vida.
  • • O melhor conto de toda a revista Bang 8 foi para mim o de George R. R. Martin – “Com a manhã chega a neblina”. Como todos saberão, sou fã assumido do autor de fantasia. Mas é inacreditável como o mesmo me continua a surpreender a cada texto que leio – desta vez tratando-se do primeiro conto que leio dele. Martin dá um estilo cativante ao texto, dá-lhe um final profundamente meditativo e surpreendente, e, fugindo ao que seria de esperar nele, presenteia-nos com uma quase moral da história que não me deixou indiferente. Muito bom.
  • • «Os livros das minhas vidas» é uma crónica que a cada mês vai ter um convidado diferente. Talvez a dimensão de apenas uma página tenha sido causa para não ter apreciado por aí além. Afonso Cruz fez as suas escolhas, e falou especificamente de uma. Mas caíram assim como que num vazio… sem grande contextualização, ou introdução.
  • • A secção «Távola Redonda» deixou-me rendido, e aqui fica a sugestão de apostarem bem nela! Convidam cinco autores para falarem acerca de um dado tema, e nesta edição falaram da publicação. Artigo muito informativo e esclarecido, com alguns pormenores bastante interessantes. Diverti-me particularmente com alguns pontos de vista de Inês Botelho, que revelou ter contactado as editoras para a sua primeira obra através das listas telefónicas. Achei graça!
  • • O conto «A boa gente de Sodoma», de Matthew Rossi (a ser publicado em Portugal para 2011) não me chamou a atenção, talvez pelos termos técnicos demasiado desenvolvidos para a minha cabeça. Num estilo que torna científica a ficção (ficção científica!), dá-nos uma explicação “óbvia” sobre algumas das consequências das viagens no tempo. Não me surpreendeu.
  • • António de Macedo é autor do ensaio cuja 1ª parte nos é apresentada nesta revista: «Os mundos imaginários do fantástico português». Muito interessante de ler, do princípio ao fim, revela-nos factos históricos da existência do género Fantástico em Portugal mesmo desde a Idade Média, e posso dizer que aprendi muita coisa ao longo das oito páginas de texto. Fico a aguardar ansiosamente pela continuação destas páginas de história…
  • • Outro conto o qual não gostei por aí além foi «Os Cascos e o Casebre de Abdel Jameela”, conto finalista do Prémio Nébula 2009, escrito por Saladin Ahmed. Talvez com um imaginário demasiado cru, não sei bem explicar, acabou por não me convencer muito. De princípio confuso e desenvolvimento pouco rico, fiquei com a sensação de que apenas certos momentos foram de facto bons de ler. Mas é claro que isto se trata apenas da minha opinião!
  • • «Légolas, rói-te de inveja!» é um artigo escrito sobre uma saga de elfos negros que saiu agora publicada pela Saída de Emergência e que, para ser sincero, não me cativa minimamente. Não sei se é por não fazer o meu género preferido de fantasia, se pelo estilo de escrita, se… não sei. E depois de ler o artigo continuei sem estar interessado. Há livros com que uma pessoa embirra sem ter lido, não é? Acontece-me com muitos de vampiros, e agora com este…
  • • Do conto «Felicidade» de Inês Botelho esperava tão mais! Se calhar porque tinha as expectativas demasiado elevadas, pareceu saber-me a pouco. Claro que se ela desenvolvesse, e evoluísse para algo um pouco mais longo, eu pudesse ter-me agarrado com outra garra. Mas o tamanho parece não ter jogado a favor, e fiquei apenas com uma sensação de ter gostado, mas de quem queria mais. Sou um leitor fã de Inês Botelho, pelo que ela nos tem dado nos mais variados géneros, e foi bom vê-la aventurar-se numa distopia. Um bom trabalho, mas que me soube a pouco.
  • • «Nova Vaga, Novas Capas» reflecte um período muito específico da história editorial da ficção científica, durante os anos 60. Mostra a evolução das capas, a acompanhar as mudanças sociais ocorridas na época, e foi bom ter acesso a este ponto de vista. No fundo, as decisões editoriais relativas a grafismos e capas nunca são feitas ao acaso. Há sempre bases e porquês para determinadas escolhas…
  • • O texto de não-ficção « Fantasia Urbana ou Romance Paranormal?», da Safaa, explora este mistério que é a catalogação dos livros por géneros, subgéneros, subsubgéneros, etc. E que para mim sempre foram exactamente isso: um mistério, sempre relativo. Ficamos um pouco mais explicitados, e foi interessante de ler.
  • • «As Cidades do Segundo Esquerdo», de Afonso Cruz, é talvez um dos contos que mais gostei de ler logo a seguir ao de George Martin, talvez pela escrita e originalidade me terem surpreendido. Fiquei apenas com pena do tamanho, porque tenho a certeza que a temática dava para construir um projecto muito maior!
  • • A secção de críticas foi uma desilusão. A sério. Esperava umas 10 páginas de críticas boas, mas o que li foram na sua maioria resumos dos livros; e posso dizer que pela blogosfera já tenho lido críticas aos mesmos livros, melhor realizadas! Sem querer desvalorizar o trabalho de quem as fez, senti que se agarraram muito ao enredo, e se afastaram um pouco da opinião (excluindo uma ou duas específicas de que gostei mais). Espero que apostem nesta secção um pouco mais, e alarguem, pois para mim a crítica é sempre uma área na qual se deve apostar, para que os leitores percebam se devem ou não ler um livro, segundo a opinião de uma dada pessoa. Mais objectividade, talvez.
  • • A secção de Banda Desenhada foi agradável de ler, com o seu artigo sobre a série “The Walking Dead”, livro que vi traduzido para português no outro dia na FNAC.
  • • A última página foi também do meu agrado, com as novidades literárias do fantástico esperadas para o próximo trimestre. Apenas como ponto negativo uma dada parte da crítica à trilogia de Anne Bishop, que me parece conter alguns spoilers (sérios?) no princípio do último parágrafo. Espero que não me estrague a surpresa da leitura…
No fundo, uma das poucas coisas que não gostei na Bang é do seu carácter trimestral que por mim, apenas leitor, podia ser reduzido! Embora compreenda perfeitamente o trabalho que dá fazer uma publicação destas. Cá estarei para ler o próximo número, e aqui fica a nota para todos os leitores do Lydo e Opinado: vão buscar a revista a uma FNAC perto de vocês. Ok? BANG!

Tiago

sábado, 23 de outubro de 2010

Os Livros Desafortunados


Tenho a sensação de já ter falado deste assunto aqui no blog. Acontece que alguns livros que escolhemos ler são mesmo uns desafortunados... até podem ser a melhor obra que já nos passou pelas mãos (e nesse caso então, o azar chegaria ao extremo), mas pelas condições em que são lidos acabam por ser, às vezes, recordados com um pouco de desgosto. Ao pegar em "Underground", de Haruki Murakami, há quatro dias não estava à espera de na manhã seguinte acordar adoentado, constipação forte essa que está a durar até hoje (mas já estou melhor). Eu, falando por mim, tenho a sensação de que os livros que são lidos enquanto estou doente, são sempre uns desafortunados...

Colocava ainda a pergunta aos leitores do blog se, além desta situação, numa outra também acontece efeito semelhante. Já aconteceu falecer alguém próximo de vós enquanto liam um livro? A leitura ficou manchada por esse acontecimento? Gostava de saber as experiências das pessoas. E desculpem tocar neste assunto, se alguém não gostar dele. Eu próprio me sinto um pouco incomodado com ele...

