Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crítica - Sobre a República (Fernando Pessoa)


Título: Sobre a República
Autor: Fernando Pessoa
Editora: ÁTICA (Guimarães Editora)
Nº de Páginas: 57
Preço Editor: Grátis com o jornal i

Sinopse: «Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos - porque estes contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos - de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regímen a que, por contraste com a monarquia que o precedera, se decidiu chamar República».


Este é um dos dez livros da colecção dedicada a Fernando Pessoa, que o ano passado saiu semanalmente com o jornal i, grátis. Já tinha lido cinco deles, e este agora tornou-se o sexto. Já o ano passado o tinha guardado especialmente para o ler durante o centenário da revolução da República, o que seria mesmo a calhar em relação ao conteúdo do livro. Além disso, juntando-se o útil ao agradável, a seguir a ler o maior livro do ano (Os Miseráveis - 1088 páginas), também sabe bem ler um dos mais pequenos - 57 páginas!

O que eu não estava nada à espera era de encontrar neste livro uma faceta de Fernando Pessoa que ainda não tinha descoberto... é que ao manifestar-se contra o modelo da República aplicado após o 5 de Outubro, o autor e exalta-se e não se poupa em insultos, chegando mesmo a "proferir" algumas palavras mais pesadas... não hesita em insultar os chefes políticos da época, principalmente Afonso da Costa.

Na maioria dos textos manuscritos, acontece existirem quase uma dezena de palavras por página com um "[?]" à frente, que tem como significado não se perceber se a palavra que está escrita é exactamente aquela. Não me parece que a abundância de símbolos destes ao longo de todo o livro se devam apenas à letra difícil de Pessoa. Fiquei com a ideia que o próprio autor tremia enquanto escrevia as palavras, porque o discurso, esse, não há margem para dúvidas que é tremido e exaltado.

Texto curioso de se ler na véspera do dia em que a República fez cem anos, porque mostra uma opinião legítima e negativa do acontecimento que está a ser tão falado a nível nacional. Pena que ninguém pareça lembrar-se da opinião de Pessoa neste momento, porque sem dúvida que os seus argumentos dariam pano para mangas... desde quando chama trapo à bandeira nacional, até "Vem o Senhor Afonso da Costa... aquilo é que é uma besta!", um livro que mostra uma visão da República pelos olhos de um intelectual insatisfeito da época. Curioso e interessante.

Páginas: 57

Nota: 6 (em 10) - Agradável

Tiago

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Crítica - O Banqueiro Anarquista

Posso dizer que nunca tinha lido um livro que fosse considerado um ensaio - e é desta forma que eu catalogo esta obra de Fernando Pessoa, mesmo não sabendo se é considerada ou não assim: um ensaio! Acerca do Anarquismo, e de todos os pradoxos relativos a essa teoria política/social. Este tipo de temas despertam em mim alguma curiosidade; cada vez mais me interesso pelos temas políticos da actualidade, daí que tenha apreciado a leitura d' O Banqueiro Anarquista.

Publicado originalmente no nº1 da revista «Contemporânea», em 1922, esta é a história curta (são só 57 páginas) de dois homens que se encontram sentados numa mesa. Um deles é o narrador presente. O outro é o banqueiro, que afirma ser mais anarquista do que qualquer outro membro das «organizações operárias». Ora o Anarquismo, resumindo aquilo que compreendi da leitura do livro, é um sistema político que rejeita todos os tipos de sistemas políticos, ou seja, não existem diferenças sociais entre as pessoas! O poder não está concentrado em ninguém!

Ora, à partida, ser banqueiro (e ser rico) entrava em curto-circuito com o facto de defender e dizer praticar o anarquismo. Pois ao longo de toda a conversa, vai-nos explicando que não! Que ser banqueiro é, aliás, uma forma bastante legítima de ser anarqista!

Um livro original - um ensaio, como digo - que esclarece as pessoas acerca desta teoria. E, na minha opinião, uma excelente forma de começar a ler a prosa de Pessoa. Após ter lido dois livros deste grande senhor, e tendo ainda mais oito por ler até ao fim do ano (os que estão a vir semanalmente com o jornal i, grátis), este autor merece já uma posição de destaque na minha consideração. Espero curioso pelo próximo dele.

Páginas: 57

Personagem Preferida: O Banqueiro. Entre um e o outro, não é difícil escolher...

Nota (0/10): 6 - Agradável

Tiago

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Crítica - "Mensagem", de Fernando Pessoa

Foi a minha estreia de Fernando Pessoa, escritor poeta português que sempre despertou em mim a maior das curiosidades, e de quem finalmente li uma obra. Este livro, «Mensagem», é feito apenas de poesia; mais de cem páginas de poemas, formando, no seu todo, um retrato belíssimo da história de Portugal.

Não é só o facto de Fernando Pessoa escrever maravilhosamente bem, transferindo do papel para a nossa alma sensações e emoções que de outra forma seriam muito difíceis de ter. Mostra-nos que o povo português teve muitos heróis, mostra-nos que os Descobrimentos Marítimos foram de facto uma aventura de proporções épicas, e que o declínio do sonho português levou Portugal para o centro de um grande nevoeiro, do qual não saiu.

Com este livro, Pessoa aborda a história de Portugal, e apresenta-nos retratos do passado nos quais nos devemos basear para guiarmos a nossa vida hoje. O último verso do último poema diz tudo: «É a hora!». É possível o país voltar a erguer-se a mostrar a chama que há nele! É possível voltarmos a ser os heróis dos Descobrimentos!

Foi de um enorme prazer ler, e entretanto já comecei a reler, desta vez tendo mais atenção aos pormenores. Pré-requisitos? Talvez gostar de poesia!... Na minha opinião, foi uma boa escolha minha começar a ler este autor por esta obra.

Páginas: 106

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago
Blog Widget by LinkWithin