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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crítica - O Regresso do Rei


Título: O Regresso do Rei - O Senhor dos Anéis (Parte III)
Autor: J. R. R. Tolkien
Tradutora: Fernanda Pinto Rodrigues
Editora: Publicações Europa-América
Nº de Páginas: 336
Preço Editor: 21,35€

Sinopse: Eis que chegámos à terceira parte de O Senhor dos Anéis. Esta terceira parte, O Regresso do Rei, trata das estratégias opostas de Gandalf e Sauron, até ao fim da grande escuridão, que concluirá esta fantástica viagem pelo estranho mundo criado pela vivíssima imaginação de Tolkien.


Após um primeiro volume cuja leitura considerei difícil, e um segundo que me surpreendeu muito positivamente, as expectativas para a terceira e última parte da mais famosa trilogia de fantasia de todos os tempos situavam-se num nível mediano. Uma grande diferença logo à partida quando comparado com os outros dois: nunca vi o terceiro filme da adaptação cinematográfica, e o final da história era para mim uma incógnita. Um ano e meio depois de ter lido "As Duas Torres" decidi por fim aventurar-me para "O Regresso do Rei".

A adaptação não foi fácil. Emergir nesta Terra Média de Tolkien não é, para mim, como começar a ler um livro de Haruki Murakami (por exemplo). Este cenário austero de guerra e turbulência, adornado pela escrita cuidada e épica que Tolkien gosta de criar, não se cola à minha faceta de leitor de uma maneira natural. É precisa uma certa insistência, passar por uma fase de habituação, para que realmente comece a desfrutar da narrativa. Os tempos estão mais negros do que nunca neste volume final, o que também não veio ajudar muito - daquelas leituras que se calhar nos apanham em má hora, não estamos muito virados para esse estilo, mas já que começámos seguimos adiante.

Depois de passada a fase de adaptação, lá me embrenhei no enredo de maneira mais intensa, e apanhei a carruagem mesmo antes dos acontecimentos mais importantes se darem. Daí até ao final do último capítulo, o tempo passou a correr, e já não custou nada. Não se assustem os leitores do blog quando falo nestes termos de "insistência", "não custou tanto", "ter que aguentar", "obrigar-me a prosseguir" - são uma realidade relativamente frequente na minha vida. O que não quer dizer minimamente que eu não gosto de ler, porque gosto: às vezes preciso é de me empurrar a mim próprio.

O desfecho da trilogia, nas suas últimas cem páginas, esboça, talvez a par de toda a sequência dos ents n' "As Duas Torres", um dos momentos mais bonitos d' "O Senhor dos Anéis". Passarmos da dimensão imensa e incrível do destino do mundo inteiro, como nos estava Tolkien a habituar desde a segunda metade d' "A irmandade do anel", para as intrigas mais privadas do cantinho dos hobbits - o Shire - é uma experiência única. Subitamente, quando pensávamos que o autor já não nos ia surpreender até ao fim, dá-nos a volta e ensina-nos ainda uma preciosa lição, pegando na humildade característica dos seres mais pequenos daquele mundo. A história cresce ao aproximar-se da escala mais pequena possível, no derradeiro final.

Queria deixar ainda uma nota muito positiva para o conjunto da tradução de toda a trilogia. Conserva um linha sólida e sóbria, extremamente bem realizada. Os meus parabéns à tradutora Fernanda Pinto Rodrigues, porque está aqui um trabalho digno de nota.

A conclusão da trilogia vem fechar de forma digna o conjunto. É a partir desta saga escrita por Tolkien entre os anos 30 e os anos 40 do século XX que a maior parte da fantasia contemporânea vai buscar as suas inspirações. O que é impressionante de se imaginar. Na verdade, é de se tirar o chapéu a toda a contrução de um mundo, de múltiplas línguas, culturas, cronologias, estudos sobre personagens e locais totalmente inventados. Quando a meio de uma linha nos surge uma nota de rodapé que nos diz "talvez a palavra X derive de uma variação dos orcs das montanhas do Sul" é de ficarmos de queixo caído, no sentido de que Tolkien levava a sua criação mesmo a sério. Um último destaque para tudo o que se esconde para lá desta fantasia, toda a moral com bases profundamente enraizadas na nossa sociedade, a batalha do Bem contra o Mal que, apesar de frequentemente relativizada no nosso dia-a-dia, está cá e vive connosco todos os dias.