Tiago

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Crítica - Sonho Febril

Título: Sonho Febril
Autor: George R. R. Martin
Tradutora: Ana Mendes Lopes
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 386
Preço Editor: 19,61€

Sinopse: «Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos. Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade».

Publicado originalmente nos Estados Unidos em 1982, esta obra de George R. R. Martin, muito anterior ao seu grande sucesso «As Crónicas de Gelo e Fogo», só agora é editada entre nós. Se tinha expectativas elevadas? Muitas. As Crónicas são responsáveis por esperarmos semopre muito de um autor que até então sempre nos surpreendeu. Este 'Sonho Febril', com a sua capa portuguesa maravilhosa, e sendo fantasia de George R. R. Martin já escrita há quase trinta anos, só podia prometer grandes coisas. Parti para a sua leitura entusiasmado e expectante.

Não me desiludi! É-nos introduzida logo desde o começo uma personagem que associaria como sendo tipicamente de Martin - Abner Marsh. Ao nível das suas melhores personagens de sempre, juntando com o TOP das presentes nas Crónicas de Gelo e Fogo. E é sob o olhar deste capitão que acompanhamos grande parte desta aventura. Este capitão tão peculiar e com o qual é tão fácil aprendermos a gostar da sua forma de ser. Descrito como o homem mais feio de todo o rio Mississipi, com os seus cento e cinquenta quilos e cara cheia de verrugas, tem uma maneira de ser muito forte e vincada. Esta personagem é responsável por 1/3 do gosto que tenho por este livro.

O dos 1/3 restantes estão no ambiente. Este mundo de meados do século XIX no rio Mississipi, com toda a história dos barcos a vapor, as cargas e descargas, as viagens atribuladas, as competições entre os barcos por um maior estatudo e fama... é simplesmente apaixonante. Dá vontade de lá estar a viver aqueles momentos. A descrição dos barcos, dos mais e menos luxuosos... identifiquei-me bastante com o ambiente descrito. Mágico e envolvente.

O último 1/3 do gosto não podia deixar de ir para o horror que caracteriza este livro. Não é uma história fácil, serena. Pelo contrário. Não se assustem os que fogem das modas quando eu disser que o tema principal do livro é exactamente 'Os Vampiros'. Agora reparem que há aqui uma grande diferença! Primeiro foi escrito muito antes da moda que agora houve. Depois, temos aqui uma dimensão mais palpável e assustadora destes seres. Longe de terem uma co-existência fácil com os humanos, ou de serem bonzinhos, ou de transformarem outros também em vampiros se assim o desejarem... temos aqui um conceito mais horroroso e monstruoso. Humanos e vampiros não se ligam, não se consideram iguais - e nisto há também uma constante referência à escravatura ainda existente na época, entre brancos e negros não se considerarem iguais. A comparação é feita constantemente! Atenção, aviso-vos: momentos de terror verdadeiramenre... repugnantes, diria assim. Perturbador.

Não querendo revelar spoilers, e não o vou fazer - adoro a posição que o tema "poesia" tem na obra. Entrando aos poucos na vida de Marsh, que no entanto nunca deixa de a chamar 'malditos poemas!', sentindo o contrário. Está muito bem conseguido.

Como pontos menos positivos tenho apenas o enredo da segunda metade do livro, que me parece um pouco mais pobre que a primeira. Quanto à tradução, embora boa na sua grande parte, tanto no princípio como no fim apresenta algumas repetições de palavras escusadas em sequências de frases muito próximas, e uma ou duas trocas de nomes que teriam ido lá com uma melhor revisão. Muito positiva, no entanto!

Fica pois a sensação que o livro correspondeu às altas expectativas que tinha criado, sem as ter no entanto nem ultrapassado nem ficado aquém. Uma obra que confirma George R. R. Martin como o meu autor preferido de fantasia, e que prova o poder que uma boa escrita tem de nos levar para longe do tempo e da realidade em que vivemos. Excelente!

Personagem Preferidas: Abner Marsh. Adorei!

Nota: 9/10 - Excelente

Tiago

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Novidades sob o meu olhar...


Chega Outubro e com ele uma série de novidades editoriais que são, por norma, as grandes apostas do ano. Entre os lançamentos deste ano, estes são os 4 livros que mais me estão a prender a atenção (do último ainda só conhecemos a capa e um pequeno excerto de três linhas, e nada mais!).
  • O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick
  • A Queda dos Gigantes - Ken Follett
  • Livro - José Luís Peixoto
  • Matteo perdeu o emprego - Gonçalo M. Tavares
Em princípio, estes quatro não me escapam - mais cedo ou mais tarde hei-de os adquirir e ler.

Tiago

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Crítica - Morreste-me


Título: Morreste-me
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Quetzal Editores
Nº de Páginas: 60
Preço Editor: 12,11€

Sinopse: «Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora. Um livro de culto há muito tempo indisponível no mercado português.»

Existem autores que, num mapa mental meu, não me podem escapar num determinado prazo. Há aqueles casos em que digo «até ao fim do ano tenho de ler um dele...», ou então o critério mais geral «um dia tenho de experimentar...». José Luís Peixoto pertencia a esta segunda categoria. Assistira a uma entrevista com ele, na televisão, há aproximadamente um ano, e ficara curioso. Mas com o lançamento recente do seu novo romance - Livro - começaram a chover críticas positivas pela blogosfera. Nomeadamente, que Livro era a melhor obra portuguesa desde O Memorial do Convento, de José Saramago. José Luís Peixoto passou de imediato para a primeira categoria. Queria lê-lo até ao fim do ano. Só que ontem, numa ida à FNAC, deparei-me com a sua primeira obra, «Morreste-me», e não consegui resistir. Trouxe-o, e li-o em pouco mais de uma hora hoje à tarde (longe de mim desistir do Sonho Febril, o qual estou a gostar bastante! Fiz apenas uma pausa de um dia).

Quando as expectativas partem muito elevadas, é normal que se sinta um pouco de desilusão. E foi exactamente isso que senti. O livro, de sessenta páginas, é um relato comovente e pessoal sobre os sentimentos do autor em relacção à morte do pai. É realizada uma viagem, um reavivar de memórias, e vive-se e sente-se a dor. A dor. Ao longo do livro.

Pareceu-me natural lê-lo em voz alta. Um livro como este chama a fazer isso. Li-o, pois, expressando-me conforme as palavras mo diziam para fazer. Já tinha lido que era um livro com muita dor... e isso confirmou-se... mas também tinha lido que esta se entranhava no leitor de forma quase invasiva... e isso não senti. Aliás, achei o relato um pouco distante. Talvez pela minha ainda breve experiência de vida, senti-me um espectador de fora a assistir, e não fazendo parte, como esperava que viesse a acontecer. Não sei se por ser a primeira obra do autor esse sentido pudesse ainda não ter sido apurado na sua escrita. Depois disso escreveu mais 6 de prosa... que tenciono ler.

O ponto alto do livro é a própria escrita: foge às regras. Longe do convencionalismo que se assiste na grande maioria dos livros que lemos, apresenta-nos um estilo de linguagem meio alternativo, sem receios. José Saramago, António Lobo Antunes, valter hugo mãe, Inês Botelho, e agora José Luís Peixoto. Os três primeiros nunca li, embora saiba que apresentam também eles particularidades ao nível da expressão. Agrada-me este modo alternativo de encarar a linguagem!

No fundo fica um sentimento de que li uma narrativa tocante, poderosa na maioria da sua extensão, triste toda ela - mas que, pela elevada expectativa, não me surpreendeu e desiludiu um pouco. O primeiro que José Luís Peixoto escreveu foi o primeiro dele que li. Fica a vontade de ler mais da sua obra, porque sem dúvida estou curioso por o fazer.

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vencedores do Passatempo 'Sonho Febril'!


E recebi o resultado do passatempo 'SONHO FEBRL', livro de George R. R. Martin, editado pela Saída de Emergência. A editora surpreendeu-me, apresentando o nome não de 1, mas sim de 3 vencedores! Entre as 188 participações (record no Lydo e Opinado!), pouco mais de dois terços apresentaram as respostas certas. Seguem-se então as respostas:

1- Abril de 1857
2- Casa da Plantação
3- Burgundy
4- Quatro.
5- Ouro/ Moedas de Ouro/ Vinte mil dólares em moedas de ouro.

E os vencedores são, por sorteio da própria editora:

Fernando Silva, de Alenquer

Patricia Dias, de Modelos

Inês Matos, do Lorvão

Parabéns aos três! Dentro em breve receberão nas vossas caixas de correio um exemplar deste livro de George R. R. Martin. Para todos os outros, muitos, participantes: obrigado pela vossa participação, e não deixem de ler o livro. Eu estou já na segunda metade do mesmo, e estou a gostar muito, como poderão depois ler pela minha crítica.

Uma última palavra de agradecimento à editora, por tornar possível este passatempo!

A Equipa do Lydo e Opinado

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nobel da Literatura 2010 - Mario Vargas Llosa!!


Eis que é divulgado o nome do Nobel da Literatura do ano 2010:

Mario Vargas Llosa

O escritor peruano é o galardoado deste ano pela Academia Sueca que atribui o Prémio Nobel. Ao meio-dia (hora de Portugal) foi divulgado como vencedor.

O blog Estante de Livros publicou um muito útil link que vos leva à totalidade da obra do autor publicada em Portugal. Este ano não são poucos os títulos que temos entre nós do recém eleito Nobel! Carreguem aqui.

A justificação por parte da Academia para atribuição do prémio foi "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos".

[Post em constante actualização]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crítica - Sobre a República (Fernando Pessoa)


Título: Sobre a República
Autor: Fernando Pessoa
Editora: ÁTICA (Guimarães Editora)
Nº de Páginas: 57
Preço Editor: Grátis com o jornal i

Sinopse: «Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos - porque estes contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regímen a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República».


Este é um dos dez livros da colecção dedicada a Fernando Pessoa, que o ano passado saiu semanalmente com o jornal i, grátis. Já tinha lido cinco deles, e este agora tornou-se o sexto. Já o ano passado o tinha guardado especialmente para o ler durante o centenário da revolução da República, o que seria mesmo a calhar em relação ao conteúdo do livro. Além disso, juntando-se o útil ao agradável, a seguir a ler o maior livro do ano (Os Miseráveis - 1088 páginas), também sabe bem ler um dos mais pequenos - 57 páginas!

O que eu não estava nada à espera era de encontrar neste livro uma faceta de Fernando Pessoa que ainda não tinha descoberto... é que ao manifestar-se contra o modelo da República aplicado após o 5 de Outubro, o autor e exalta-se e não se poupa em insultos, chegando mesmo a "proferir" algumas palavras mais pesadas... não hesita em insultar os chefes políticos da época, principalmente Afonso da Costa.

Na maioria dos textos manuscritos, acontece existirem quase uma dezena de palavras por página com um "[?]" à frente, que tem como significado não se perceber se a palavra que está escrita é exactamente aquela. Não me parece que a abundância de símbolos destes ao longo de todo o livro se devam apenas à letra difícil de Pessoa. Fiquei com a ideia que o próprio autor tremia enquanto escrevia as palavras, porque o discurso, esse, não há margem para dúvidas que é tremido e exaltado.

Texto curioso de se ler na véspera do dia em que a República fez cem anos, porque mostra uma opinião legítima e negativa do acontecimento que está a ser tão falado a nível nacional. Pena que ninguém pareça lembrar-se da opinião de Pessoa neste momento, porque sem dúvida que os seus argumentos dariam pano para mangas... desde quando chama trapo à bandeira nacional, até "Vem o Senhor Afonso da Costa... aquilo é que é uma besta!", um livro que mostra uma visão da República pelos olhos de um intelectual insatisfeito da época. Curioso e interessante.

Páginas: 57

Nota: 6 (em 10) - Agradável

Tiago

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Crítica - Os Miseráveis


Título: Os Miseráveis
Autor: Victor Hugo
Editora: MEL Editores
Nº de Páginas: 1088
Preço Editor: 21,50€


Pode acontecer que a opinião abaixo se torne desmesuradamente extensa; não seria de estranhar se assim o fosse, pois os últimos quatro meses passei-o com este romance de 1088 páginas. Vou-vos contar o princípio da minha experiência de leitura. Comecei a obra a 23 de Maio – a 26 de Junho, com um terço do livro lido, descubro que afinal a edição que tinha cortava longas partes e resumia outras. Comprei um volume único com toda a história e reiniciei a leitura. Em post de 27 de Junho, referia que a crítica poderia demorar, assim, “mais uns tempinhos”. Esses “tempinhos” acabaram por ser mais de três meses. Há muito tempo, diria anos, que não demorava tanto a ler um livro. É certo que era grande, mas não justificava três meses.

Os Miseráveis, do autor francês clássico Victor Hugo, era uma das obras que estava na minha mira desde há tempos. Não conhecia nada da história, absolutamente nada. E no entanto a curiosidade dominava-me sempre que ouvia o título. Quando o recebi nos meus anos, no princípio de Maio, soube de imediato que não conseguiria evitar a sua leitura nos tempos mais próximos. Aconteceu vinte dias depois, e o resto já expliquei acima.

Este romance é grandioso. Mas tenho de começar com uma expressão chave importantíssima para classificar a minha crítica: sentimento ambíguo. Victor Hugo não hesitou nas suas escolhas, e ao decidir misturar ficção com não ficção criou um texto irregular, principalmente para o leitor. Ou seja, o que me incomoda não são as primeiras cinquenta páginas, que se podiam resumir numa frase: “O bispo de Digne era um homem verdadeiramente bondoso e santo”, as quais são enchidas de pormenores, e ao longo da qual é descrita por completo a personagem do bispo, que acaba por ter um papel curto na acção. Não, não é isso que me incomoda, até porque gostei dessa parte. O problema está nas quarenta páginas da descrição exaustiva da Batalha de Waterloo, no livro “Parêntesis” que engloba uma visão do convento como “ideia abstracta” e “facto histórico”, nas vinte páginas sobre um extracto da história da França, as outras vinte sobre uma revolução que houve, sobre a gíria dos gaiatos franceses… etc. São de certeza às dezenas os devaneios que Victor Hugo faz para lá do necessário à história.

Quando ao autor apetece sair das personagens e do enredo, começa a divagar – e isto sempre com um respeito solene pelo leitor, com expressões como “permitirá o leitor que façamos uma pausa na nossa história”. E eu só a apetecer-me dizer “Não permito, continue lá”. Podia simplesmente passar à frente, mas isso seria ridículo, visto que eu próprio quisera ler a versão sem ser abreviada. E a verdade é que, no fim, os meus olhos passaram por cada palavra d’ Os Miseráveis! Mesmo que, em certas passagens mais políticas e de linguagem administrativa ou militar, o meu cérebro como que se desligasse para meio gás, e apenas ficasse com uma ideia geral do que estava a ler. Tinha que ser, porque se estivesse concentrado e entender cada detalhe do que estava a ser falado, a leitura durava-me quase até ao fim do ano.