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago

segunda-feira, 22 de março de 2010

Crítica - As Duas Torres

Título: As Duas Torres - O Senhor dos Anéis Parte Dois
Autor: J. R. R. Tolkien
Tradutora: Fernanda Pinto Rodrigues
Editora: Publicações Europa-América
Nº de Páginas: 387
Preço Editor: 21,35€

Sinopse: No anterior volume desta trilogia, A Irmandade do Anel, o leitor travou conhecimento com alguns estranhos e simpáticos persoagens que povoam o mundo que Tolkien construiu: Frodo, Gandalf, Pippin, Aragorn, Boromir, para citar apenas alguns. Através deles ficou também a conhecer algumas espécies bizarras a viver em terras imaginárias: os hobbits, os orcs, os elfos, os anões. E acompanhou certamente todas as peripécias que se passaram à volta do misterioso anel de que Frodo era possuidor. Os perigos por que passaram para subtrair o anel às mãos cobiçosas dos inimigos, os trabalhos em que se viram envolvidos para conseguir o seu intento culminaram com a fuga e o desaparecimento de Frodo e a dispersão dos seus companheiros. Esta segunda parte, As Duas Torres, conta o que aconteceu a cada um dos membros da Irmandade do Anel, depois de o grupo se ter desfeito e até ao advento da Grande Escuridão e à eclosão da Guerra do Anel, que será contada na terceira e última parte. As Duas Torres é o segundo volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também A Irmandade do Anel e O Regresso do Rei.

Se tinha achado o primeiro livro daquela que é a mais famosa trilogia fantástica de sempre um bocado aborrecido, este As Duas Torres foge, e muito, a esse adjectivo dado ao seu anterior - foi emocionante e épico. Divide-se em duas partes: a primeira segue Aragorn, Legolas, Gimli, e Pippin e Merry. A segunda move o foco da atenção para Frodo e Sam. A primeira parte foi para mim e a mais interessante, talvez porque foi nessa que eu me surpreendi verdadeiramente, com o que considerei uma viragem de 180º na escrita de Tolkien - mais acção, e cria uma ligação maior entre a história e o leitor.

A natureza e os cenários descritos são construídos mentalmente na cabeça do leitor, e conseguimos visualizar na perfeição os pormenores, o ambiente envolvente. Por exemplo, a floresta de Barba de Árvore (que foi o protagonista, aliás, do meu capítulo preferido da saga até agora) foi muita bem descrita e conseguida, sentimos o peso do ar e a idade das árvores à nossa volta enquanto lemos.

Pude respirar fundo quando percebi que a história não ia seguir a mesma linha do primeiro volume, em que essencialmente foi narrada viagem, viagem e mais viagem. Não. Neste aqui alargam-se os prismas da acção, já temos mais do que a demanda do anel (a segunda parte, centrada novamente em Frodo, mostrou ser um bocadinho mais fraca). Gostei de algumas personagens novas que foram introduzidas, e fiquei com vontade de viajar até ao terceiro - O Regresso do Rei. E nesse terei ainda uma séria vantagem: é que eu cheguei a ver os dois primeiros filmes da trilogia, mas do terceiro nada sei, e por isso escapo aos spoilers!

No fundo, o livro mostra uma agradável faceta de Tolkien, que não encontrara na leitura d' A Irmandade do Anel, e que me fez acreditar nos tremendos elogios que são feitos à mais famosa saga de fantasia de sempre.

Personagens Preferidas: Barba de Árvore, Gollum, Pippin e Merry, e Gimli.

Nota (0/10): 8 - Muito Bom

Tiago

sábado, 14 de março de 2009

A Irmandade do Anel - Crítica


À parte o facto de ter demorado mais tempo do que desejaria para o ler, e que a própria leitura teve altos e baixos ao nível do entusiasmo, este primeiro volume de uma das mais famosas sagas de fantasia de sempre foi bom de ler. Não tanto pela jornada em si, que Frodo e os seus companheiros da Irmandade iniciam neste primeiro volume. Mas, acima de tudo, pelo Universo criado, pelos cenários descritos, pela história que J.R.R. Tolkin criou deste mundo seu, a Terra Média.

Por uma vez ou outra pensei que certas situações eram um pouco clichés, mas depois lembrei-me que isso não era possível, pois foi Tolkien que as introduziu pela primeira vez! Todas as raças criadas, a noção da aventura, os cenários, as cidades, as histórias, as inúmeras canções e poemas que acompanhavam a narrativa... tudo isso foi criado de raiz! Nesse ponto, fiquei espantado com a complexidade da criação do autor.

No entanto, e lamento um pouco por isso, funcionou um pouco como um review do filme. O estilo de escrita não me cativou por aí além, e o facto de já saber o que ia acontecer não me fez suster a respiração. Também achei que algumas partes eram narradas de forma demasiado vagarosa, e outras eram surpreendentemente rápidas, quase como um relâmpago!

A história faz sonhar, mas não devo dizer que seja de leitura fácil. De vez em quando, temos de nos impelir a continuar, porque sabemos que a cada capítulo, a seguir a cada parte um pouco mais aborrecida, vamos conhecer novas cidades, personagens... que vão permanecer no nosso pensamento. Espero ler em breve o segundo volume da saga.

Páginas: 465

Personagem Preferida: Aragorn (ou Passo de Gigante), pela personalidade da personagem em si, e Sam, pelo seu companheirismo e dedicação ao "patrão" - Frodo.

Nota (0/10): 7 - Bom

Tiago
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