Mas a história que temos como enredo é… linda. Arrebatadora. Em linhas gerais, a sinopse da história poderia ser qualquer coisa como isto: ao cair da noite, chega à cidade de Digne um homem de nome João Valjean. É um condenado aos trabalhos forçados nas galés, das quais agora foi libertado, e onde passou vinte anos preso pelo roubo de um pão e pelas sucessivas tentativas de fuga. Vem como um despojo de um homem, desolado e sem ânimo, disposto a enveredar novamente por uma vida no crime como único meio de sobreviver. Mas, eventualmente, a sua alma é iluminada, resultado de um encontro que é obra da Providência. E João Valjean torna-se assim um homem muito diferente… ainda assim um reincidente procurado, por ter roubado um miúdo assim que saiu da cadeia.

A obra tem momentos de beleza indiscutível. Um leque gigante de personagens, umas mais interessantes do que outras, é certo, que povoam as imensas páginas do livro. A miséria é um ponto de grande destaque, e vamos tomando consciência das injustiças sociais que existiam na altura. Por vezes são avassaladoras e comoventes, deixando-nos com uma sensação de impotência perante os problemas da sociedade, a pobreza extrema.

Para mim a obra divide-se em três fases de escrita, apesar de no livro existirem Cinco Partes. As primeiras duas formam uma escrita de acção e emoção que considero as melhores conseguidas de todo o livro. Da parte 3 a meio da parte 4 temos uma fase à qual não pude deixar de comparar a leitura de Os Maias, pela descrição dos ambientes, e o estilo de escrita que de certeza foi inspirar Eça de Queirós vinte anos mais tarde. E do meio da parte 4 até ao fim temos um terceiro estilo, que não consigo definir tão bem, mas que em parte mistura os dois primeiros.

A tradução portuguesa, também da época, está muito bem feita e inclui vocábulos clássicos, o que confere ao texto uma veracidade tal que parece que a obra foi escrita originalmente em português. A edição da MEL Editores também está bastante boa, tendo apenas encontrado uma porção ínfima de erros gráficos para o tamanho da obra!

É difícil continuar sem enveredar por caminhos que estraguem a surpresa a quem ainda não leu, e quanto a isso não há com que se preocuparem porque não o vou fazer. Está aqui um livro à minha frente com o qual passei um quarto do meu ano 2010, com o qual passei momentos de aborrecimento, momentos de entusiasmo, momentos de contemplação perante uma obra de arte da literatura. Está aqui à minha frente um romance de qualidade indiscutível, com desvios diria inoportunos para assuntos acerca dos quais não tinha tanto interesse, mas com uma pintura de fundo bem viva e marcante. Temos uma história que aborda vários temas em várias frentes, e que no fundo acaba por ser um ensaio do sentido da vida do Ser Humano. De nunca ser tarde de mais para uma alma se modificar.

Se aconselho? Sim. Um aviso, no entanto, desde já. Quem se aventurar na leitura deste romance de Victor Hugo, e fará essa pessoa muito bem, terá de ter a coragem e a força de vontade para não desistir. Não é uma leitura fácil em certos pontos, e de quando em vez lá o ritmo afrouxa e somos obrigados a ler devaneios políticos ou de outro cariz. No entanto, para aqueles que conseguirem prosseguir, encontrarão nesta obra momentos que valem pelos de aborrecimento, um enredo de fundo que entusiasma, numa linguagem não tão clássica como seria de supor. E quando chegarem ao fim terão uma opinião muito positiva sobre o que terminaram de ler. Não me tendo arrebatado, nem conquistado totalmente, cativou-me o suficiente para poder dizer que estou perante um clássico da Literatura Universal o qual gostei muito de ler. E que um dia, muito longínquo, desejarei com certeza relê-lo. Até lá, inspirar-me-ei em tudo o que resultou da minha leitura para, quem sabe, mudar um pouco a forma de ver o mundo.

Páginas: 1088

Personagens Preferidas: Jean Valjean, Epopina e Srª Thénardier.

Nota: 8/10 (Muito Bom)

Tiago

domingo, 3 de outubro de 2010

Visual renovado!


O Lydo e Opinado tem o prazer de apresentar aos seus seguidores, assíduos ou mesmo irregulares, um visual ligeramente renovado. Queríamos mudar qualquer coisa no blog, mantendo o mesmo esquema de cores. Acabámos por manter o mesmo fundo, o esqueleto mantém-se inalterado, e a mudança recaiu apenas sobre a imagem superior (o banner), e os botões do topo da barra lateral.

O nosso principal objectivo é actualizar o conceito do nosso blog. A frase por debaixo do título que tínhamos antes era: "Um blog sobre leitura: livros, e críticas aos mesmos. E, acima de tudo, um espaço para os amantes da leitura!". Achámos que, entretanto, as coisas tinham mudado. E este "livros, críticas, autores, passatempos, entrevistas, editoras, novidades literárias" reflecte melhor o que é actualmente o Lydo e Opinado.

Esperemos que as alterações sejam do vosso agrado. Se por algum motivo não vos entusiasma particularmente esta nova imagem, informem-nos através do vosso comentário. A mudança não é radical, mas a opinião dos visitantes é a que mais conta.

Tiago

P. S. Se andarem uns centímetros mais para baixo na página, poderão participar no passatempo que está a decorrer desde sexta-feira, relativo ao novo livro de George R. R. Martin editado em Portugal - Sonho Febril. Boa sorte a todos os participantes!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Passatempo - Sonho Febril


Eis que é dado início ao mais recente passatempo do Lydo e Opinado, em colaboração com a editora Saída de Emergência, no qual irá ser oferecido ao vencedor um exemplar do livro 'Sonho Febril' de George R. R. Martin - lançado hoje para as livrarias nacionais. Para participares basta preencheres o formulário abaixo.

As respostas às perguntas encontram-se todas no primeiro capítulo do livro, que poderás ler carregando aqui.

Relembro as regras básicas, de que apenas aceitamos uma participação por pessoa e por morada. Os dados que derem (nome, morada, e email) serão utilizados apenas caso sejam o vencedor; e eliminados de imediato após a determinação do mesmo. Apenas a administração do blog e a própria editora terão acesso aos dados. Acho sempre importante informar acerca deste destino dos dados para que as pessoas estejam cientes do destino da informação que dão - eu preocupo-me sempre quando participo em coisas assim.

A escolha do vencedor será feita ao acaso entre todos os participantes que acertarem às questões. O passatempo decorrerá durante cinco dias, terminando o prazo de participação às 23:59h do dia 10 de Outubro, um Domingo. Resta-me desejar boa sorte a todos!




A Equipa do Lydo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Amanhã... passatempo 'Sonho Febril'!


Lembram-se de termos anunciado o lançamento deste novo livro de George R. R. Martin, 'Sonho Febril', para dia 1 de Outubro? Agora lembramos de novo esse acontecimento, com o acréscimo de que nesse mesmo dia faremos aqui pelo blog um passatempo no qual sortearemos um exemplar do mesmo!

Fica atento.

Tiago

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Novidade - 'A Queda dos Gigantes', de Ken Follet


Há livros cujos lançamentos são em grande. Tudo em grande. Este parece ser um desses exemplos. O novo romance de Ken Follet (autor em grande), será publicado ao mesmo tempo em múltiplos países, já com as devidas traduções (cobertura mundial em grande). O projecto é o primeiro de uma trilogia que acompanhará gerações de diferentes famílias ao longo do século XX (não vos parece algo grande?). Tem 928 páginas (muito grande!). E, para terminar, um preço que é tudo menos pequeno - 29,95€ de preço editor.

De Ken Follet apenas li 'Os Pilares da Terra', aqui há uns dois anos e meio, e posso dizer que adorei. Se na altura me marcou imenso, hoje posso dizer que continua a ser das minhas obras favoritas de sempre, além de ter sido provavelmente um trampolim que me transportou de uma dimensão literária para outra.

A sinopse dá vontade de pegar e devorar... mas a verdade é que desenvolvi um certo trauma em relação a livros deste calibre (tamanho), e as mais de 900 páginas assustam-me e fazem-me hesitar. Assim como o preço. Fica então aqui expresso o desejo de o ler, mas também a certeza de que em princípio esperarei por uma altura mais propícia. Deixo-vos então com a sinopse:

Um documento extraordinário, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.
Ken Follett, esse grande mestre do romance, publica uma nova obra de grande fôlego histórico, a trilogia O Século, que atravessará todo o conturbado século XX. Neste primeiro volume, travamos conhecimento com as cinco famílias - americana, alemã, russa,inglesa e escocesa - que nas suas sucessivas gerações serão as grandes protagonistas da trilogia. Mas não esgotam a vasta galeria de personagens, incluindo figuras reais como Winston Churchill, Lenine ou Trotsky, que irão cruzar-se numa complexa rede de relações, no quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino.
Tiago

P. S. : Quanto aos Miseráveis... não fui tão rápido como queria, e parece que o vou ter de aguentar mais alguns (poucos) dias...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Já faltou mais...


É verdade, sim senhor. Já faltou mais... para terminar a leitura d' Os Miseráveis, de Victor Hugo. De longe, a minha aventura literária mais longa deste ano, se não de sempre. Estou há quase quatro meses a ler este livro: o andamento não é fácil, como se pode comprovar. Mas a verdade é que, a 200 páginas do fim, o ânimo está redobrado, e estou determinado a terminá-lo até Domingo. Vamos ver no que dá - e depois cá farei a minha crítica (aviso desde já que não deverá ser uma coisa pequena...).

Coragem, Tiago!

Tiago


PS: Estou em crer que, assim que terminar este livro, regressarei ás leituras com unhas e dentes. Como se Os Miseráveis fossem uma rolha, eu a vá tirar da garrafa, e depois sai tudo cá para fora. Isso também significa mais actividade no Lydo e Opinado.

domingo, 19 de setembro de 2010

Nova Aquisição - 'About a Boy'!


Qual o resultado de escolher a disciplina opcional de Inglês no 12º ano de Línguas e Humanidades? Ler livros que provavelmente nunca teria conhecido sequer de outra forma. Este 'About a Boy' de Nick Hornby parece bastante interessante e já o adquiri - na sua língua original. Pelos vistos vou ter de o ler e analisar para a disciplina. E pelos vistos já existia uma adaptação cinematográfica e eu nunca tinha ouvido falar. Estive a ler a sinopse e parece-me interessante:

Will is thirty-six but acts like a teenager. He reads the right magazines, goes to the right clubs and knows which trainers to wear. He's also discovered a great way to score with women - at single parents' groups, full of available (and grateful) mothers, all waiting for Mr Nice Guy. That's where he meets Marcus, the oldest twelve-year-old in the world. Marcus is a bit strange: he listens to Joni Mitchell and Mozart, he looks after his Mum and he's never even owned a pair of trainers. Perhaps if Will can teach Marcus how to be a kid, Marcus can help Will grow up...

E já encomendei mais outro livro, também para analisar na disciplina, que tem de se mandar vir de lá de Inglaterra porque cá não existe. Quando o tiver nas mãos digo qual é.

Tiago

sábado, 18 de setembro de 2010

Crítica - After Dark, Os Passageiros da Noite


Título: After Dark - Os Passageiros da Noite
Autor: Haruki Murakami
Tradutora: Maria João Lourenço
Editora: Casa das Letras
Nº de Páginas: 225
Preço Editor: 16,15€

Sinopse: Por uma noite, Murakami leva-nos com ele através de uma Tóquio sombria, onírica, hipnótica. Um deslumbrante romance perpassado de uma singular atmosfera poética, na fronteira entre a realidade e o universo fantasmático, onde cada pormenor, olhado retrospectivamente, faz sentido. Num bar, Mari encontra-se mergulhada num livro, enquanto bebe o seu chá e fuma cigarro atrás de cigarro. Às tantas, entra em cena um músico que a reconhece. Ao mesmo tempo, encerrada num quarto, Eri, a irmã de Mari, dorme com os punhos cerrados, sem saber que está a ser observada por alguém. Em torno das duas irmãs desfilam personagens insólitas: uma prostituta chinesa vítima de agressão, a gerente de um hotel do amor, um técnico informático, uma empregada de limpeza em fuga. Sucedem-se acontecimentos bizarros: um aparelho de televisão que, de um momento para o outro, começa bruscamente a funcionar, um espelho que conserva os reflexos. Em Tóquio, durante as horas de uma noite, vai desenrolar-se um estranho drama...


Há uns meses passou-me pela cabeça uma ideia meio tresloucada. Quem me conhece sabe que eu não sou pessoa de ler rápido, demoro um tempo considerável por página. Daí que por vezes demore mais tempo do que gostaria a ler um livro. Há no entanto um autor chamado Haruki Murakami, japonês, que me hipnotiza com as suas palavras e me deixa agarrado às suas obras. Quando na Feira do Livro de Lisboa deste ano comprei o “After Dark – Os Passageiros da Noite”, decidi quase de imediato que, quando o lesse, seria de seguida, numa só noite. Pareceu-me uma decisão natural – como todo o enredo era também todo ele passado nas horas de lua, porque não ler em tempo real? A ideia aliciou-me.

A noite de 5 de Setembro foi a escolhida. Fui beber água, acender a luz do quarto, abrir a janela e fechar os estores, encostar a porta do quarto, abrir o armário, pegar no livro, deitar-me na cama, encará-lo de frente, olhar para ele numa antevisão do que o serão me prometia. Eram 10 horas da noite e vinte minutos. As minhas previsões feitas antecipadamente, tendo em conta as 220 páginas, diziam que demoraria entre 5 a 6 horas. O meu coração batia acelerado só na perspectiva da aventura em que ia entrar. Por fim abri na primeira página do primeiro capítulo.

«Diante de nós desenham-se os contornos da cidade.»; sim, vejo-os, todos os altos arranha-céus, os limites, as ruas, as esquadrias e as assimetrias, tudo o que uma cidade pode oferecer ao nível da forma. Vejo-os diante de mim como se lá estivesse. Bastou uma frase para ser puxado – com Murakami é sempre assim, visto que parto à partida com a certeza de que aquele é o meu ambiente, e não precisarei de tempo para me ambientar. Atiro-me de cabeça.

As primeiras duas páginas são mais do que imagens – é todo um conforto que sinto de me imaginar lá, no meio de toda a vivacidade da noite japonesa, o movimento em Tóquio, a azáfama das ruas; tudo isso são presenças – células – circulando pelas ruas – artérias. Toda a cidade é um corpo. A metáfora de Murakami conquista-me facilmente, porque consigo imaginar que o é de facto. Cada cidade é um corpo composto de inúmeras células, sempre em metabolismo, sempre trazendo algo de novo umas às outras.

Há qualquer coisa de muito cativante no princípio desta história. Em poucos parágrafos Murakami dá-nos a conhecer o cenário deste livro, e todo o mecanismo vivo que o vai alimentar. Na noite de Tóquio existe toda uma quantidade de pessoas diferentes, que estão ali com objectivos diferentes, cada um vivendo para a sua própria noite – a noite particular de cada um deles. Mas que, no fundo, está sempre em contacto com as dos outros. A minha história de vida que se cruza com outra história de vida quando sou interpelado na rua. Cruzamentos e ligações que se darão debaixo do néon luminoso, e os ecrãs que vão diminuindo o seu brilho e som à medida que se aproxima a meia-noite.

Ao invés de sentir que o dia acabou, sinto que é a noite que está a começar. A minha e a de todas aquelas personagens que as poucos me vão sendo apresentadas, e as quais acompanho de tão perto sem que possa interferir na acção – é Murakami que leva aqui e ali, apontando para os sítios onde devo olhar. A certa altura entro na dúvida se estarei a ler um livro, ou a ver um filme. A linguagem do autor neste livro, em particular, é muito cinematográfica; em certos pontos parece-se extraordinariamente com um guião. Uma nova faceta da sua escrita que, após sete livros, ainda não conhecia! Tive de esperar pelo oitavo (pergunto-me o que ainda virá nos próximos por ler…).

A primeira metade do livro é tudo menos silenciosa. Temos música de fundo em muitos dos capítulos, ou que vai tocando nos bares, ou nos restaurantes, ou nas lojas, ou que as personagens simplesmente cantarolam. Há muito jazz, referindo logo à partida a música que provavelmente também serve de mote para o título do livro: “Five Spot After Dark”. Mas não só! Blues, música clássica, e mesmo música pop japonesa… temos de todos os tipos de sonoridade nesta obra. Ah, e é claro, também temos a música das palavras e dos diálogos. E a do silêncio.

O fim, igual a tantos outros de Murakami, completa-me. Os finais abertos deste autor conquistam-me pela magia que transmitem – nada está terminado, apenas vamos deixar de contar por aqui. Existem tantas histórias por desenrolar, e podemos calcular o que aconteceria a seguir. Mas a noite tem fim. E ao nascer do sol as pessoas levantam-se e começam um novo dia. Para quem viveu intensamente a noite, neste drama sinistro, melodramático, tão pessoal e comovente, é agora altura de descansar – sozinho ou junto de quem se mais gosta. Com a esperança de que as últimas seis horas tenham mudado positivamente a vida a uns, e a tristeza de que para outros tenha sido tão profundamente cruel. E ainda há aqueles para quem a noite não passou disso – mais uma igual a tantas.

No fundo, este livro continua com o leitor muito depois de ter terminado. No fundo não conseguimos deixar de pensar na forma como a vida é tão sensível às mudanças exteriores, que cruzarmo-nos com uma dada pessoa pode mudar uma perspectiva de vida. Passageiro da noite como fui, às três da manhã pousei o livro na minha mesa de cabeceira, depois de ler a última página, fechei a janela, apaguei a luz, deitei-me e adormeci. Sabendo que a manhã seguinte seria um novo dia… mas que “After Dark” ia continuar comigo por muito, muito tempo.

Personagem Preferida: Naoku, e Mari, e o músico de jazz.

Nota: 9/10

Tiago


PS: Quanto à leitura dos Miseráveis, que se estende já por todo o Verão, entrei agora nas últimas 250 páginas, e espero lançar-me até ao fim. Já não era sem tempo, não é?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Capa de 'Sonho Febril', de George R. R. Martin!


Foi divulgada há cinco minutos no twitter da editora 'Saída de Emergência' a capa do novo livro publicado em Portugal de George R. R. Martin - Sonho Febril - e está simplesmente linda. O livro será posto à venda dia 1 de Outubro!

Tiago

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Entrevista Exclusiva à leitora Sara (aqui do blog)!

(SARA)

1. Sentes de alguma maneira que a partir do momento que entraste no Lydo e começaste a fazer críticas o teu gosto pela leitura modificou-se de alguma forma?
É óbvio que sim. Dantes, apesar de ler bastante em comparação a outros jovens, não tinha conhecimento de tantos autores e a minha vontade de o fazer também não era muita. Na verdade, cingia-me aos livros que me iam oferecendo e às colecções que me chamavam a atenção. Depois, se fosse preciso, lia-as e relia-as as vezes que fossem necessárias. Para além de que a vontade de devorar livros não era tão grande, pois não esperava ansiosamente pelo próximo. Agora, com o vasto conhecimento que fui adquirindo em relação a autores, editoras e coisas assim, comecei a comprar muitos mais livros, a exigir muito mais de mim própria. E estou sempre com vontade de ler o próximo, mas também de não terminar o que estou a ler - se este for mesmo muito bom -, o que cria um sentimento esquisito, mas bom, dentro de mim.

2. Fazendo uma comparação com todos os outros anos da tua vida, em termos de leitura este está a ser dos melhores - mais qualidade?
Sim, sem dúvida alguma. Tal como referi na pergunta anterior, agora que conheço muitos mais autores, exijo muito mais. Conheci autores como, por exemplo, George R. R. Martin que, se visse numa livraria qualquer, nem sequer pegaria nele. Nunca pensei que uma "história sobre reis" (como eu a julguei logo no início) se fosse tornar tão boa. Foi preciso um empurrãozinho, mas depois disso já não conseguia parar! Conheci, assim, uma qualidade de leitura que eu jamais julgara existir - com este autor e tantos outros.

3. Existem alguns autores que dizes "Tenho mesmo de ler um livro dele..." mas não arranjas maneira de o fazer, por não te apetecer?
Antigamente, isso acontecia muitas vezes. Ficava curiosa, mas preferia ficar dentro do meu pequeno mundo de livros aos quais já estava habituada. Mas agora já não tenho problemas desses, porque aprendi a aceitar as sugestões que me dão. Para além de que tenho o Tiago, que, mesmo que eu não consiga comprar o livro em questão, acaba sempre por me emprestar. Posso não tê-lo na minha estante - com muita pena minha -, mas ao menos li-o e isso já é muito bom.

4. Tens alguma hora específica do dia para ler? E preferes férias ou período lectivo?
Eu leio muito à noite. Especialmente nas férias, sim. Mas é mais nas férias de Verão. Consigo ficar acordada mesmo até muito tarde, apenas por estar a ler. Ainda há pouco tempo olhei para o relógio e, quando vi que eram quatro da manhã, nem queria acreditar. Para além de que também não queria fechar o livro, mas lá teve que ser!
No período lectivo torna-se muito complicado. Leio antes de adormecer e nunca passo das 20 páginas porque ando sempre muito cansada. Mas, por vezes, tento ler nas aulas. Não sigam o meu exemplo! Já quase que ia ficando sem livro, uma vez ou outra. E, de outras vezes, também me ameaçaram mandar para a rua. Mas às vezes quero tanto ler aquele livro que não resisto a levá-lo dentro da mala, para o poder ler onde calhar!

5. Tinhas oportunidade de jantar com um autor/autora à tua escolha. Quem escolhias e o que lhe dizias?
Que pergunta mais complicada... No entanto, acho que escolhia a J. K. Rowling. Sei que há muitas pessoas que não acharam a sua saga nada de especial, mas a mim mudou-me a vida. Foi a primeira vez que senti o que é ser fã de qualquer coisa. Sentia mesmo muito carinho pelas personagens e pelo mundo que ela tinha criado. E, assim, ganhei uma curiosidade especial em saber mais acerca dela. Por vezes, vejo documentários acerca dela, mas fico sempre com dúvidas por resolver. Por isso, acho que lhe poria essas dúvidas, durante o jantar, esperando que ela não se fartasse de mim!

6. E agora a mesma pergunta, mas um pouco modificada... um jantar de amigos onde podias convidar, além de ti, 5 personagens de 5 livros diferentes. Quem seria a tua companhia nessa refeição e porquê?
Vou fazer numeração, pode ser? Sou muito organizada nestas coisas.
1 - John Snow (Crónicas de Gelo e Fogo). Sempre o imaginei de uma certa maneira na minha cabeça... E gostava de o ter à minha frente e perguntar-lhe «Como é viver naquele mundo?»
2 - Hugh Harrowfield, mais conhecido por Red (A Filha da Floresta). Apaixonei-me completamente por este homem. Ele é daquele género de personagem que deixa as raparigas a pensar «Quem me dera ter um assim para mim...» Mas o que mais me deixa contente, é que até tenho um.
3 - Hermione Granger (Harry Potter). Sempre tive um fascínio enorme por esta personagem! Não só pela do livro, como pela do filme. E também sempre me identifiquei um bocadinho com ela, o que tornava as coisas mais interessantes.
4 - Nómada (Nómada). Gostava que ela me explicasse pessoalmente todo aquele mundo em que ela vive e me contasse todas as suas aventuras. Seria uma experiência fantástica!
5 - João da Ega (Os Maias). Por ser a personagem mais divertida daquele livro e a que mais cativou. Acho que íamos ter uns debates interessantes.

7. Tens alguma opinião acerca dos e-books e audio-books, que começam a entrar agora no mercado português?
Sinceramente, nem por isso. Quer dizer, nunca experimentei nenhum... Mas também não tenciono experimentar. Penso que me era impossível substituir os meus queridos livros, aqueles com capas espectaculares que ocupam a minha estante e que têm páginas para eu folhear.

8. Qual a tua aspiração máxima enquanto leitora?
Conseguir ler todos os livros que tenciono ler, incluíndo aqueles que ainda nem eu sequer sei que existem! Ah, também não me posso esquecer que gostava de comprar todos os livros das Crónicas de Gelo e Fogo, para ter na minha futura estante. E o quanto gostava também de os ler a todos... Enfim, como vêem, muitas coisas me levariam à minha aspiração máxima enquanto leitora. Mas quantos mais livros ler e gostar, mais realizada me irei sentir.



Esperamos que a entrevista tenha servido para conhecerem melhor a Sara do Lydo e Opinado - ah, e se por acaso conhecerem as personagens com quem ela quer jantar, agradece-se que lhe possam dar os contactos deles para que se torne mais fácil...!!


A Equipa do Lydo e Opinado

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Diana Franco de Sousa em Lisboa | Lydo e Opinado em Agosto!


Devem com certeza estar lembrados da entrevista que fizémos no passado dia 1 de Julho, à autora Diana Franco de Sousa. Pois bem, ela vai apresentar o seu livro «Início» da Saga de Alamar amanhã, na única apresentação planeada para Lisboa. Uma boa oportunidade de adquirir o livro e terem um autógrafo - vai ser no Campo Grande, pelas 16 horas. Carreguem aqui para verem mais informações.

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Com Agosto mesmo à porta, chegou a altura de o blog fazer aqui o seu programa para o próximo mês! Aviso desde já que vou estar ausente uma boa parte - depois digo-vos onde vou - e por isso até ao último terço do mês não vou estar presente no blog, ou muito raramente. Por isso, deixo o blog nas mãos da Sara e da Patrícia, que saberão dar um bom rumo ao mesmo.

Vão-me perdoar os leitores do blog, porque o programa para o mês de Agosto é pequenino e, confesso, pouco entusiasmante! Mas peço a vossa compreensão - as férias levam-nos para longe do computador, e distraem qualquer pessoa. Daí que também nós andemos a descansar, e consequentemente um pouco mais afastados. O blog não vai entrar de férias, mas durante este mês vai estar com um ritmo mais baixo... para voltarmos em força para Setembro, pode ser? É que para Setembro e Outubro, já temos entrevistados confirmados... uma autora, e uma tradutora. Mas para Agosto... para Agosto não tínhamos ninguém!

Então, só para dizermos que não vão ficar sem entrevista (vão achar graça...):

Dia 1 de Agosto - Entrevista exclusiva ao leitor Tiago, do blog Lydo e Opinado!

Dia 2 de Agosto - Entrevista exclusiva à leitora Sara, do blog Lydo e Opinado!

Dia 3 de Agosto - Entrevista exclusiva à leitora Patrícia, do blog Lydo e Opinado! (Ainda não Confirmada)

Acredito que sirva de pouco consolo... :D mas é uma oportunidade de conhecerem um bocadinho melhor cada um dos autores deste blog! Quanto às crónicas, vamos escrever as que ficaram por escrever nestes dois meses! «O Preço dos Livros» e «Livros Originais?». Estamos ainda a pensar começar com uma nova rubrica de blogs literários, mas não sabemos se começamos este mês ou só para Setembro.

Boas férias e boas leituras a todos!

Tiago

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Parabéns, Lydo!


Foi há dois anos que criei com a Patrícia este espaço dedicado aos livros, onde o nosso objectivo era colocarmos as críticas aos livros que íamos lendo, opinando-os e aprovando-os (ou não!). Mas ao longo deste nosso projecto o Lydo e Opinado tornou-se muito mais do que isso. Vamos falar de números, neste espaço dedicado a letras? Vamos. São sempre uma curiosidade que tenho prazer em ver!

Neste ano que passou tivémos mais de 27.000 visitas, a contrastar com as 4.000 que foram o total do primeiro ano... um aumento de quase 7 vezes! Em termos de páginas visualizadas, o número sobe a quase 40.000! Novamente, para se ter o ponto de comparação, no primeiro ano tivémos 6.000... este aumento no número de visitas não passa do resultado, muito bem-vindo, do esforço que empregámos em fazer dos posts mais diários, e, acima de tudo, da grande medida que tomámos: as entrevistas exclusivas.

Há um ano atrás orgulhavamo-nos da entrevista feita a Juliet Marillier. Um ano passado, acrescentamos à nossa já considerável lista de autores entrevistados José Rodrigues dos Santos, Frederico Duarte, Inês Botelho, Pedro Sena-Lino, Isabel Ricardo Amaral, e Diana Franco de Sousa. Não menos importantes, ainda, as entrevistas ao tradutor de George R. R. Martin, Jorge Candeias; e à recentemente criada e já tão apreciada pela crítica editora Ahab Edições!

São também as críticas o grande mote, provavelmente são o vento que fazem mover as hélices do moinho! Esforçamo-nos por uma crítica verdadeira e sincera, que não sejam tendenciosas para qualquer lado, e queremos sempre a maior das seriedades quando toca a aconselhar ou desaconselhar uma leitura... ao sermos três, eu, a Sara, e a Patrícia, asseguramos a diversidade de tipos de livros que vamos lendo... embora haja sempre alguns pontos comuns, como é o caso da fantasia!

Faz ainda hoje um ano que entrou no blog a colaboradora Sara! Há que admitir que existem ritmos diferentes e leitura, e o tempo não é igual para todos... entre outros motivos, a Patrícia tinha uma participação menos regular no blog, e a sua presença por aqui continua a ser, como devem perceber, um pouco arritmada. Nunca esteve, porém, em causa tirá-la da equipa. Para compensar na balança, digamos assim, decidimos convidar a Sara para nos ajudar, e neste ano deu para perceber que já teve tempo para se ambientar e afirmar! Aproveito para deixar um agradecimento muito grande às duas...

Existem momentos inacreditáveis na vida de um blog que infelizmente acontecem pelos piores motivos, mas não podia ainda deixar de referir este facto: no dia em que José Saramago morreu, e pelo Lydo e Opinado ter noticiado a tragédia assim que foi dado como última hora na televisão, tivémos 94 pessoas online ao mesmo tempo no blog, com as pesquisas a virem todas parar aqui, enquanto não existia mais informação em lado nenhum. Neste caso o provérbio foi mesmo ao contrário - há bens que vêm por muito mal.

Mas hoje, hoje é para mim um dia de festa! E para este novo ano já tenho mais ideias para renovar o blog, e ânimo para continuar com ele. Um grande obrigado a todos os visitantes - este aniversário também é vosso! Parabéns Lydo e Opinado!!!

Tiago

domingo, 25 de julho de 2010

Reflexão na véspera do 2º aniversário do Lydo...

Talvez esta reflexão não tenha qualquer sentido para os leitores deste blog, mas necessito de partilhar com todos aquilo que sinto. Podemo dizer que é um desabafo que não consigo conter. Não se assustem, não vou acabar com o espaço, nem tenciono, nem faria qualquer sentido.

Este último ano crescemos exponencialmente em termos de visitas (cinco vezes mais!), comentários, mas, acima de tudo, consistência. Hoje posso dizer que sinto que o blog chegou a um nível de identidade com o qual me identifico. Temos um modelo, uma extrutura, que me satisfaz. São às dezenas os blogs que sigo. De livros. Os meus preferidos são aqueles que se assumem de uma determinada maneira, que têm a coragem de se virar numa certa dimensão e seguir em frente respeitando uma linha lógica. Há uns que se especializam em noticiar as novidades literárias que vão enchendo as nossas livrarias; outros cujas críticas já se tornaram para mim essenciais de ler; outros ainda que conseguem transmitir através do seu blog o grande amor pelos livros, cujo modo de escrever se identifica com a minha maneira de pensar.

O Lydo há um ano atrás era um blog pobrezinho. Excluindo a entrevista a Juliet Marillier, e as críticas que me davam sempre prazer a escrever, tudo o resto sentia que era... um pouco como palha, só para encher. Dia 1 de Janeiro deste ano decidi que tinha de mudar. Tinhamos de deixar de ser apenas mais um.

Não sei se resultaram as medidas que quis implantar: entrevista exclusiva a autores/editores/tradutores no primeiro dia de cada mês; um passatempo relativo à entrevista de cada mês; uma rubrica de crónicas acerca de um dado tema; a rubrica semanal "Novidade da Semana" em que nos focávamos na novidade que mais nos chamava a atenção; o esforço por manter posts diários. As visitas subiram muito... começámos a notar que, ao fim do mês, tínhamos o número de visitas equivalentes a seis meses de antes! Parecia correr bem. E ainda corre. Não sei se vou chegar ao ponto que queria falar... ao desabafo em si...

Tudo isso me encheu de orgulho. Um orgulho bom, de quem se esforçava e via o seu trabalho ser recompensado. Erámos três: eu, a Patrícia, e a Sara. Todos postando, todos vivendo o blog. Nos bastidores, isto é, fora dos blogs, combinávamos espécies de calenderizações - dia tal vai-se postar isto, dia y aquilo... ninguém posta no dia a seguir a uma entrevista para dar mais destaque à mesma... e as visitas subiam, e eu sentia-me feliz. E sinto. É só que... aqui vai:

Se calhar é de mim, mas sou uma pessoa que se anima e desanima com grande facilidade. Sou uma pessoa demasiado perfeccionista, também, ao ponto de não postar um dia e começar a pensar que, à custa disso, vou começar a perder visitantes!! E depois, desculpem tocar neste assunto, sinto que nos blogs existe aquela coisa de 'para me comentarem tenho de comentar nos outros', o que é triste. Não que tenha a ver com isso. Mas para mim um comentário, para além do seu conteúdo mais, ou menos, rico e importante, é um ânimo para se continuar.

No fundo não sei se me consegui explicar. Provavelmente não. É que às vezes... aqui vai outra tentativa... o cansaço pesa, e postar todos os dias torna-se impossível. E há alturas em que apetece ler até cair para o lado, e outras em que, sem deixar nunca de gostar de ler, me desvio um pouco para o lado da música, da escrita, e as leituras avançam mais devagar - o que vai influenciar o blog.

Nada disto teve interesse, acho eu. Mas amanhã o blog faz dois anos, e eu não consigo deixar de sentir uma grande emoção por tudo o que fiz aqui, o que já consegui.
Muito, muito obrigado a todos os que vêm.

Tiago

PS: Depois de reler, chego à conclusão que o que queria dizer era isto - quando falho nalgumas rubricas, quando começo a perceber que não consigo deixar posts diários, começo-me a desmotivar pensado que os leitores se desmotivam. Era isso. Mas está tudo na minha cabeça.......

sábado, 24 de julho de 2010

Uma prenda inesperada... com aroma a Bishop....

Foi há sensivelmente uma semana, em circunstâncias inesperadas mas muito bem-vindas... recebi o pack completo da trilogia das Jóias Negras, a mais conhecida da autora Anne Bishop! Escusado será dizer que fiquei embasbacado e muito satisfeito. Esta trilogia é daquelas que há anos que prometo a mim próprio que tenho de ler, e, aliás, tinha adquirido o primeiro volume nesta Feira do Livro... agora de repente receber o conjunto dos três! Fica o primeiro para dar a alguém...

Olho para a prateleira dos livros por ler e constato que já está completamente cheia. Isso diz-me que, provavelmente, a leitura da trilogia estará já à partida adiada para o próximo ano... mas mal posso esperar! Agora já não tenho mesmo desculpa!
Tiago

sábado, 10 de julho de 2010

Praia!


É onde vou passar os meus próximos dias... e não vou dispensar a companhia d' Os Miseráveis, claro está! Até já...

Tiago

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Resultados do passatempo «Início»!


Desta vez tivémos 115 participantes, o que faz deste passatempo, em colaboração com a Temas Originais, o segundo mais participado do Lydo e Opinado! Infelizmente só existia um exemplar para passatempo; e como toda a gente acertou as três perguntas, existia uma probabilidade de 1 para 115 de se ser o vencedor... a sorte acabou por calhar à participação número 90 (número obtido aleatoriamente através do site random.org), que correspondia a...

Diana Ferreira, de Cascais!

Parabéns, Diana! Espero que gostes de ler este livro. Quanto a todos os outros participantes, muito obrigado por terem tentado; e não desistam de participar nos nossos passatempos. Algum dia a sorte há-de bater-vos à porta... pela primeira, ou segunda vez! Sim, que eu tenho reparado que alguns vencedores de passatempos anteriores continuar a tentar, e fazem eles muito bem ;)

Quanto ao livro, se estão interessados, podem ainda adquiri-lo através do site da editora, ou da WOOK, ou então dirigindo-se a algumas livrarias específicas no país, indicadas no site da editora.

Tiago
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